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Petróleo dispara com guerra no Oriente Médio e movimenta a B3: veja quem ganha e quem perde

Escalada do conflito chega a levar barril perto dos US$ 120, impulsiona petroleiras no mercado e pressiona setores como varejo e companhias aéreas

Por Daniel Rocha

09/03/2026 | 17:35 Atualização: 10/03/2026 | 10:23

O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz.  (Imagem: Adobe Stock)
O petróleo dispara com a guerra entre EUA, Israel e Irã e a paralisação do Estreito de Ormuz. (Imagem: Adobe Stock)

O preço do petróleo recua nesta terça-feira (10) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra contra o Irã pode acabar em breve. O republicano revelou que ainda pensa em tomar o Estreito de Ormuz para controlar a passagem de navios na região. As declarações desencadearam fortes correções nos preços da commodity, que chegaram a ser negociados próximo dos US$ 120 ao longo das negociações de ontem.

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Por volta das 9h (de Brasília) desta terça-feira, os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 6,99%, a US$ 92,13, enquanto os futuros de WTI cediam cerca de 5,86%, a US$ 89,23. Apesar da queda nas primeiras horas do pregão, o petróleo ainda acumula ganhos de até 40% nos últimos 30 dias, refletindo a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O movimento, embora tenha elevado o prêmio de risco global, tem sido positivo para as petroleiras brasileiras. Isso porque a alta do petróleo tende a beneficiar os resultados financeiros do setor nos próximos trimestres, especialmente se os conflitos se prolonguem nas próximas semanas.

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Segundo Ricardo França, analista da Ágora Investidores, as petroleiras de menor porte, como Prio, Brava Energia e PetroReconcavo, costumam capturar de forma mais direta a valorização do petróleo no mercado internacional. Já a Petrobras enfrentará o dilema de repassar ou não a alta da commodity ao consumidor em ano de eleição.

“Naturalmente, se os preços do petróleo perdurarem nesses patamares, a estatal vai ter que repassar o preço ao consumidor. Por enquanto, trata-se de um choque de preços. A extensão da guerra irá trazer informações ao mercado até onde o petróleo pode subir e, consequentemente, os benefícios para a empresa”, ressalta França.

Na segunda-feira (10), Trump negou o desfecho do conflito, mas afirmou que a invasão realizada no Irã foi “um sucesso” e que o exército americano destruiu o poderio militar iraniano. Embora afirme que a guerra esteja perto de estar concluída, sem dar uma previsão exata, o republicano reforçou que a ofensiva continuará “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”. A incerteza mantém o mercado em alerta, além de sinalizar que o recuo recente do petróleo pode ser apenas um movimento pontual e não o fim dos riscos de interrupções na oferta global da commodity.

“Além do fechamento do estreito de Ormuz, que diminui a oferta de petróleo global e cria uma pressão altista nos preços, vemos o Irã disposto a danificar a capacidade produtiva dos países vizinhos. A recuperação desses dano demora e exerce uma pressão altista no preço do produto que perdura até a redução de oferta ser compensada”, Caio Borges, analista da Eleven Financial.

Setores que sofrem com a disparada do petróleo

A realidade, por outro lado, tende a ser menos favorável para as empresas ligadas ao varejo. Além de aumentar a volatilidade dos mercados, analistas avaliam que o petróleo sendo negociado acima dos US$ 100 deve elevar a inflação a nível global. Esse movimento também teria impacto sobre a política monetária das principais economias, incluindo a do Brasil. Até o momento, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), dê início ao ciclo de corte de juros no Brasil na próxima semana. A dúvida, no entanto, está na magnitude desse corte.

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Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9), a mediana para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.

“As ações com elevado grau de alavancagem se prejudicariam com esse cenário, uma vez que a alta do petróleo influencia na alta dos juros e na inflação”, diz João Abdouni, analista da Levante inside corp.

O mesmo pode acontecer com o setor aéreo. Além da alta do preço do combustível, os conflitos fortalecem o dólar, elevando ainda mais os custos das companhias. Segundo Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, no setor aéreo, o querosene de aviação (QAV) costuma representar entre 30% e 40% da estrutura total de custos.

“No Brasil, porém, essa proporção pode se aproximar ou até ultrapassar esse nível em determinados períodos, especialmente quando o real se desvaloriza. Isso acontece porque o combustível é precificado em dólar, enquanto grande parte das receitas das companhias é gerada em reais”, destaca Corano.

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