O Federal Reserve (Fed) manteve as taxas de juros americanas na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, pela terceira vez consecutiva. A decisão não foi unânime. O diretor Stephen Miran, que também foi dissidente na reunião de janeiro e março, votou pela redução dos juros em 25 pontos-base, após afirmar este mês que não vê motivos para pausar a flexibilização monetária mesmo com a guerra no Oriente Médio.
Os dirigentes Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram pela manutenção dos juros, mas não apoiaram, neste momento, a inclusão de um viés de flexibilização monetária no comunicado. “Nesse contexto, a decisão levou a um aumento da probabilidade implícita, na curva de juros, de manutenção das taxas por um tempo maior”, destaca Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, sinaliza que os mercados de juros futuros afastaram qualquer precificação de cortes para este ano. “Já as bolsas seguiram em queda após a decisão, consolidando e reforçando o movimento do início do pregão em meio a um ambiente de incerteza”, diz.
Após o fechamento do mercado, as atenções dos investidores se concentram na decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). A expectativa é que o Copom corte a Selic em 25 pontos-base para o patamar de 14,5% ao ano.
Na B3, o dia foi negativo para a Vale (VALE3), ação de maior peso na composição do Ibovespa, que fechou em queda de 5,87%. A mineradora divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2026, com lucro líquido atribuível aos acionistas de US$ 1,893 bilhão, avanço de 36% ante igual período de 2025. Os números dividiram as leituras do mercado financeiro entre a resiliência operacional e a pressão de custos, como mostramos nesta matéria.
Os papéis do Santander (SANB11), por sua vez, encerraram em baixa de 2,65%. O banco entregou lucro líquido gerencial, que desconsidera o ágio de aquisições, de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre, queda de 1,9% em relação ao registrado em igual período de 2025. Confira aqui a opinião de analistas sobre o resultado.
Em Nova York, S&P 500 e Dow Jones caíram 0,04% e 0,57%, respectivamente, enquanto Nasdaq subiu 0,04%. Já o dólar hoje fechou em alta de 0,39% a R$ 5,0018 no mercado doméstico. O euro caiu a US$ 1,1673, a libra recuou a US$ 1,3473 e a moeda norte-americana subiu a 160,4 ienes. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA com outras seis rivais globais, avançou 0,33% a 98,961 pontos.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram Braskem (BRKM5), Hypera (HYPE3) e Petrobras (PETR3).
Braskem (BRKM5): 5,55%, R$ 8,94
As ações da Braskem (BRKM5) tiveram a maior alta do Ibovespa hoje e dispararam 5,55% a R$ 8,94.
A BRKM5 está em baixa de 4,89% no mês. No ano, acumula uma valorização de 13,31%.
Hypera (HYPE3): 3,27%, R$ 22,73
Outro destaque positivo foi a Hypera (HYPE3), com valorização de 3,27% a R$ 22,73. A farmacêutica reportou lucro líquido de R$ 346,8 milhões no primeiro trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 141,1 milhões registrado um ano antes.
A HYPE3 está em baixa de 1,43% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 1,56%.
Petrobras (PETR3): 3,16%, R$ 54,47
Entre as maiores altas, a Petrobras (PETR3) subiu 3,16% a R$ 54,47, em linha com a valorização acima de 5% dos contratos de petróleo no exterior.
A PETR3 está em alta de 2,08% no mês. No ano, acumula uma valorização de 68,95%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Weg (WEGE3), Vale (VALE3) e Magazine Luiza (MGLU3).
Weg (WEGE3): -6,75%, R$ 44,1
As ações da Weg (WEGE3) registraram a maior queda do Ibovespa hoje e tombaram 6,75% a R$ 44,1. Os papéis foram pressionados pelo balanço do primeiro trimestre da empresa. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,457 bilhão no período, o que corresponde a uma queda de 5,7% na comparação com igual etapa do ano passado.
A WEGE3 está em baixa de 13,55% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 8,92%.
Vale (VALE3): -5,87%, R$ 79,44
Os ativos da Vale (VALE3) sofreram após o balanço e afundaram 5,87% a R$ 79,44, perdendo o piso de R$ 80 pela primeira vez em um mês.
A VALE3 está em baixa de 3,69% no mês. No ano, acumula uma valorização de 10,39%.
Magazine Luiza (MGLU3): -5,39%, R$ 8,08
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) completaram os destaques negativos do Ibovespa hoje e tombaram 5,39% a R$ 8,08.
A MGLU3 está em baixa de 7,02% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 8,8%.
*Com Estadão Conteúdo