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Investimentos

Como 2020 quebrou a ‘maldição de maio’ na Bolsa

Especialistas explicam fatores que favoreceram o período

Por Jenne Andrade

29/05/2020 | 17:11 Atualização: 29/05/2020 | 19:14

(Foto: Pixabay)
(Foto: Pixabay)

Diz a lenda que maio é um mês “amaldiçoado” para o mercado acionário. Com o histórico de baixas nas bolsas de valores, o temido período possui até um ditado popular: “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora, em português).

Leia mais:
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Mas 2020 provou que nem sempre o ditado se repete. Com a alta de 0,52% na sexta-feira 29, o Ibovespa encerrou o mês com valorização de 8,58%, aos 87,403 pontos . Em 26 anos, essa foi a nona vez de ganho para o mês de maio. E o melhor maio desde 2009, segundo a Economática (veja gráfico abaixo).

Esse pensamento de vender os ativos no quinto mês do ano faz sentido, principalmente para os investidores americanos e europeus. Acontece que maio coincide com o início do verão no hemisfério norte. “Eles não deixam o dinheiro aplicado porque vão tirar férias nesse período”, diz José Cataldo, superintendente de research da Ágora Investimentos.

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O êxodo de investidores nessa época provoca, normalmente, os piores resultados nos índices de ações. Entre 1950 e 2013, o retorno médio do Dow Jones, indicador de desempenho para as bolsas americanas, foi de apenas 0,3% entre maio e outubro, contra 7,5% entre novembro e abril.

No Brasil, a maldição também tem atingido a B3, que teve 17 quedas em maio no últimos 25 anos (desde 1995). “Nosso mercado sempre teve muita representatividade do investidor estrangeiro e ele historicamente se desfaz de suas posições nesse mês de férias”, afirmou Cataldo.

O ano de 2020, no entanto, veio para quebrar essa tradição e todas as expectativas do investidor. O ano da “zebra” está longe do fim e já teve de tudo: moscas gigantes assassinas nos EUA, petróleo com cotação negativa, até a maior crise sanitária dos últimos tempos, causada pelo coronavírus. No meio dessa toada de confusão, o mercado financeiro teve um mês de maio positivo.

Melhor maio desde 2009

Para os especialistas, vários fatores contribuíram para o salto de 8,58% do Ibovespa no mês. O primeiro deles seria a expectativa de retomada econômica, que veio após alguns países anunciarem o fim gradativo do isolamento social.

“A volta gradual da economia foi muito positiva para o mundo e também para o Brasil. Os ativos de risco começaram a caminhar para uma menor incerteza”, disse Glauco Legat, analista-chefe da Necton Investimentos.

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Essa também é a opinião de Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos. “Maio ganhou muito impulso com as tentativas de volta à normalidade, é o melhor desde 2009” disse. “Tivemos um mês muito forte, comprador”, concluiu.

Já para Eduardo Guimarães, especialista em ações da Levante Ideias de Investimentos, a queda de 30% em março e a grande volatilidade política em abril, puxada principalmente pela saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, deixou um espaço para um crescimento mais expressivo em maio.

“O vídeo ministerial foi bem recebido no mercado e a bolsa deu uma acelerada. O afastamento da possibilidade de impeachment ajudou”, diz Guimarães.

Movimento de ‘saída de férias’ aconteceu ao longo do ano

De acordo com Cataldo, o histórico êxodo de investidores em maio se diluiu no decorrer da pandemia do coronavírus. “O movimento que deveria se concentrar neste mês para não correr risco quando estivesse de férias já aconteceu e, somando às boas notícias, nós tivemos um mês bom.”

Resultados do e-commerce contribuem para viés de alta

Os resultados trimestrais de varejistas de bens-duráveis ligadas ao e-commerce também contribuíram para elevar os ânimos dos investidores no temido mês de maio e puxar a alta do ibovespa. “Via Varejo e Magazine Luiza apresentaram números bem interessantes”, apontou Carvalho.

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De fato, enquanto a Via Varejo apresentou lucro de R$ 13 milhões no 1º trimestre e valorização de 37% dos papéis (de R$9,18, em 30 de abril, para R$12,58, em 28 de abril), a Magazine Luiza aumentou em quase 100% o seu valor de mercado na bolsa, para R$110 bilhões.

Guimarães também destaca o e-commerce como um dos setores que seguraram a alta do índice. “Varejo eletrônico foi o grande vencedor nesse mês”, disse.

COLABOROU: MATEUS APUD 

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