No exterior, investidores acompanham discursos da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, e de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) Michelle Bowman e Michael Barr, além da divulgação dos índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços norte-americanos, tanto pela S&P Global quanto pelo ISM.
Os mercados financeiros mostram um tom mais calmo nesta terça-feira (5), mesmo sem sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã. A dinamarquesa Maersk informou que um de seus navios atravessou o Estreito de Ormuz sob escolta das forças norte-americanas na segunda-feira (4). Ainda assim, o presidente dos EUA, Donald Trump, evitou confirmar se o cessar-fogo segue em vigor.
Na Europa, os mercados são impulsionados também por balanços corporativos: as ações da AB InBev, maior cervejaria do mundo, subiam mais de 7% em Bruxelas, enquanto os papéis do HSBC caíam cerca de 6% em Londres após lucro abaixo do esperado.
Já na Ásia-Pacífico, o banco central da Austrália (RBA) elevou a taxa básica de juros de 4,10% para 4,35% ao ano.
Petróleo recua, mas Oriente Médio ainda pressiona mercados
Os contratos futuros de petróleo recuam em possível correção técnica, após os fortes ganhos da véspera, impulsionados pela escalada das tensões no Oriente Médio. As perdas tendem a ser limitadas, já que o cessar-fogo entre EUA e Irã permanece sob pressão. Às 8h00 (de Brasília), o WTI para junho caía 2,14%, a US$ 104,13, na Nymex, e o Brent para julho recuava 1,26%, a US$ 113,00, na ICE.
Bolsas de Nova York sobem com alívio do petróleo
Os futuros de Wall Street sobem, indicando tentativa de recuperação após as perdas de ontem, acompanhando o recuo do petróleo. Balanços corporativos seguem no radar. Às 8h, o Dow Jones avançava 0,25%, o S&P 500 subia 0,33% e o Nasdaq ganhava 0,57%.
As bolsas europeias, por sua vez, operam sem direção única, com investidores divididos entre a evolução das tensões no Oriente Médio e a temporada de resultados. No mesmo horário, Londres caía 0,97%, Paris subia 0,63% e Frankfurt avançava 1,09%.
As bolsas asiáticas fecharam sem direção única, em meio a feriados e cautela com o conflito no Oriente Médio. O Hang Seng caiu 0,76% em Hong Kong, enquanto o Taiex subiu 0,16% em Taiwan. O S&P/ASX 200 recuou 0,19% na Austrália, pressionado pela alta de juros. Já os mercados da China, Japão e Coreia do Sul permaneceram fechados por feriados.
Treasuries recuam, dólar anda de lado
Os rendimentos dos Treasuries, os títulos do Tesouro norte-americano, recuam levemente após a alta da véspera, refletindo a queda do petróleo e a expectativa por dados e falas de dirigentes do Fed, que manteve os juros inalterados na semana passada pela terceira reunião consecutiva. Às 8h, a T-note de 2 anos rendia 3,936%, a de 10 anos, 4,426%, e o T-bond de 30 anos, 5,011%.
O dólar hoje apresenta leve alta frente a pares fortes, com investidores atentos ao comportamento do petróleo e ao cenário geopolítico. Às 8h, o euro caía a US$ 1,169, a libra subia a US$ 1,354 e a divisa norte-americana avançava a 157,17 ienes. O índice DXY – que compara o dólar com outras seis moedas globais – subia 0,04%, a 98,51 pontos.
O que influencia o Ibovespa hoje
O Ibovespa hoje deve reagir à temporada de balanços, com destaque para Ambev (ABEV3) e BB Seguridade (BBSE3), que já anunciaram os resultados, e Itaú, TIM Brasil (TIMS3), Copel (CPLE3), Prio (PRIO3), Iguatemi (IGTI11), RD Saúde (RADL3), C&A (CEAB3) e Tenda (TEND3) após o fechamento da Bolsa de Valores hoje. No campo monetário, investidores buscam na ata do Copom mais detalhes sobre os efeitos inflacionários do choque do petróleo.
A Ambev reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), leve alta de 0,3% na comparação anual, refletindo avanço operacional, parcialmente compensado por maior pressão no resultado financeiro. O resultado financeiro líquido, por sua vez, ficou negativo em R$ 1 bilhão no trimestre, piora de R$ 200 milhões em relação a igual período do ano anterior. Veja aqui os detalhes do balanço.
No noticiário fiscal, o mercado repercute entrevista do ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao programa Roda Viva, na qual ele descartou a necessidade de uma nova regra fiscal e afirmou que o modelo de meta de inflação pode ser aperfeiçoado, “mas sem mexer na meta de 3%”.
Durigan reiterou que a política monetária sofre pressão do impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e avaliou que a alta dos combustíveis está controlada no Brasil. Sobre o caso do Banco Master, afirmou que “cogitaria olhar para o BRB em caso de risco sistêmico”.
Divulgação da ata do Copom
Na ata publicada hoje, referente ao encontro da última quarta-feira (29) que definiu o corte na Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50% ao ano, o Copom repetiu que a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, emendou.
O colegiado prevê alta de 4,6% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, atual horizonte relevante da política monetária, espera alta de 3,5% para o IPCA, acima do centro da meta, de 3,0%.
Agenda econômica desta terça-feira (4)
| Horário |
País |
Tipo |
Evento / Indicador |
| 05h00 |
Brasil |
Indicador |
Fipe: IPC (abril) |
| 08h00 |
Brasil |
Indicador |
BC: Ata do Copom |
| 08h00 |
Brasil |
Indicador |
FGV: IPC-S Capitais (abril) |
| Antes da abertura |
Brasil |
Evento |
Ambev divulga balanço 1T26 |
| 11h00 |
Brasil |
Evento |
Tesouro: leilão de LFT e NTN-B |
| 11h30 |
Brasil |
Evento |
BC: swap cambial |
| 12h00 |
Brasil |
Evento |
BC: operações compromissadas |
| 12h30 |
Brasil |
Evento |
Teleconferência da Ambev |
| Após fechamento |
Brasil |
Evento |
Itaú divulga balanço 1T26 |
| 01h30 |
Austrália |
Indicador |
RBA: decisão de política monetária |
| 09h30 |
Alemanha |
Evento |
Christine Lagarde participa de conferência |
| 09h30 |
EUA |
Indicador |
Balança comercial (março) |
| 10h45 |
EUA |
Indicador |
PMI composto (final) |
| 10h45 |
EUA |
Indicador |
PMI de serviços (final) |
| 11h00 |
EUA |
Indicador |
ISM PMI Serviços |
| 11h00 |
EUA |
Indicador |
Relatório Jolts |
| 11h00 |
EUA |
Indicador |
Vendas de moradias novas |
| 11h00 |
EUA |
Evento |
Michelle Bowman participa de simpósio |
| 12h40 |
Alemanha |
Evento |
Philip Lane participa de conferência |
| 13h30 |
Reino Unido |
Evento |
Michael Barr participa de evento |
| 22h45 |
China |
Indicador |
PMI composto |
| 22h45 |
China |
Indicador |
PMI serviços |
| – |
Ásia |
Evento |
Feriados (China, Coreia do Sul e Japão) |
Fonte: Broadcast, Dow Jones Newswires e FactSet