A pesquisa foi feita no começo desta semana, nos dias 27 e 28 de abril. Segundo o levantamento, 96,9% dos entrevistados esperam um corte de 25 pontos-base já nesta reunião, enquanto apenas 1,6% apostam na manutenção da taxa em 14,75% e outros 1,6% enxergam uma redução mais intensa, de 50 pontos-base.
O BTG explica que há uma “convergência quase unânime” para o corte nesta semana, mas destaca que o mercado continua vendo espaço para continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nos próximos meses. Para a reunião de junho, 76,6% dos participantes ainda projetam novo corte de 25 pontos-base, enquanto 17,2% já enxergam possibilidade de uma redução maior, de 50 pontos-base. Outros 6,3% esperam estabilidade.
A percepção predominante é de que o comunicado do BC indicará continuidade do ciclo de cortes “sem especificar magnitude”, deixando em aberto se a próxima redução será de 25 ou 50 pontos-base. Já 40,6% esperam uma comunicação “formalmente aberta”, mas com tom sugerindo que as opções mais prováveis seriam novo corte de 25 pontos-base ou uma pausa.
100% dos entrevistados veem piora na inflação
A pesquisa também mostra deterioração relevante das expectativas para a inflação. O próprio BTG destaca que a leitura dos participantes é “inequívoca”: 100% dos entrevistados avaliam que houve piora do cenário inflacionário desde a última reunião do Copom. Desse total, 71,9% enxergam uma piora moderada e 28,1%, uma piora significativa.
Essa percepção mais cautelosa aparece também no balanço de riscos. Para 81% dos participantes, os riscos para a inflação seguem assimétricos para cima – sendo 64,1% moderadamente assimétricos e 17,2% muito assimétricos. Apenas 14,1% consideram o cenário neutro.
30% acreditam que o BC reconhecerá riscos altos para a inflação
Apesar disso, a maior parte do mercado acredita que o Copom não deve alterar substancialmente a redação do balanço de riscos no comunicado desta quarta-feira (29). Segundo a pesquisa, 60,9% esperam manutenção da formulação atual, com apenas ajustes marginais de redação, sem explicitar uma assimetria maior. Ainda assim, 32,8% já veem chance de o BC reconhecer formalmente riscos mais elevados para a inflação.
No horizonte relevante para a política monetária, o quarto trimestre de 2027, as projeções de inflação ficaram concentradas entre 3,3% e 3,5%. A maior parte dos participantes (46,9%) espera projeção de 3,4% para o período.
Mesmo com expectativa de novos cortes no curto prazo, o levantamento indica que o mercado ainda vê juros elevados ao fim do ciclo. Para o encerramento de 2026, 95% dos entrevistados projetam Selic em 12,5% ou mais. A maior concentração está nas faixas entre 13% e 13,25% (34,9%), seguida por 12,5% a 12,75% (27%) e 13,5% a 13,75% (25,4%).
O BTG também destaca que os participantes enxergam piora do cenário externo para o processo de desinflação no Brasil. Para 78,2% dos entrevistados, o ambiente internacional se deteriorou desde a última reunião do Copom, sendo que 51,6% apontam piora moderada e 26,6%, piora significativa. Já em relação à atividade doméstica, 64,1% avaliam que não houve mudança relevante, embora parte ainda veja uma atividade mais pressionada do ponto de vista inflacionário.
No câmbio, a visão predominante é de estabilidade nos próximos meses. A maioria dos entrevistados (50,8%) espera o dólar oscilando entre R$ 4,95 e R$ 5,05 nos próximos três a seis meses.