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Mercado

Dólar desaba e encosta em R$ 5. A moeda deve cair mais?

Moeda americana já caiu 12,87% desde que atingiu seu valor nominal recorde

Por Mateus Apud

03/06/2020 | 14:55 Atualização: 10/06/2020 | 15:49

Notas de dólar saindo da impressão em Washington: moeda americana se fortalece em meio à pandemia de coronavírus. (Andrew Harrer/ Bloomberg)
Notas de dólar saindo da impressão em Washington: moeda americana se fortalece em meio à pandemia de coronavírus. (Andrew Harrer/ Bloomberg)

Depois de atingir seu maior valor nominal na história no dia 14 de maio, sendo cotado a R$ 5,97, o dólar sofreu fortes oscilações nas últimas semanas e começou a mostrar sinais de alívio. Com desvalorização de 12,87%, a moeda norte-americana encerrou a terça-feira (2) em R$ 5,20.

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E nesta quarta-feira continua caindo. Às 12h10, a queda era de 3,44%, indo a R$ 5,02. O momento de fôlego representa a maior baixa diária desde 2018, quando perdeu mais de 5% em um único dia.

Segundo especialistas consultados pelo E-Investidor, a melhora no ambiente interno e externo explica o desempenho positivo do real nos últimos dias. Ainda que o cenário exterior esteja favorável e a tensão política no Brasil amenizada, o investidor monitora como esses fatores vão se comportar daqui para frente. Afinal, nos últimos 11 pregões, o dólar desvalorizou em nove deles.

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É consenso que a tendência agora é de queda. O ASA Bank é um dos que revisaram a perspectiva do câmbio para o fim do ano: a instituição reduziu sua projeção do dólar em relação ao real de R$ 6,50 para R$ 5,50. “Uma dinâmica bastante favorável da conta corrente, juntamente com a estabilização da saída de recursos na conta capital e do fluxo cambial, sugere que pressões sobre o BRL devem ser menos evidentes à frente”, diz o relatório do ASA.

Nessa toada, os especialistas explicam quais são os fatores que podem indicar continuidade na desvalorização da moeda americana.

Fatores locais

Para Cristiano Lima, superintendente de derivativos da Ágora Investimentos, os fatores locais que mais interferem na queda do dólar são o cenário político mais calmo e o plano de reabertura do comércio local. “Antes, a incerteza era de quando a economia ia abrir, mas agora já temos o plano para o estado de São Paulo”, diz. “Além disso, tínhamos a questão política fervendo, que agora se acalmou.”

Na visão de  Otávio Aidar, estrategista-chefe e gestor de moedas da Infinity Asset, o cenário político mais calmo é fundamental para estabilizar a moeda. “O ambiente em Brasília é importante, pois é ele que garante o alívio fiscal do País também.”

Fatores globais

Além da reabertura das economias, a corrida para a descoberta de uma vacina contra o coronavírus também tem influenciado no sobe e desce da moeda. “Isso é o que mais tem impulsionado a queda nos últimos dias”, diz Lima, da Ágora.

Isso significa que a desvalorização do dólar não é limitada apenas em relação ao real, e sim a todas as moedas emergentes. “Elas sofreram muito na crise e agora estão recuperando seu valor”, afirma Aidar, da Infinity Asset.

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Apesar da recuperação global,  Aidar ressalta que a recuperação do real em relação ao dólar ainda é maior do que as outras moedas emergentes. Segundo ele, isso acontece devido a melhora dos fatores locais, que antes eram o que faziam o real ser a moeda que mais tinha se desvalorizado no ano. “Como o real foi o que mais sofreu por estes fatores, agora ele é o que mais está se recuperando”, diz.

O que esperar do dólar daqui para frente?

Ao que tudo indica, o cenário político vai continuar calmo e não teremos uma segunda onda da doença. Assim, o dólar deve continuar com o mesmo comportamento dos últimos dias e continuar caindo, segundo os especialistas.

“Um dia ou outro pode até acontecer do dólar subir, mas não a longo prazo. Com a economia voltando e a política mais calma, a tendência é essa”, afirma Aidar, da Infinity Asset.

Lima também reforça que o cenário para o futuro do Brasil não está mais nebuloso como antes e se tudo continuar como está a moeda deve continuar se depreciando. “O dólar é muito volátil, mas no cenário atual eu não não vejo motivos para ela subir de novo”, diz o superintendente da Ágora Investimentos.

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