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Investimentos

Como rebalancear sua carteira para acomodar a alta dos juros

Com o aumento, a renda fixa paga mais a quem aplica, fazendo com que os investidores tentem fugir dos riscos

Por Luiz Felipe Simões

23/09/2021 | 9:58 Atualização: 23/09/2021 | 9:58

(Fonte: Pixabay)
(Fonte: Pixabay)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central aumentou nesta quarta-feira (22) a taxa básica de juros Selic em um ponto percentual, agora em 6,25% ao ano. O incremento, que veio em linha com as expectativas do mercado, é uma tentativa do BC de controlar o aumento da inflação, reduzindo os estímulos econômicos para, assim, conter o aumento de preços.

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Com o aumento da Selic, a renda fixa paga mais a quem aplica, fazendo com que os investidores tentem fugir dos riscos. “Quanto mais a Selic vai subindo, mais as pessoas tendem a não aplicar em ativos de risco ou até tirar a parcela de risco de suas carteiras. Porque como vai ter boa rentabilidade com esse investimento atrelado ao CDI (historicamente, o CDI caminha junto com a Selic), não precisa ir a um mercado para o qual ela tem não tem tanta certeza”, diz Alkeos Saroglou, economista e sócio da Alta Vista Investimentos.

Como rebalancear a carteira?

Com o aumento da taxa básica de juros, aplicações como Tesouro Selic, CDBs, LCIs e até mesmo a poupança começam a render um pouco mais. Entretanto, os investidores devem ficar atentos. Com a inflação em alta (o IPCA acumulado dos últimos 12 meses está na faixa dos 9,68%), os ganhos nas aplicações podem diminuir ou até mesmo serem negativos.

Simone Albertoni, especialista em renda fixa da Ágora Investimentos, explica que é preciso cuidado na hora de fazer os ajustes na carteira para acomodar essa alta da Selic. “Apesar do aumento na Selic, vale lembrar que se você pegar um CDB pagando 100% do CDI ele não está nem pagando a inflação do período, que está estimada em 8,25% para o final de 2021”, diz Albertoni.

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Para rebalancear a carteira e acomodar essa alta da Selic, é necessário ter em mente qual o seu perfil de investidor. Segundo Albertoni, as recomendações são as seguintes:

  • Conservador – 71,5% em renda fixa (CDI), 5% em pré-fixado, 5% em títulos de inflação, 12,5% em fundos multimercado, 3% fundos com exposição internacional e 3% em ativos alternativos;
  • Moderado – 44% renda fixa (CDI), 5% pré-fixado, 5% em títulos de inflação, 34% em multimercado, 7% em ações e 5% internacional;
  • Arrojado – 7,5% renda fixa (CDI), 5% pré-fixado, 5% inflação, 35,5% em multimercado, 25% em ações, 4,5% em ativos alternativos e 17,5% internacional.

“Sempre sugerimos para os clientes na carteira de investimentos a manterem a diversificação. Na renda fixa especificamente, diversificar é utilizar diferentes indexadores, ou seja, ter pré-fixado, inflação e também CDI”, diz Albertoni.

Marcos Paolozzi, sócio e estrategista da Hieron, explica que com o aumento da Selic as oportunidades aumentaram. “Avaliamos como positivo o aumento da alocação em renda fixa, com direcionamento da maior parcela para juros pós-fixados e, em menor grau, para títulos indexados ao IPCA”, diz.

De acordo com o estrategista, os diferentes perfis de investidores podem se posicionar da seguinte forma:

  • Conservador – alocação em títulos pós-fixados, atrelados ao CDI;
  • Moderado – maior parcela para juros pós-fixados e, em menor grau, para títulos indexados ao IPCA com prazos entre três e cinco anos;
  • Agressivo – maior parcela para juros pós-fixados e, em menor grau, para títulos indexados ao IPCA com prazos entre cinco e sete anos.

Alexandre Almeida, economista da CM Capital, conta que com as sucessivas altas do indexador a renda fixa voltou a apresentar uma atratividade maior. “Esse rebalanceamento da carteira para a pessoa com o perfil mais conservador acaba atraindo mais para a renda fixa, sobretudo para papéis pós-fixados e até mesmo fundos que focam nesse tipo de título, pois oferecem uma rentabilidade melhor com um risco menor”, diz.

Opções de produtos

Há alguns anos a renda fixa, assim como aplicações atreladas à Selic e ao CDI, perdeu a atratividade. Com o indexador na casa dos 2% ao ano, muitos investidores migraram para a renda variável. Para Simone Albertoni, o indexador mais conservador é o percentual do CDI ou da Selic, que são os menos voláteis e os com menor risco para a carteira.

“Recomendamos esses produtos para fazer a reserva de emergência ou para deixar em liquidez. Por isso faz sentido para qualquer tipo de investidor, desde o conservador até o arrojado, ter a parcela de CDI ou Selic na carteira. A exposição vai diminuindo conforme o perfil for mais aberto para risco”, diz ela.

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Em termos de produtos para os perfis mais arrojados, a partir do moderado, a especialista em renda fixa conta que tem recomendado os papéis de crédito privado, como CRA, CRIs e debêntures incentivadas, já que eles vêm trazendo remuneração de inflação mais um juro real, e ainda têm a isenção do imposto de renda.

Já Alexandre Almeida explica que conforme vamos avançando nesse perfil de risco, os FIDCs (Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios) passam a ser uma boa opção. “São os fundos de crédito que também acabam se beneficiando dessa movimentação de alta da Selic”, diz.

Alkeos Saroglou explica que com o aumento, até os fundos DI que estavam rendendo pouco no começo do ano vão nominalmente começar a se valorizar bem mais. Mas, em sua opinião, os mais interessantes são os fundos de crédito privado de debêntures ou de FIDC. “Há alguns fundos que têm um alvo de rentabilidade, como CDI mais 1,5% ou CDI mais 2%. Então, com a parte do CDI subindo, esses produtos vão ficar mais atrativos e ao final do período de subida da Selic, quando estiver em torno de 8% ou 8,5%, esses fundos já vão estar rendendo cerca de 11% ao ano”, diz.

Por que a Selic importa?

Criada em 1979, Selic é sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, e refere-se a à taxa de juros apurada nas operações de empréstimos de um dia entre as instituições financeiras que utilizam títulos públicos federais como garantia. É o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação, influenciando todas as taxas de juros do país.

Quando o Banco Central aumenta essa taxa, tem como objetivo desacelerar a economia para impedir a alta da inflação. Com isso, os juros cobrados nos financiamentos, empréstimos e cartão de crédito também sobem e as aplicações atreladas ao indicador passam a pagar mais.

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Já quando a autoridade monetária reduz a Selic, seu objetivo é aquecer a economia. Desta forma, tomar empréstimos fica mais barato, já que os juros cobrados ficam menores. O mesmo vale para as aplicações, que passam a pagar menos.

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