O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor de serviços dos Estados Unidos caiu de 54,0 em março para 53,6 em abril, informou o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês). O resultado de abril frustrou a expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta a 54,2.
Já o PMI de serviços medido pela S&P Global avançou de 49,8 em março para 51 em abril. O resultado ficou abaixo da leitura preliminar, de 51,3, e também aquém da expectativa de analistas consultados pela FactSet, que previam alta a 52,1.
Os mercados financeiros mostraram um tom mais calmo nesta terça-feira (5), mesmo sem sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã. A dinamarquesa Maersk informou que um de seus navios atravessou o Estreito de Ormuz sob escolta das forças norte-americanas na segunda-feira (4). Ainda assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, evitou confirmar se o cessar-fogo segue em vigor.
Na Europa, as bolsas fecharam sem direção única. Com a temporada de balanços no radar, as ações da AB InBev, maior cervejaria do mundo, subiram mais de 9% em Bruxelas, enquanto os papéis do HSBC tombaram mais de 6% em Londres após lucro abaixo do esperado.
Já na Ásia-Pacífico, o banco central da Austrália (RBA) elevou a taxa básica de juros de 4,10% para 4,35% ao ano.
Petróleo recua, mas Oriente Médio ainda pressiona mercados
Os contratos do petróleo recuaram em correção técnica, após os fortes ganhos da véspera, impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio. O WTI para junho caiu 3,9%, a US$ 102,27 o barril, na Nymex, e o Brent para julho recuou 3,99%, a US$ 109,87, na ICE.
Bolsas de Nova York sobem com alívio do petróleo
Os índices de Wall Street fecharam em alta, recuperando-se após as perdas de ontem, e acompanharam o recuo do petróleo. Balanços corporativos seguiram no radar. O Dow Jones avançou 0,73%, o S&P 500 subiu 0,81% e o Nasdaq ganhou 1,03%.
As bolsas europeias, por sua vez, terminaram sem direção única, com investidores divididos entre a evolução das tensões no Oriente Médio e a temporada de resultados. A bolsa de Londres caiu 1,39%, a de Paris subiu 1,08% e a de Frankfurt avançou 1,67%.
Treasuries recuam, dólar anda de lado
Os rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano, recuaram após a alta da véspera, refletindo a queda do petróleo. O juro da T-note de 2 anos cedeu a 3,937%, a de 10 anos, a 4,419%, e o T-bond de 30 anos, a 4,986%.
O dólar hoje apresentou comportamento misto frente a pares fortes, com investidores atentos ao comportamento do petróleo e ao cenário geopolítico. O euro recuou a US$ 1,1698, a libra avançou a US$ 1,3544 e a divisa norte-americana teve alta a 157,91 ienes. O índice DXY – que compara o dólar com outras seis moedas globais – subiu 0,1%, a 98,444 pontos.
O que influenciou o Ibovespa hoje
O Ibovespa reagiu à temporada de balanços, com destaque para Ambev (ABEV3) e BB Seguridade (BBSE3), que anunciaram os resultados. Itaú, TIM Brasil (TIMS3), Copel (CPLE3), Prio (PRIO3), Iguatemi (IGTI11), RD Saúde (RADL3), C&A (CEAB3) e Tenda (TEND3) divulgam após o fechamento da bolsa de valores hoje.
A Ambev reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), leve alta de 0,3% na comparação anual, refletindo avanço operacional, parcialmente compensado por maior pressão no resultado financeiro. O resultado financeiro líquido, por sua vez, ficou negativo em R$ 1 bilhão no trimestre, piora de R$ 200 milhões em relação a igual período do ano anterior. Veja aqui os detalhes do balanço.
A BB Seguridade (BBSE3), por sua vez, registrou lucro líquido de R$ 2,219 bilhões no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 11,2% em relação a igual período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, houve queda de 2,9%.
No noticiário fiscal, o mercado repercutiu entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao programa Roda Viva, na qual ele descartou a necessidade de uma nova regra fiscal e afirmou que o modelo de meta de inflação pode ser aperfeiçoado, “mas sem mexer na meta de 3%”.
Durigan reiterou que a política monetária sofre pressão do impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e avaliou que a alta dos combustíveis está controlada no Brasil. Sobre o caso do Banco Master, afirmou que “cogitaria olhar para o BRB em caso de risco sistêmico”.
Divulgação da ata do Copom
Na ata publicada hoje, referente ao encontro da última quarta-feira (29) que definiu o corte na Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50% ao ano, o Copom repetiu que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, emendou.
O colegiado prevê alta de 4,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, espera alta de 3,5% para o IPCA, acima do centro da meta, de 3,0%.
*Com informações do Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet