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Educação Financeira

Inflação dos alimentos: como pagar menos no supermercado?

Em apenas 30 dias, consumidor pode pagar 15,76% a mais pelos 5 itens mais impactados pela inflação

Por Jenne Andrade

06/08/2022 | 5:00 Atualização: 05/08/2022 | 20:55

Os preços de algumas frutas, verduras e legumes seguem aumentando nos supermercados. Foto: Envato Elements
Os preços de algumas frutas, verduras e legumes seguem aumentando nos supermercados. Foto: Envato Elements

Imagine o seguinte: no início de junho deste ano você foi às compras no supermercado, sacolão ou hortfifruti. Passou pelas gôndolas e observou os preços dos alimentos. O mamão, por exemplo, estava custando R$ 5,30 a unidade, enquanto o leite estava a R$ 6,27 o litro.

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O pepino, melancia e o maracujá estavam custando R$ 1,19, R$ 10,83 e R$ 3,60, respectivamente. No final, você saiu com esses cinco itens na sacola de compras, em quantidades variadas. Cerca de 30 dias depois, no início deste mês, você retorna ao mesmo comércio e resolve comprar os mesmos produtos.

Entretanto, o mamão, que antes era R$ 5,30 a unidade, estava saindo por R$ 6,49, incríveis 22,48% de aumento. O mesmo ocorre com o leite, cujo preço do litro ficou 22,27% mais alto, para R$ 7,67. Os demais itens, pepino, melancia e maracujá, tiveram seus valores incrementados em 15,31%, 10,71% e 9,91%, respectivamente.

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Esta situação, infelizmente, não é hipotética. Os dados inflacionários são reais e tirados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho, que é uma prévia da inflação mensal. Estes cinco itens, mamão, leite, pepino, melancia e maracujá foram os mais impactados pela alta de preços no mês passado.

Considerando apenas os valores unitários de cada alimento, a inflação teria feito a compra desses cinco itens ficar 15,76% mais cara no total, de R$ 27,19 para R$ 31,48.  A diferença de R$ 4,29 pode parecer pouco, mas vale lembrar que todo esse movimento ocorreu em um espaço de pouco mais de quatro semanas – e que o salário não acompanha os aumentos.

Em um panorama mais longo, o efeito da inflação nos supermercados fica mais assombroso. Nos últimos três meses, os alimentos de domicílio registraram alta de 11,42%. Produtos essenciais como feijão, farinha e óleo subiram 30% em média, enquanto o leite ficou 57,42% mais caro. As frutas e legumes, como o mamão e o pepino, praticamente dobraram de preço.

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A aposentada Leonina Ferreira, de 67 anos, conta que ir ao supermercado e voltar com as sacolas cheias para casa está se tornando um evento cada vez mais raro. “O preço das coisas aumentou e o salário não acompanha essa inflação. Tenho comprado o que está mais em conta. Então, em uma semana eu compro uma fruta, na outra semana compro outra. O mesmo faço com as verduras”, conta Leonina. “Tem que ir intercalando, até porque não dá para comprar várias frutas e verduras e deixar na geladeira.”

Ela usa a estratégia de fazer compras semanalmente de produtos e alimentos em vez de uma grande compra mensal “Fica mais econômico para mim. Se tem algo em promoção, vou lá e compro. Tem outra coisa em promoção em outro mercado, vou lá e compro”, diz Leonina.

Economize

A estratégia usada pela aposentada Leonina é bastante eficaz e indicada para quem busca economizar no supermercado, principalmente em relação aos alimentos. Carol Stange, educadora financeira, explica que para não-perecíveis a compra mensal pode ser eficaz, mas para produtos frescos, o consumidor precisa programar compras semanais. “Vá nas datas específicas: quarta é dia de feira e quinta, de açougue”, afirma Stange.

Fora essa estratégia, segundo Stange, o consumidor deve ter em mente qual o valor médio dos gastos mensais no mercado. Cada família precisa ter o controle de suas despesas para que consiga organizar melhor as finanças, assim como definir prioridades para as compras do mês.

Rosi Ferruzzi, planejadora financeira CFP pela Planejar, indica sempre pesquisar preços e promoções em mais de um supermercado, atacarejo (que mescla atacado e varejo) ou sacolão antes de ir às compras, como faz a aposentada Leonina.

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Contudo, ela recomenda atenção na pesquisa. “Cuidado para não ir em supermercado apenas para comprar um produto em promoção. Se você terá que se locomover alguns quilômetros a mais, pode não valer a pena o desconto que teria”, diz Ferruzi.

Nesta reportagem, o E-Investidor mostra como manter o poder de compra diante da inflação dos alimentos por meio de investimentos.

A especialista da Planejar destaca também que os atacarejos podem se colocar como melhores opções do que os supermercados. E aconselha trocar de marcas por alternativas mais baratas.

E para evitar agir por impulso no momento da compra, uma dica essencial também é não ir com fome às compras e fazer a lista dos itens que estão faltando na dispensa. “Isso ajuda a não se empolgar com a compra de itens que não precisa no momento”, diz Ferruzzi. “Se possível evite levar as crianças, geralmente a compra fica maior com elas.”

Conserve os alimentos

Para quem pretende diminuir as idas ao mercado ou não consegue fazê-lo com frequência, saber armazenar corretamente os alimentos perecíveis para que durem mais – e com isso comprá-los em grande quantidade de uma vez – é fundamental.

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A nutricionista Tayná Andrade de Oliveira aponta formas de conservar frutas, verduras ou legumes por até três meses no congelador. No caso do mamão, que foi o grande vilão da inflação em julho, basta congelá-lo em cubinhos ou em forma de polpa. “Melhor utiliza-las em vitaminas, sucos e preparações. Nem necessitam de descongelamento prévio”, afirma Andrade

Após o descongelamento, entretanto, esses alimentos devem ser utilizados em no máximo três dias. Outra forma de poder comprar mais frutas em uma única ida à feira, atacarejo ou supermercado, é sempre optar pelas que estão mais maduras. “O maracujá, por exemplo, após maduro dura até sete dias na geladeira”, afirma a nutricionista.

 

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