A Hypera Pharma (HYPE3) divulgou na última terça-feira (28) os resultados de seu balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Citi, Itaú BBA e BTG Pactual divulgaram suas considerações e expectativas frente os dados da companhia.
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A Hypera Pharma (HYPE3) divulgou na última terça-feira (28) os resultados de seu balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Citi, Itaú BBA e BTG Pactual divulgaram suas considerações e expectativas frente os dados da companhia.
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O Citi avaliou como razoáveis os resultados da Hypera no primeiro trimestre de 2026, destacando sinais operacionais positivos, embora com geração de caixa mais fraca do que a esperada.
Segundo o banco, o Ebitda veio ligeiramente acima de sua estimativa, em 3%, e ficou em linha com o que era esperado ao se desconsiderarem os incentivos fiscais da “lei do bem”. Já o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) ficou abaixo das estimativas do Citi.
Em relatório, os analistas Leandro Bastos e Renan Prata destacam como ponto positivo o avanço de 9,4% nas vendas, acima da projeção do Citi, de 7,5%, e superior ao crescimento do mercado, de 7,9%. O banco também apontou que o desconto permaneceu sob controle, com recuo de 2% ante o último ano, algo que o banco disse considerar “naturalmente tranquilizador”.
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As margens brutas ficaram em linha com as estimativas, enquanto as despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) vieram 2% abaixo do esperado, com a redução nos gastos com marketing e vendas (queda de 9% e alta de 3% ante o último ano) compensando a aceleração das despesas gerais e administrativas (alta de 14% ante o último ano).
Com isso, o Citi afirma que o Ebitda recorrente – excluídas outras receitas – superou em 3% suas estimativas, mas ficou em linha com o esperado após a exclusão de R$ 12 milhões em benefícios fiscais da “lei do bem”.
O Citi avalia que o lucro recorrente de R$ 298 milhões, excluídos juros capitalizados, foi apoiado também por impostos positivos. Para o FCFE, o banco estimou um resultado mais moderado, de R$ 34 milhões, indicando que um maior giro de capital compensou a desaceleração do capex, que caiu 34% ante o último ano.
O banco disse que não se surpreenderia em ver as ações em alta nesta quarta-feira, impulsionadas por melhora nas tendências de vendas e descontos controlados. Ainda assim, o banco ponderou que a geração de fluxo de caixa mais fraca do que o esperado pode limitar um desempenho “muito superior”.
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Ele também observa que o balanço mostrou uma sazonalidade negativa do capital de giro no primeiro trimestre, com vendas mais fracas em janeiro geralmente levando a deslocamento das reservas para fevereiro e março e, assim, “inflando artificialmente” os dias de recebíveis, que subiram 5 em relação ao trimestre anterior.
O Citi acrescentou que esses indicadores já devem convergir para a nova política de 60 dias a partir do segundo trimestre de 2026.
O Citi tem recomendação neutra/alto risco para as ações da Hypera, com preço-alvo de R$ 26, o que representa um potencial de valorização de 18,1% ante o fechamento do papel no pregão de ontem.
O Itaú BBA considera que a empresa apresentou receita mais forte do que o esperado no primeiro trimestre de 2026, mas o início mais fraco das margens e uma conversão menor em fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE, na sigla em inglês) contaminaram o resultado.
Segundo o banco, o crescimento de 9% nas vendas foi uma surpresa positiva, mas, apesar de o Ebitda ter vindo em linha com as suas projeções, a margem Ebitda reportada provavelmente ficou aquém do consenso, o que pode sinalizar pressão sobre a rentabilidade ao longo de 2026. O que modela uma margem Ebitda de 33,5% para 2026.
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No varejo farmacêutico, os analistas Vinicius Figueiredo,Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio destacam a aceleração do crescimento das vendas para 9,4% no primeiro trimestre de 2026, acima dos 7,4% no quarto trimestre de 2025.
O Itaú BBA também chama atenção para a dinâmica entre receita bruta e receita líquida: a receita bruta (líquida de devoluções e descontos incondicionais) aumentou 72% ante o último ano, enquanto a receita líquida subiu 87% no comparativo anual.
Para o banco, o avanço mais forte da receita líquida em relação à receita bruta reflete a redução de descontos promocionais. O crescimento reflete principalmente o impacto negativo nas vendas associado ao processo de otimização do capital de giro no primeiro trimestre de 2025, além do crescimento recente do mercado de varejo farmacêutico.
O Itaú BBA ressalta, ainda, que a empresa reportou margem bruta de 60,0%, aproximadamente em linha com as estimativas do banco, mas pondera que a margem do trimestre não incorporou o ajuste de preço da CMED para parte do portfólio, ocorrido em abril de 2026. O relatório acrescenta que o resultado também foi impactado por maior ociosidade devido a férias coletivas. O Ebitda foi de R$ 588 milhões, também em linha com as projeções do Itaú BBA, com margem de 29,1%.
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Do lado de despesas, o banco aponta que os gastos de marketing caíram 9% ante o último ano, por menores despesas com publicidade e promoção. Em sentido oposto, as despesas de vendas subiram 3% ante o último ano e as despesas gerais e administrativas aumentaram 14%, principalmente por despesas de tecnologia da informação. O banco afirma ainda que o aumento do lucro líquido pode ser atribuído a imposto de renda positivo.
Na sua avaliação, o mercado deve buscar confirmação de que o ritmo mais forte de vendas pode ser sustentado nos próximos meses, tema que, tende a ganhar destaque na teleconferência marcada para esta quarta-feira, antes de ajustar estimativas de receita em magnitude suficiente para compensar a margem mais fraca. Até lá, o banco vê tendências mistas de rentabilidade como limitadoras de uma reação mais positiva do mercado.
O banco calcula que a ação da Hypera é negocia com múltiplo de preço/lucro (P/L) de 11 vezes para 2026 e 9 vezes para 2027 e mantém recomendação de outperform (equivalente à compra).
O preço-alvo para o papel é de R$ 33, o que implica um potencial de valorização de 49,9% no comparativo com o fechamento anterior.
O BTG Pactual avaliou que a Hypera apresentou resultados operacionais amplamente em linha, com lucro líquido acima do esperado. A receita líquida somou R$ 2,0 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 87% em relação ao trimestre anterior, ainda refletindo uma base comparável fraca do primeiro trimestre de 2025 após a otimização de capital de giro.
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A margem bruta ficou em 60%, abaixo da estimativa do banco, e o lucro operacional totalizou R$ 587 milhões, também um pouco abaixo do projetado, com margem de 29,1%. Com despesas financeiras líquidas melhores do que o esperado e créditos tributários, o lucro líquido alcançou R$ 347 milhões, 15% acima das estimativas. O BTG destaca ainda R$ 185 milhões em juros sobre capital próprio do primeiro trimestre de 2026, com payout de 53% e yield de aproximadamente 1%.
No varejo, o sell-out (venda direta de um produto para o consumidor final, sem intermediários) cresceu 9,4% no trimestre ante o trimestre anterior, acima da expectativa do BTG e 1,5 ponto porcentual acima do crescimento das categorias em que a companhia atua. O desempenho foi puxado por gripe, gastro e cardio, com lançamentos recentes contribuindo com 2,6 pontos porcentuais, segundo o texto.
Os analistas Samuel Alves, Maria Resende e Marcel Zambello destacam geração positiva de caixa, com R$ 383 milhões de fluxo de caixa após capex, apoiada por menor investimento, que caiu 38% para R$ 138 milhões. Após despesas com juros de R$ 320 milhões, o fluxo de caixa ao acionista foi de R$ 63 milhões.
O ciclo de conversão de caixa aumentou para 188 dias, ante 167 dias no quarto trimestre de 2025, por concentração sazonal de vendas em fevereiro e março, segundo o relatório. Após o aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, a dívida líquida caiu para R$ 6,3 bilhões e a alavancagem recuou para 2,2 vezes dívida líquida sobre Ebitda dos últimos 12 meses.
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Apesar de atualizar estimativas, o BTG manteve recomendação neutra para a Hypera. O preço-alvo foi cortado de R$ 27 para R$ 26, 18,13% acima do último fechamento.
Em resposta aos resultados, as ações da Hypera tiveram a maior alta do Ibovespa na manhã desta quarta-feira, tendo um avanço de 5,13%. Às 13h, a cotação tinha alta de 3,86%.
Com informações do BroadCast
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