A menor margem financeira e as provisões ainda elevadas para perdas com crédito serão, na avaliação do BTG, os principais detratores nos resultados da estatal. Isso porque a qualidade dos ativos segue como principal preocupação, especialmente no agronegócio, onde os créditos inadimplentes há mais de 90 dias continuam em deterioração.
“Embora um primeiro trimestre mais fraco já fosse esperado, acreditamos que a magnitude da queda sequencial no lucro e no retorno sobre o patrimônio (ROE , na sigla em inglês) em relação ao 4T25 pode surpreender negativamente”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
Somado a isso, o BTG cita que o CFO do Banco do Brasil, Marco Geovanne, já sinalizou ao mercado que 2026 ainda seria um ano de transição, com o primeiro semestre pressionado por provisões, mas com recuperação esperada para o segundo semestre. “O principal ponto de inflexão viria do pagamento das safras mais recentes, originadas sob critérios de concessão mais rígidos, com abril e maio sendo meses considerados críticos. No entanto, nossa impressão é que o 1T26 já ficou abaixo das expectativas iniciais”, acrescentaram o trio de analistas.
Dada a continuidade da deterioração das condições do agronegócio, o banco já adianta que os números do segundo trimestre devem decepcionar o mercado em função dos efeitos do conflito no Oriente Médio nos preços do diesel e dos fertilizantes. Com a alta dos custos, os produtores rurais terão mais um obstáculo na próxima safra, o que pode atrasar uma eventual recuperação ou até piorar o quadro financeiro do BB.
“Se o mercado reduzir em cerca de 20% a projeção de lucro deste ano para R$ 20 bilhões, a ação passaria a negociar a aproximadamente 7,3 vezes lucro, com dividend yield próximo de 4%, patamares que também não parecem particularmente atraentes pelos padrões históricos do banco”, destacou.
Por isso, o BTG orienta adotar uma postura cautelosa em relação ao Banco do Brasil (BBSA3) e mantém recomendação neutra para os papéis, com um preço-alvo de R$ 26. No setor, o Itaú (ITUB3) continua sendo a preferência do banco e o único papel a ter recomendação de compra.
Às 11h50 (de Brasília) nesta quinta-feira (16), os papéis do BB recuavam 1,27%, a R$ 24,09.