Por volta das 9h (de Brasília) desta terça-feira, os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 6,99%, a US$ 92,13, enquanto os futuros de WTI cediam cerca de 5,86%, a US$ 89,23. Apesar da queda nas primeiras horas do pregão, o petróleo ainda acumula ganhos de até 40% nos últimos 30 dias, refletindo a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O movimento, embora tenha elevado o prêmio de risco global, tem sido positivo para as petroleiras brasileiras. Isso porque a alta do petróleo tende a beneficiar os resultados financeiros do setor nos próximos trimestres, especialmente se os conflitos se prolonguem nas próximas semanas.
Segundo Ricardo França, analista da Ágora Investidores, as petroleiras de menor porte, como Prio, Brava Energia e PetroReconcavo, costumam capturar de forma mais direta a valorização do petróleo no mercado internacional. Já a Petrobras enfrentará o dilema de repassar ou não a alta da commodity ao consumidor em ano de eleição.
“Naturalmente, se os preços do petróleo perdurarem nesses patamares, a estatal vai ter que repassar o preço ao consumidor. Por enquanto, trata-se de um choque de preços. A extensão da guerra irá trazer informações ao mercado até onde o petróleo pode subir e, consequentemente, os benefícios para a empresa”, ressalta França.
Na segunda-feira (10), Trump negou o desfecho do conflito, mas afirmou que a invasão realizada no Irã foi “um sucesso” e que o exército americano destruiu o poderio militar iraniano. Embora afirme que a guerra esteja perto de estar concluída, sem dar uma previsão exata, o republicano reforçou que a ofensiva continuará “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”. A incerteza mantém o mercado em alerta, além de sinalizar que o recuo recente do petróleo pode ser apenas um movimento pontual e não o fim dos riscos de interrupções na oferta global da commodity.
“Além do fechamento do estreito de Ormuz, que diminui a oferta de petróleo global e cria uma pressão altista nos preços, vemos o Irã disposto a danificar a capacidade produtiva dos países vizinhos. A recuperação desses dano demora e exerce uma pressão altista no preço do produto que perdura até a redução de oferta ser compensada”, Caio Borges, analista da Eleven Financial.
Setores que sofrem com a disparada do petróleo
A realidade, por outro lado, tende a ser menos favorável para as empresas ligadas ao varejo. Além de aumentar a volatilidade dos mercados, analistas avaliam que o petróleo sendo negociado acima dos US$ 100 deve elevar a inflação a nível global. Esse movimento também teria impacto sobre a política monetária das principais economias, incluindo a do Brasil. Até o momento, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), dê início ao ciclo de corte de juros no Brasil na próxima semana. A dúvida, no entanto, está na magnitude desse corte.
Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (9), a mediana para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,00% para 12,13%, movimento também observado nas 40 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis. Para 2027, a projeção seguiu em 10,50% pela 56ª semana consecutiva, enquanto as medianas para 2028 e 2029 permaneceram em 10,00% e 9,50%, respectivamente.
“As ações com elevado grau de alavancagem se prejudicariam com esse cenário, uma vez que a alta do petróleo influencia na alta dos juros e na inflação”, diz João Abdouni, analista da Levante inside corp.
O mesmo pode acontecer com o setor aéreo. Além da alta do preço do combustível, os conflitos fortalecem o dólar, elevando ainda mais os custos das companhias. Segundo Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, no setor aéreo, o querosene de aviação (QAV) costuma representar entre 30% e 40% da estrutura total de custos.
“No Brasil, porém, essa proporção pode se aproximar ou até ultrapassar esse nível em determinados períodos, especialmente quando o real se desvaloriza. Isso acontece porque o combustível é precificado em dólar, enquanto grande parte das receitas das companhias é gerada em reais”, destaca Corano.
Com informações do Broadcast*