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Mercado

Com compra da Reserva, queremos vestir os clientes dos pés à cabeça, diz Arezzo

Aline Penna, diretora de RI do grupo, explica por que a compra da carioca Reserva é estratégica para a companhia

Por Thiago Lasco

28/10/2020 | 10:58 Atualização: 28/10/2020 | 13:21

Aline Penna, diretora de Relações com Investidores da Arezzo&Co (Crédito: Lu Prezia)
Aline Penna, diretora de Relações com Investidores da Arezzo&Co (Crédito: Lu Prezia)

O grupo Arezzo&Co, que reúne as marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans, anunciou na última sexta-feira (23) a compra da carioca Reserva. Pela marca fundada em 2004 pelos empresários Rony Meisler e Fernando Sigal, foi acertado o pagamento de R$ 715 milhões.

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A transação contempla os seis nomes do grupo: além da própria Reserva, também Reserva Mini, Oficina Reserva, Reserva Go, EVA e INK. Como resultado, o portfólio da Arezzo&Co passará a ter 13 marcas, consolidando a estratégia da companhia de se tornar uma house of brands. Além dos atuais calçados e bolsas, o grupo avançará no campo do vestuário masculino, feminino e infantil, o que permitirá uma ampliação em 3,5 vezes do mercado endereçável da companhia.

E esse não deve ser o único movimento do grupo. Após o fim da transação, a empresa criará um braço exclusivo de lifestyle, a AR&Co, sob a batuta de Rony Meisler, para cuidar de outras aquisições que sejam complementares a essa estratégia.

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Em entrevista ao E-Investidor, Aline Penna, diretora de estratégia, relações com investidores e M&A da Arezzo&Co, explicou o que cada uma das partes ganha com o negócio, quais serão as sinergias entre as marcas, onde estão as oportunidades de crescimento e como o grupo espera gerar mais valor para os acionistas.

E-Investidor – Por que surgiu o interesse na aquisição e como as negociações evoluíram?

Aline Penna – O Alexandre Birman [CEO da Arezzo] e o Rony Meisler [CEO da Reserva] já se conheciam há muito tempo. Neste ano, a Schutz [marca feminina do grupo Arezzo] e a Reserva fizeram parcerias para o Dia das Mães e o Dia dos Pais, em que uma marca se comunicou com a base de clientes da outra. Já existia um alinhamento e em junho começamos a discutir a transação em si.

Desde a compra da operação brasileira da [marca de streetwear norte-americana] Vans, em outubro do ano passado, o grupo Arezzo & Co. já buscava se consolidar como uma house of brands. Nós já tínhamos um market share muito alto no mercado de calçados e bolsas para as classes A e B, próximo de 30%, e no auge da pandemia chegamos em quase 55%, porque nossos competidores não estavam tão preparados para o digital.

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Leia também: Investimentos alternativos: está na hora de investir (literalmente) em bolsas?

Um caminho para crescer era ir para outros tipos de negócio, como o vestuário, em que a Vans já foi um primeiro passo. A parceria foi muito bem, integramos muito rápido, usamos nossa expertise de franchising para abrir as franquias da Vans. Após o auge da pandemia, nós nos sentimos mais confortáveis para alçar novos voos.

Nós já vínhamos pensando em expandir o mercado endereçável, pois em calçados nossa participação já era alta. Quando incluímos vestuários masculino, feminino e infantil, estamos falando em um mercado endereçável 3 vezes e meia maior. É um mercado fragmentado, com poucos players e nenhum líder no Brasil. Essa será uma ótima oportunidade de consolidar mercado em vários segmentos, não só na moda masculina básica. Esse negócio foi o veículo ideal para a gente marcar presença no vestuário, ganhar mais seis marcas e ficar com 13 no cardápio.

As duas marcas são muito consolidadas, mas com DNA bem diferente. Há algum tipo de sinergia possível entre Arezzo e Reserva?

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Vamos manter as duas marcas independentes. As próprias marcas do grupo Arezzo&Co. já são independentes entre si, ainda que compartilhando certas estruturas corporativas, como RH e finanças. Mas as clientes não sabem que Arezzo e Schutz são do mesmo dono, por exemplo. Com a Reserva, acreditamos que é importante manter a independência: ela vai continuar sediada no Rio de Janeiro, onde está boa parte das lojas delas, e os controladores vão continuar por pelo menos quatro anos. É uma relação de longo prazo que queremos construir.

Vamos importar muita coisa deles. Eles têm um cuidado muito grande com pessoas e com as questões ESG, com várias iniciativas nesse sentido. Por outro lado, já somos uma empresa de capital aberto com mais de 10 anos de Bolsa e poderemos exportar para eles muita coisa de gestão, de performance, de como medir resultados. A cada quatro meses eu tenho que ir lá reportar meus resultados. Será uma combinação muito boa.

A maior sinergia não será tanto de custos, de enxugar, demitir. Tem uma melhor negociação com shopping center, com taxas de cartão de crédito? Sim. Dá para fazer uma central de serviços compartilhados, eu economizo um pouco em financeiro, jurídico e fiscal? Dá. Mas a maior sinergia que a gente vê é de receita.

A expertise da Arezzo em calçados poderá ser aproveitada pela Reserva, que também vende calçados?

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Hoje, 12% do faturamento da Reserva vem de calçados. Mas, como eles não têm expertise nenhuma nisso, eles compravam de uma fábrica, que usava a marca e a Reserva só ganhava um fee, um royalty, por emprestar esse nome para a fábrica vender para o franqueado ou multimarcas. Só por eu internalizar isso, já que eu tenho todos os fornecedores, incentivo fiscal, tudo funcionando para calçados, eu consigo R$ 10 milhões de sinergia por ano.

Na parte da receita, além dos calçados, tem a Reserva Mini, marca infantil. A concorrência está muito enfraquecida aqui no Brasil. Antigamente as pessoas viajavam para encher a mala de roupa infantil. Com dólar alto e restrição às viagens, isso acabou. E no mercado doméstico sobram poucos players.

Talvez em alguns shoppings faça mais sentido ter megastores, que entreguem uma experiência para toda a família. Isso também está nos nossos planos.  Tem muita coisa no pipeline para fazer. Obviamente, temos que esperar o Cade aprovar a transação para começar a planejar a integração, mas vemos muita oportunidade.

Por falar nisso, vocês confiam que o Cade vai autorizar a transação?

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O Cade dá um prazo de 45 dias para voltar com a resposta. Acreditamos que não haverá problema, porque estamos falando de calçados femininos com roupas masculinas, em sua essência. Então esse é um rito pro forma. Uma vez aprovada a transação, já podemos inclusive consolidar o faturamento da Reserva de dezembro. Pegar Black Friday, Natal… o timing da transação é muito positivo.

No dia do anúncio da transação, as ações da Arezzo dispararam e, no início da tarde, o volume negociado já era equivalente ao de 8 dias. Como a transação poderá gerar mais valor aos acionistas?

Foi o terceiro volume diário mais alto da nossa história. A transação aumentará muito nosso mercado endereçável, então a geração de valor vem disso e da sinergia de receitas que comentei.

Além disso, nós estamos criando a AR&Co, uma plataforma em que o Rony será CEO, e que não será só Reserva. Poderemos fazer outras aquisições de vestuário – marcas complementares, de menor porte, que poderão acontecer no curto e médio prazo – sob a gestão e expertise do Rony e do time dele. E não necessariamente faremos movimentos apenas em vestuário. Estamos olhando alguns ativos em tecnologia, outras novidades que estão por vir e em breve contaremos.

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Demoramos dez anos para fazer um movimento estratégico mais forte. Agora estamos bem convictos que temos uma plataforma para escalar.

Para os consumidores das duas marcas, vai haver alguma mudança visível?

Não. Não gostamos de misturar muito as marcas. No caso da Reserva, a ideia é permanecer muito independente. O que podemos fazer é ativar as 10 milhões de clientes da nossa base com mensagens de Reserva. Há muita coisa para fazer com troca de bases, como fizemos antes. A Reserva falou para os clientes: “compre o presente de Dia das Mães na Schutz”. Vamos continuar com as ações cruzadas. Muitas compras de masculino são feitas pelas mulheres. Muitas clientes nossas já compram na Reserva, agora vamos maximizar isso.

Com as seis marcas da Reserva, o Grupo Arezzo&Co vai ficar com 13 marcas. O mercado de moda tem outros conglomerados, no Brasil e no exterior. Por que faz sentido para a Arezzo ampliar o portfólio de marcas?

Hoje, eu tenho uma plataforma de franchising que atende a todas as franquias das marcas do grupo e uma operação pronta para escalar. Trazer novas marcas ajuda a aumentar o mercado endereçável. A ideia é ser capaz de vender cada vez mais ocasiões para os clientes, dos pés à cabeça. É importante vender o look completo, a exemplo de marcas como Ralph Lauren que olham masculino e feminino e vendem o calçado, a roupa, o acessório.

Já somos a maior house of brands que olha para a classe AB e queremos aproveitar essa estrutura que já existe. Eu tenho um e-commerce muito bem estruturado e um grande estúdio para tirar fotos e produzir as peças. A ideia é ganhar escala com várias áreas de apoio que já estavam prontas para absorver mais volume. O grupo Arezzo&Co vai se tornar um grande conglomerado no Brasil.

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