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Mercado

Saíram da recuperação judicial em 2020: OSX (OSXB3) e GPC (GPCP3) são bons negócios?

Com alta de 524% e de 124% no ano, respectivamente, papéis chamam a atenção

Funcionário andando em frente à unidade flutuante de produção da OSX, em 2011. Foto: Sergio Moraes/REUTERS
Funcionário andando em frente à unidade flutuante de produção da OSX, em 2011. Foto: Sergio Moraes/REUTERS
  • OSX e GCP foram duas empresas que conseguiram sair da recuperação judicial em 2020
  • Os papéis estão em forte alta no ano: o OSXB3 sobe mais de 500%, enquanto o GPCP3 valorizou 120% em 2020
  • Segundo especialistas, aplicar em empresas em recuperação judicial é um risco adicional para o investidor

As ações da polêmicaOSX (OSXB3), do grupo de Eike Batista, empresário acusado de pagar propina a políticos e condenado por manipulação de mercado, sobem mais de 523,8% desde janeiro, hoje cotadas a R$ 20,40. Os papéis da GPC Participações (GPCP3), por sua vez, acumulam alta de 123,81% no ano, a R$ 17,52. As duas empresas foram as únicas de 2020 que conseguiram sair de um processo difícil e que poucas sobrevivem para contar história: a recuperação judicial.

Quando uma companhia está com a situação financeira frágil e alto endividamento, uma das saídas para evitar a falência é pedir a recuperação judicial. Durante o processo, que pode levar anos, as companhias negociam com os credores e estabelecem um plano para reestruturar as finanças para garantir a sustentabilidade do negócio. Tudo com mediação feita pela justiça.

“O processo de recuperação judicial, apesar de estar se modernizando, ainda é muito burocrático. É um caminho longo e, em alguns casos, as empresas demoram 10 anos para concluir”, afirma Juan Espinel, especialista em investimentos da Ivest Consultoria. “O Brasil também não possui um cenário fácil, as companhias saem de uma crise e já entram em outra.”

Só no estado de São Paulo, 60% das organizações em recuperação judicial não conseguem ter êxito no final processo, segundo o Observatório de Insolvência da PUC-SP. Na B3, também são raros os casos de companhias que chegaram perto do fundo do poço e voltaram a equilibrar as contas.

Um dos episódios mais emblemáticos de volta por cima no mercado financeiro aconteceu com a geradora de energia Eneva (ENEV3), antiga MPX Energia, também do grupo de Eike Batista. A companhia entrou em recuperação judicial no final de 2014, abalada pela sequência de escândalos envolvendo o ex-controlador, e com dívidas que chegavam aos R$ 2,4 bilhões. O fim do processo veio dois anos depois, em junho de 2016. Hoje, a empresa é vista como promissora pelo mercado.

“Com muitas oportunidades surgindo no mercado de gás, acreditamos que a Eneva está bem posicionada para expandir suas operações não apenas no lado upstream/térmico, mas também em outros empreendimentos”, diz o BTG Pactual, que tem recomendação de compra para a geradora.

Desde 2014, ano que entrou em recuperação judicial, os papéis da Eneva se valorizaram mais de 3.000%, saindo do patamar de R$ 1,74 para os atuais R$ 55,89 cotação do fechamento de terça-feira (8). Será que GPC e OSX podem repetir o feito?

Renascidas das cinzas: o que esperar de GPC e OSX

A GPC Participações é uma holding do setor químico e de tubos de aço que entrou em recuperação judicial em 2013 e encerrou o processo em 12 de novembro deste ano. De fato, os resultados evoluíram bastante desde o início da reestruturação, quando a empresa registrou prejuízo líquido anual de R$ 93 milhões. Só nos primeiros nove meses de 2020, por exemplo, a holding apresentou lucro líquido de R$ 119,3 milhões, frente a R$ 23,3 milhões em 2019.

“A companhia tem percebido um crescimento na demanda dos seus produtos, a qual tem gerado a necessidade de aumento na capacidade produtiva”, explica a holding, no relatório referente ao 3º trimestre de 2020.

Para Espinel, é preciso ter calma. “Nem todo o resultado é proveniente da operação em si. Muita coisa vem do processo de recuperação judicial”, afirma. “Um olhar mais atento é sempre necessário, já que estamos em uma crise. Pense: se o cenário já é desafiador para empresas consolidadas, imagina para quem acabou de sair de um processo como esse?”, diz.

A análise de Espinel segue a mesma linha para a OSX, que fornece equipamentos para a exploração de petróleo e nasceu em 2009. Grande promessa na Bolsa, a companhia afundou junto com as demais empresas de Eike Batista e entrou oficialmente em recuperação judicial em 2013, com dívidas que superam a marca dos R$ 5 bilhões.

No dia 25 de novembro, entretanto, a Justiça determinou o encerramento do processo. A OSX teria cumprido as obrigações vendidas no prazo de dois anos após a concessão da recuperação. Entretanto, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 239 milhões nos nove primeiros meses de 2020. Desses, R$ 81,6 milhões somente no 3º tri.

“A empresa é envolvida em uma série de escândalos centrados na figura de Eike Batista e ainda deve ser olhada com muito receio”, afirma Espinel. “Não é uma Petrobras ou uma Vale. Não é uma empresa sólida. A OSX ainda não volta a apresentar bons resultados, o salto das ações não é algo natural. Existem outras empresas melhores no mercado e não há razão para correr esse tipo de risco.”

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