Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a campanha de bombardeios contra o Irã deve continuar, possivelmente por semanas. Do lado iraniano, o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, afirmou que não pretende negociar com os Estados Unidos, rebatendo relatos de que teria buscado interlocução com autoridades internacionais por meio de mediadores. O impasse eleva o risco de uma escalada prolongada, com potenciais impactos relevantes sobre energia e comércio global.
Para além das bolsas, os reflexos já são visíveis em diferentes classes de ativos. O dólar avança diante da busca por proteção, reforçando seu papel de moeda de reserva global. O ouro à vista sobe mais de 2% e é negociado acima de US$ 5.400 por onça (unidade de medida equivalente a aproximadamente 31,1 gramas).
Os rendimentos dos Treasuries também avançam ao longo de toda a curva de juros (isto é, em prazos curtos, médios e longos), refletindo ajustes nas expectativas de risco e inflação.
Entre as principais commodities (matérias-primas negociadas globalmente, como petróleo, minério e grãos), o destaque é o petróleo. Os contratos futuros da commodity saltam cerca de 8%, aproximando-se dos US$ 80 por barril. O movimento tem como pano de fundo a situação no Estreito de Ormuz, que se encontra efetivamente fechado. A hidrovia é estratégica para o fluxo global de petróleo, conectando produtores do Golfo Pérsico aos principais mercados consumidores. Qualquer interrupção prolongada tende a pressionar os preços internacionais da energia.
Na Europa, o gás natural chegou a subir até 25%, refletindo os riscos aos fluxos globais de energia. Já o minério de ferro registrou alta de 0,87% na madrugada, no contrato negociado na bolsa de Dalian, na China, a US$ 110,01 por tonelada. Embora o minério esteja mais associado à demanda chinesa por aço, o Oriente Médio também tem peso relevante na produção de pelotas (aglomerados de minério utilizados na siderurgia), respondendo por cerca de 13% da oferta global.
No caso do Brasil, ainda que o mercado local tenha forte exposição a empresas de commodities é pouco provável que a maioria dos ativos atravesse a segunda-feira em terreno positivo. O ambiente doméstico segue marcado por incertezas fiscais e dúvidas sobre a nova dinâmica da inflação, fatores que tendem a amplificar a aversão ao risco em um cenário externo já bastante adverso.