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Mercado

Como o PIB negativo e a recessão técnica impactam os investimentos

Estratégia deve seguir a mesma focada em cautela e diversificação

Com PIB pela segunda vez no vermelho, Brasil entra em recessão técnica Foto: Envato Elements
  • O PIB no vermelho chama a atenção dos investidores para o impacto nos ativos. A menor produção afeta diferentes setores, além de impactar a participação de estrangeiros no País
  • No terceiro trimestre de 2021, a instabilidade política e fiscal foram protagonistas da queda do mercado. Movimento que contribuiu para o crescimento da inflação e da taxa básica de juros

(Daniel Rocha, Elaine Ortiz, Isaac de Oliveira, João Paulo dos Santos e Rebeca Soares) – Nesta quinta-feira (2), o IBGE divulgou o Produto Interno Bruno (PIB) do terceiro trimestre de 2021. Pela segunda vez consecutiva no negativo, a produção nacional recuou 0,1% em relação ao período anterior. O setor Agro puxou a queda, despencando 8% com o mesmo comparativo, enquanto o segmento de serviços chegou a crescer 1,1%.

O PIB no vermelho chama a atenção dos investidores para o impacto nos ativos. A menor produção afeta diferentes setores, além de impactar a participação de estrangeiros no País. Mesmo com a notícia negativa, o Ibovespa registrou alta de 1,40% durante a manhã desta quinta.

Enquanto o comparativo com o semestre anterior foi negativo, a taxa do 3T21 foi 4% maior que o 3T20. Segundo especialistas, a variação positiva em relação ao ano passado não foi surpresa, já que o País enfrentava o auge da crise da pandemia.

No terceiro trimestre de 2021, a instabilidade política e fiscal foram protagonistas da queda do mercado. Movimento que contribuiu para o crescimento da inflação e da taxa básica de juros, que devem fechar o ano em 10,15% (IPCA) e 9,25% (Selic) segundo o Boletim Focus.

Ainda de acordo com o Focus divulgado segunda-feira (29), a expectativa é de que o ano encerre com um PIB 4,78% maior que o ano anterior. Por outro lado, a projeção para 2022 é uma alta de apenas 0,58%.

Olhando para os investimentos, mesmo com a economia entre em recessão técnica, a inflação alta, tombo agrícola e escassez de produtos, a estratégia deve seguir a mesma focada em cautela e diversificação, como explica Rachel de Sá, chefe de economia da Rico.

Confira o que os especialistas destacam:

Ariane Benedito, economista da CM Capital

“Do lado da oferta, o destaque foi o grupo de agropecuária, especialmente porque o setor registrou um dos maiores resultados positivos no primeiro trimestre do ano. Quando olhamos ativos relacionados aos setores negativos, indústrias e agropecuária, ações de empresas podem sofrer no próximo balanço.

Do lado da demanda, o consumo das famílias ganham destaque positivo, mostrando que a reabertura da economia pós-pandemia e com a continuidade da vacinação, as famílias tendem a consumir mais, isso aqueceu o setor e conseguiu dar adição para o PIB.

Quando trazemos para o setorial, considerando os componentes que apresentaram queda ou o crescimento nulo, ou seja, agro e indústria, passamos a olhar ativos relacionados a esses segmentos. Empresas do setor alimentício, principalmente na produção de café, soja e milho podem apresentar frustração nas próximas medições de balanços. Isso pode afetar o preço das ações dessas empresas.

Para a nossa carteira recomendada de dezembro representamos a nossa avaliação do PIB, uma posição positiva para serviços e negativa, mas com chances de oportunidade para o investidor, em agro e indústria.

A cereja do bolo é a alavancagem e a proteção da carteira. Então, neste momento, com uma atividade desacelerada, o mercado de ações abre oportunidade para que o investidor compre ações que tenham grande probabilidade de se restabelecer e apresentando resultados sólidos no longo prazo, ganhando em juros sobre capital, dividendos e tenham a oportunidade de fazer a proteção dessa carteira de renda variável com ativos de inflação e juros que no momento apresentam projeções de alta.”

Gustavo Bertotti, head de renda variável da Messem Investimentos

“O resultado do PIB, classificado como ‘estável’, é consequência de uma conjunção de três fatores: inflação e desaceleração da economia global, incertezas geradas pela política fiscal brasileira e a antecipação do quadro eleitoral. Lembrando que o setor mais impactado pela queda do PIB foi a agropecuária, afetada por fatores sazonais e climáticos.

O resultado do PIB indica que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) deve manter a alta da Selic em 1,5 pontos, ou seja, continuará na sua política contracionista o que deve afetar os resultados do PIB no começo de 2022.

Dentro deste cenário, quem deve se beneficiar é o setor da construção, já que há uma tendência de queda nos juros futuros. Com juros menores no futuro, a atividade do setor deve apresentar uma retomada maior”.

João Beck, economista e sócio da BRA

“O impacto da alta da Selic, principalmente após a aceleração dessa taxa, deve impactar a economia ainda mais nos próximos trimestres. O aumento da Selic não tem efeito imediato, algo que se observa na atividade após um semestre.

Analisando o contexto, contratamos uma recessão com elevação aguda da taxa de juros para convergência da inflação para a meta. A recessão do ano passado seria muito pior, não fosse o pacote de estímulos dado às populações mais necessitadas. Parte desse gap do ano anterior (diferença da recessão potencial e da observada) está sendo incorporado na conta do PIB corrente. Ou seja, ainda não acabamos de pagar os estragos da pandemia.”

Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura

“Ainda não voltamos ao patamar pré-pandemia. Não foi um resultado bom, ficou aquém do que era esperado pelo mercado.

Entre os destaques de contribuição negativa, a indústria de transformação caiu. O principal fator para essa queda foi um problema global de fornecimento de insumos para a indústria. A produção e distribuição de eletricidade, gás e água também caíram, com a crise hídrica trazendo os impactos negativos. O setor agropecuário também caiu bem forte e afetou bastante o PIB.

Pensando em investimentos, o resultado afeta de forma negativa, porque a taxa de crescimento das empresas tende a acompanhar a taxa de crescimento da economia. E quando tem uma queda, isso dá um impacto negativo porque as empresas terão menores oportunidades de crescer e o valor das ações dessas empresas cai.

Isso afeta principalmente as empresas cíclicas, que são aquelas com maior relação com a economia, com o consumo, como o setor de varejo e o imobiliário. De certa forma, os bancos também, devido ao risco de aumento da inadimplência.”

Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos

“Com o crescimento menor, é esperado que os lucros das empresas listadas na B3 sejam menores e, por consequência, o potencial de ganho de investimento no mercado acionário brasileiro diminua.

Por outro lado, um crescimento menor deve pressionar menos a inflação futura. Isso pode fazer com que o Banco Central não se sinta tão obrigado em aumentar os juros, o que pode ser um pouco atrativo em segundo momento para ativos pré-fixados. Resumindo, olhando para investimentos, é ruim para bolsa e talvez positivo para ativos pré-fixados desde que a inflação dê sinais de desaceleração.”

Rachel de Sá, chefe de economia da Rico

“O resultado veio um pouco abaixo do que a nossa expectativa, que era de estabilidade no crescimento; aquele velho “em cima do muro”. Isso porque acreditávamos que a performance positiva do setor de serviços compensaria a queda esperada na nossa produção industrial e agropecuária.

A surpresa veio em uma queda mais forte no setor de produção agropecuária, que despencou 8% no período, especialmente por conta da quebra de safras agrícolas, como do milho, cana de açúcar, algodão e café, e da fraqueza da pecuária (destaque para produção de gado).

Para o investidor, especialmente pessoa física, essa queda não deve ter grandes impactos na estratégia de investimentos, nem nos mercados brasileiros. Não porque os movimentos da economia medidos pelo PIB não tenham impacto nas ações de empresas listadas na bolsa ou no mercado de renda fixa e outros ativos financeiros, mas principalmente porque a divulgação do resultado é muito mais um olhar no retrovisor.

Assim, o cenário indicado para os investimentos nesse momento segue o mesmo: bastante cautela por conta de incertezas no palco político-fiscal doméstico e internacionais (variante Ômicron, alta de juros esperada nos Estados Unidos), atenção aos juros em elevação e diversificação entre classes de ativos e geografias.”

Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos

“Podemos avaliar que o PIB é uma foto do passado e, tendo em vista a conjuntura bastante volátil que vivemos atualmente, o impacto nos investimentos deve ser mínimo. Hoje especialmente com a divulgação do PIB do terceiro trimestre, temos também a reavaliação da PEC dos Precatórios e do MP Auxilio Brasil, o que diz respeito ao fiscal, que é o principal risco que acompanhamos no noticiário para a conjuntura local.

Vimos os juros abrindo bastante em função do risco fiscal, descolamento das expectativas de inflação para anos posteriores, além de 2022. Isso tudo acaba preocupando muito mais o mercado do que o PIB do terceiro trimestre, que apesar de ter decepcionado um pouco as expectativas, vem bem em linha com o que o mercado já esperava.

De qualquer forma, o PIB sem grandes desvios do que o mercado esperava não tende a fazer muito preço. Até olhando para o mercado internacional estamos em uma situação mais delicada: variante ômicron no radar, FED avaliando uma aceleração no ritmo de normalização da política monetária, diversos assuntos, um cenário bastante dinâmico que impede que uma leitura de PIB com um desvio tão pequeno faça preço.

Um PIB fraco pede ativos mais defensivos, especialmente com uma derrocada muito grande nas projeções de PIB somada com a alta nas projeções de juros e de inflação. Acho que isso sim é o que promove essa maior cautela. Mesmo com o PIB sendo um dado importante, ele serve mais para calibrar a expectativa do mercado com o que está por vir, confirmar projeções, que é o que basicamente aconteceu, do que avaliar o dado e tomar decisões só por ele em si.”

Vinícius Buriche, analista da Inside Research

“Acreditamos que a recessão do terceiro trimestre teve um fator não recorrente forte. Devido a maior seca em 91 anos, juntamente com geadas, o agronegócio teve o seu ciclo produtivo de fortemente impactado no trimestre.

O ciclo de alta dos juros também pode ter afetado o produto, já que o Banco Central aumentou o ritmo do aperto monetário, fator que naturalmente retrai a demanda por crédito e desincentiva o consumo.

A evolução do PIB permanece acima do esperado pelo Boletim Focus, em 5,7% nos últimos 12 meses, com as expectativas divulgadas na última segunda-feira do produto fechar o ano em 4,78%.

Dessa forma, não acreditamos que a divulgação do PIB nesta manhã deva preocupar os investidores, pelo contrário. Acreditamos que alguns ruídos de curto prazo, que costumam dar tom negativo para a bolsa, possam trazer oportunidades para que os investidores façam bons negócios, comprando ativos descontados.”

Guilherme Cadonhotto, estrategista da Spiti

“Quando falamos em recessão, entendemos que a atividade econômica no país está sendo negativa. Ou seja, trimestre a trimestre estamos produzindo e consumindo cada vez menos bens e serviços em território brasileiro.

Desse ponto de vista, os principais ativos impactados com essa queda na atividade econômica são aqueles ligados à economia real. Se olharmos as últimas semanas e meses, vamos ver que esses já são os ativos mais impactados. Ou seja, o mercado já vem prevendo essa queda na atividade e consequentemente esses ativos já vem sofrendo mais nas últimas semanas.

Ativos de renda fixa estão entres os que podem ser indiretamente impactados pela atividade mais fraca, porque quando temos uma recessão, o mercado começa a entender que um ciclo de alta de juros como que estava prevendo anteriormente talvez não seja necessário. Não é por acaso que hoje nós estamos observando os juros no Brasil, principalmente os de curto prazo caindo.

Em relação ao câmbio, quanto menos o Brasil cresce com relação ao restante do mundo, mais fraca tende ficar a nossa moeda. Portanto, tende a acontecer o fortalecimento do dólar em detrimento do real.”

Leonardo Milane, sócio e economista da VLGI

“O PIB veio pouco pior do que o esperado, confirmando as estimativas de boa parte dos economistas de mercado de que a economia no ano que vem vai desacelerar bastante. Inclusive, está condizente com alguns indicadores que saíram de quarta para quinta. Saiu o PMI [Índice de Gerentes de Compras] industrial no Brasil, saiu também o índice de confiança do empresário, calculado pela FGV. Os dois vieram pior do que o esperado, voltando para as mínimas do começo do ano.

Tudo isso está relacionado à menor expectativa dos agentes econômicos quanto ao PIB negativo. Há menos confiança por conta da inflação alta, dos juros altos e da questão do FED (banco central dos EUA, na sigla em inglês) retirando estímulos. Ainda é considerada a incerteza com a nova variante do covid. Se tudo isso gera menos confiança do agente econômico, consequentemente a produtividade cai.

Em relação à mudança de estratégia nos investimentos, nós já estávamos mais cautelosos por conta de vários indicadores, antecedentes ao PIB que já mostraram essa desaceleração.

Estamos alocando mais em renda fixa e posições dolarizadas há alguns meses. Esse dado só está corroborando com o cenário que já vínhamos observando, não é uma novidade ver o PIB desacelerando.

Se a pessoa está muito posicionada em Bolsa e não tem ativos globalizados, com certeza esse dado deve fazer com que ela precise reavaliar a estratégia.”

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