Fundos de investimento: classe captou mais no 1º trimestre do ano do que no mesmo período de 2025 (Foto: Adobe Stock)
Apesar do cenário desafiador, composto por empresas com problemas financeiros e a intensificação do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, a indústria de fundos de investimento captou R$ 159,2 bilhões no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
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Pedro Rudge, diretor da associação, aponta que o movimento pode ser explicado em parte pelos depósitos no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) recebido pelos investidores após a quebra de bancos ligados ao Master. “Uma parte de recursos que estavam em CDBs foram para fundo de renda fixa conservadores”. Apenas neste ano, o FGC já pagou cerca de R$ 40 bilhões aos credores do Master.
Do total captado, R$ 130,03 bilhões foram aplicados em fundos de renda fixa, R$ 17,8 bilhões foram para ETFs, 11,2 bilhões para multimercados, R$ 6,4 bilhões para FIPs e R$ 2,4 bilhões para Fiagros. Já fundos de ações tiveram saídas líquidas de R$ 6,4 bilhões, enquanto foram retirados R$ 2,4 bilhões dos FIDCs, R$ 300 milhões de previdência e R$ 100 milhões de fundos cambiais.
Rudge destaca a boa captação dos fundos de índice (ETFs) fora da renda fixa. “A classe de fundos passivos tende a ter mais relevância. O crescimento desses fundos é o da indústria também: eles estão inseridos nela. É apenas uma estratégia um pouco diferente e que oferece retorno bastante interessante ao investidor”. O executivo espera que a CVM libere os ETFs ativos no País para que seja possível ter uma gama maior de produtos.
Perspectivas
Olhando para a frente, os fundos mais arriscados, que vêm sofrendo resgates ou captando pouco, devem recuperar terreno nos próximos trimestres, diz Rudge.
“Os de ações registram uma performance interessante no período e a tendência é que voltem para alguma normalidade. Só é difícil precisar se isso acontecerá já no próximo trimestre, no terceiro ou no quarto”.
O executivo explica que mesmo o impacto da guerra, aponta, vem sendo limitado para os multimercados. “O impacto inicial foi maior porque muitos estavam esperando um ciclo de queda de juros. Depois dessa volatilidade, muitos ajustaram carteiras e estratégias. Portanto, apesar de o conflito continuar, afetam menos e os fundos tendem a se recuperar nas próximas semanas, ainda que haja alguma dispersão”.