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Mercado

Petróleo hoje dispara a US$ 108 com Ormuz fechado, Superquarta e tensão EUA-Irã

Commodity avança pelo terceiro dia com impasse geopolítico, enquanto saída dos Emirados da Opep adiciona incerteza

Por Igor Markevich

29/04/2026 | 9:48 Atualização: 29/04/2026 | 10:31

Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)
Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje avança com força nesta quarta-feira (29) e amplia a sequência de ganhos, sustentado pelo impasse entre Estados Unidos e Irã, que mantém fechado o Estreito de Ormuz e reforça o temor de restrição relevante na oferta global.

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Às 9h45 (de Brasília), o Brent para julho subia 3,90%, a US$ 108,47, enquanto o WTI para junho avançava 4,27%, a US$ 104,20. Ao longo da madrugada, os contratos já operavam em alta, mas ganharam tração após novas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, endurecendo o tom em relação a Teerã.

Declarações elevam tensão e sustentam rali

O movimento ganhou intensidade após Trump afirmar que o Irã “não consegue se acertar” e precisa “ficar esperto logo”, em mensagem que reforçou a percepção de que não há avanço nas negociações diplomáticas. A leitura predominante é de que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, deve seguir fechado no curto prazo.

Com isso, o mercado passa a precificar um choque de oferta mais prolongado. A alta já se estende pelo terceiro dia consecutivo, em um ambiente no qual qualquer sinal político tem impacto direto sobre os preços.

Opep e saída dos Emirados entram no radar

Em paralelo ao risco geopolítico, o mercado monitora os desdobramentos da saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e da aliança Opep+, prevista para entrar em vigor em 1º de maio.

A Rússia afirmou que respeita a decisão e espera manter a coordenação bilateral com Abu Dhabi no setor energético, minimizando riscos imediatos de desorganização da oferta. Ainda assim, a ruptura adiciona incerteza sobre o grau de coordenação futura entre grandes produtores.

Dados mais recentes da Opep indicam que a produção global cresceu 2,24 milhões de barris por dia em 2025, enquanto a demanda avançou 1,30 milhão de barris por dia, um quadro que sugere equilíbrio ainda sensível a choques de oferta, como o atual.

Petrobras avança no exterior e acompanha petróleo

No pré-mercado de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs, que permitem negociar ações estrangeiras em bolsa estadunidense) da Petrobras (PETR3; PETR4) operavam em alta, acompanhando o avanço da commodity. O equivalente às ações ordinárias subia 1,08%, a US$ 21,46, enquanto os papéis preferenciais avançavam 1,31%, a US$ 19,39.

O desempenho reflete a correlação direta com o petróleo, que voltou a operar acima de US$ 105 e sustenta expectativas de geração de caixa para a companhia em um cenário de preços elevados.

Superquarta testa limites da política monetária

A escalada da commodity adiciona pressão a um ambiente já sensível para os bancos centrais. A chamada superquarta concentra decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e do Comitê de Política Monetária (Copom), sob o impacto de uma inflação ainda pressionada pela energia.

O petróleo mais caro reforça o canal inflacionário e tende a limitar o espaço para cortes de juros, especialmente em economias emergentes.

Nesse contexto, o “ouro negro” permanece no centro das atenções, com a trajetória de preços ancorada ainda mais na evolução do conflito no Oriente Médio e na dinâmica entre grandes produtores.

Com informações do Broadcast

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