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Mercado

Ibovespa sobe 20% em 2024 “se governo não atrapalhar”, diz Legacy Capital

Felipe Guerra, CIO da gestora, falou com exclusividade ao E-Investidor

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

05/04/2024 | 10:03 Atualização: 06/04/2024 | 9:19

Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital (Foto: Legacy Capital/Divulgação)
Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital (Foto: Legacy Capital/Divulgação)

O Ibovespa (IBOV) pode subir 20% até o fim de 2024, estima Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, em entrevista exclusiva ao E-Investidor nos bastidores do Brazil Investment Forum, evento realizado pelo Bradesco BBI nesta primeira semana de abril. “Se o governo não atrapalhar nos setores principais, a Bolsa tem o potencial de subir cerca de 20%”, disse o executivo.

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No entanto, ele se resguarda da expectativa: “Vale lembrar que esse crescimento de 20% serve apenas como uma estimativa. É difícil cravar um número concreto para a alta do Ibovespa em 2024.”

Segundo o gestor, as ações brasileiras encerraram 2023 com um valor de negociação e com múltiplos elevados. Todavia, após a queda de 4,5% do primeiro trimestre, a Bolsa brasileira passou a se mostrar descontada e hoje ela está sendo negociada a múltiplos atrativos.

  • Leia mais: Estes são os melhores e os piores investimentos do 1º trimestre de 2024

Guerra usa os títulos indexados à inflação que pagam juros reais para fazer um comparativo com os preços das ações. Segundo ele, quando os títulos pagam a taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais prêmio entre 5% e 6% ao ano, o múltiplo preço sobre lucro (P/L) das ações brasileiras operam na casa de 18 vezes. “No entanto, quando o investidor olha para a Bolsa, as ações estão sendo negociadas em 10 vezes ou 11 vezes na métrica preço sobre lucro. Ou seja, só pelo efeito dos juros, os papéis domésticos já deveriam estar 50% mais altos”, diz Guerra.

Gatilhos de alta da Bolsa

Segundo ele, a Bolsa possui vários gatilhos de alta. O primeiro fica com a taxa básica de juros da economia, a Selic, em um patamar de um único dígito, por volta de 9% ao ano – o mesmo nível da maioria das previsões do mercado para o fim de 2024. O segundo está no início do corte de juros pelo banco central americano, o Federal Reserve (Fed). O terceiro possível gatilho diz respeito à alta das commodities, um dos setores de maior peso na Bolsa.

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“A gente tem dúvidas de qual gatilho deve impulsionar a Bolsa primeiro. No entanto, o cenário a médio e longo prazos é positivo. A Bolsa está em um preço barato e em uma dinâmica de fundamentos boa, porque o País está crescendo e os juros estão caindo com uma dinâmica de inflação positiva”, argumenta o CIO da Legacy Capital.

Por outro lado, Guerra não nega que o mercado vem passando por uma forte volatilidade nas últimas semanas após incertezas sobre o início do corte de juros nos EUA. Segundo o executivo, há uma precificação de juros no mercado internacional “bastante violenta”. “O mercado chegou a estimar quase sete cortes nos EUA. Na semana passada, a estimativa chegou a apenas dois cortes pelo Fed. Essa volatilidade nos juros gera uma pressão no mercado de ações. E o investidor deve encontrar essa volatilidade no curto prazo nos ativos de risco”, comenta.

O início do corte de juros pelo Federal Reserve tem sido a grande pauta do mercado financeiro. A própria queda acumulada do Ibovespa no primeiro trimestre de 2024  reflete essa discussão.

Quando os juros dos EUA vão cair?

Em dezembro de 2023, o mercado estimava um corte dos Fed Funds (nome dado à taxa básica de juros dos EUA) já em março de 2024. No entanto, essa estimativa não se confirmou e o mercado se frustrou, causando volatilidade e recuo do principal índice da Bolsa. Agora, com a possibilidade de uma nova postergação de corte de juros pela autoridade monetária americana, o mercado se viu violento novamente nas últimas semanas.

Segundo o CME FedWatch Tool, uma ferramenta que monitora a expectativa do mercado para o corte de juros nos EUA, o receio do Fed manter as atuais taxas – atualmente entre 5,25% e 5,5% ao ano – na reunião de junho chegou à marca de 45% dos analistas em 18 de março, contra 50% que estimavam o início da redução na reunião do colegiado em junho.

  • Leia mais: Ações do setor de saúde encaram desafios e mercado escolhe as preferidas

Todavia, o próprio presidente do Fed, Jerome Powell, veio a público na quarta-feira (3) para acalmar os ânimos do mercado. Ele disse que os dados recentes de emprego e inflação estão acima do esperado, mas que os números ainda não alteram “substancialmente o quadro geral”. “Os EUA continuam com um mercado de trabalho forte, mas em reequilíbrio, e a inflação se aproximando de 2% em um caminho às vezes acidentado”, afirma Powell.

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Após as falas, o mercado ficou animado novamente e cerca de 61,8% dos analistas passaram a precificar o início do corte de juros pelo Fed na reunião de 12 de junho, segundo dados do CME FedWatch Tool.

Porém, as apostas para os juros americanos num horizonte mais longo, ao fim de 2024, se mostram mais divididas. Segundo a plataforma, 34,7% estimam que as taxas devem encerrar o ano entre 4,5% e 4,75%. Já 27% dos analistas apontam para a faixa de 4,75% a 5%, enquanto 21,3% deles esperam entre 4,25% e 4,5% ao ano.

Fórmula mágica para a renda variável

Mesmo com essa indefinição do mercado de quanto será o corte na economia americana, Felipe Guerra diz acreditar que 2024 será o ano em que os países desenvolvidos vão reduzir juros, o que tende a impulsionar os ativos de risco no Brasil. “Isso vai permitir que o Banco Central brasileiro corte os juros ainda mais do que está precificado hoje no mercado. As curvas de juros futuros de hoje apontam para uma Selic de 9,75% ao ano no final de 2024. Acho que podem chegar a 9% ao ano tranquilamente”, argumenta o CIO da Legacy Capital.

Segundo ele, “não existe uma fórmula mágica” para a renda variável. Ele comenta que, à medida que a rentabilidade do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – principal parâmetro de rendimento dos investimentos – cair, será natural que o investidor comece a adicionar riscos na carteira. “Após a taxa de juros recuar para um dígito, a Bolsa funcionará muito bem. Portanto, ào evoluímos no ciclo, as participações destes ativos aumentarão”, projeta Guerra.

Oportunidades de investimentos na Bolsa

Em meio a esse cenário global, Guerra comenta que as empresas do setor petrolífero podem funcionar como boas alternativas para o investidor, principalmente devido às tensões geopolíticas, como a guerra entre Israel e o Hamas e a disputa armada entre Rússia e Ucrânia. “Por causa desses conflitos, a gente acredita que o petróleo pode chegar entre US$ 90 e US$ 100 o barril, o que seria muito benéfico para as empresas desse setor”, diz.

Questionado sobre o minério de ferro e empresas como a Vale (VALE3), Guerra explica que a commodity teve queda expressiva no último ano e a ação da mineradora brasileira recuou junto. Assim, após este momento, “o papel da Vale negocia a um preço justo”.

  • Vale, Usiminas ou CSN: quem pagará mais dividendos?

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