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Tesouro Direto em alta: juros reais elevados e cenário global impulsionam títulos atrelados à inflação

Com tensões globais e inflação no radar, títulos do Tesouro IPCA+ voltam a ganhar protagonismo nas carteiras, combinando proteção e retorno real atrativo

Por Isabela Ortiz

15/04/2026 | 9:35 Atualização: 15/04/2026 | 9:35

Títulos atrelados à inflação ganham força com juros reais elevados e cenário global mais incerto, atraindo investidores ao Tesouro Direto. (Foto: Adobe Stock)
Títulos atrelados à inflação ganham força com juros reais elevados e cenário global mais incerto, atraindo investidores ao Tesouro Direto. (Foto: Adobe Stock)

O cenário atual tem reacendido o interesse dos investidores pelo Tesouro Direto, especialmente em títulos atrelados à inflação. Em meio a um ambiente global mais incerto e com mudanças nas expectativas econômicas, especialistas apontam que a renda fixa voltou a ocupar um papel estratégico dentro das carteiras, não apenas como proteção, mas também como fonte relevante de retorno real.

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Para Antonio Patrus, diretor da Bossa Invest, o momento é particularmente favorável. Segundo ele, “estamos em um dos cenários mais interessantes dos últimos anos para alocação em renda fixa”, com destaque para as NTN-Bs (Tesouro IPCA+ com juros semestrais), que voltaram a oferecer ganhos acima da inflação de forma consistente. Na prática, isso permite ao investidor construir patrimônio com maior previsibilidade, algo que havia se perdido em períodos de juros reais mais comprimidos.

Patrus ressalta ainda que a combinação desses papéis com títulos pós-fixados cria uma estrutura equilibrada dentro do portfólio. Em sua avaliação, esse mix garante liquidez e, ao mesmo tempo, proteção contra oscilações econômicas. Ele observa que esse equilíbrio “entre proteção, previsibilidade e retorno” tem orientado decisões mais estratégicas de alocação, inclusive entre investidores mais sofisticados.

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Esse movimento não acontece isoladamente. O pano de fundo global também tem contribuído para reforçar a atratividade desses ativos. A escalada das tensões no Oriente Médio, por exemplo, alterou a dinâmica dos mercados e trouxe de volta preocupações com inflação persistente, especialmente via energia.

Na visão de Guilherme Loureiro, CIO da Monte Bravo, esse novo contexto interrompeu o cenário que predominava até então, de crescimento resiliente com inflação em queda. Agora, segundo ele, o mercado passou a precificar um ambiente mais desafiador.

“O mercado passou a incorporar um cenário com maior probabilidade de estagflação global, com pressão inflacionária vinda do petróleo e crescimento mais fraco”, afirma.

Títulos do TD se favorecem com o conflito

Diante desse quadro, o Brasil surge como um caso relativamente favorecido. De acordo com Loureiro, o peso das commodities na economia e o distanciamento geográfico do conflito ajudam a amortecer parte dos impactos, enquanto aumentam a atratividade de instrumentos de proteção inflacionária. Nesse contexto, ele destaca que as NTN-Bs se tornam uma escolha quase natural.

Em suas palavras, “as NTN-Bs passam a ser um ativo natural para esse tipo de ambiente, oferecendo proteção em um cenário de inflação mais pressionada”.

Além disso, a dinâmica recente de mercado também contribuiu para melhorar o ponto de entrada nesses títulos. Como explica o CIO, a aversão ao risco elevou as taxas reais no curto prazo, o que torna os papéis mais atrativos para novos investimentos. Ao mesmo tempo, há uma expectativa de mudança nesse quadro ao longo do tempo.

Isso cria uma janela de oportunidade relevante para o investidor. Entrar em um momento de juros reais mais altos e capturar uma eventual queda dessas taxas no futuro tende a gerar ganhos adicionais via marcação a mercado, especialmente em títulos com prazos intermediários.

Tesouro Selic

No caso do Tesouro Selic, a taxa adicional permanece bastante baixa, em torno de 0,0453% ao ano no papel com vencimento em 2028, o que indica pouca volatilidade e manutenção do perfil conservador desse título. O preço unitário gira próximo de R$ 18,2 mil, com aplicação mínima na casa de R$ 182,89, mantendo-se como principal alternativa para reserva de liquidez e proteção contra oscilações de mercado.

Tesouro IPCA+

Já os títulos Tesouro IPCA+ (sem juros semestrais) seguem oferecendo prêmios relevantes. O papel com vencimento em 2029 paga cerca de IPCA + 7,63%, enquanto os mais longos, como 2040 e 2050, oferecem taxas de 7,07% e 6,78%, respectivamente.

A inclinação da curva, com taxas mais altas nos prazos intermediários, sugere um prêmio maior concentrado no médio prazo, refletindo expectativas de inflação e juros ainda elevados no horizonte mais próximo, com alguma acomodação no longo prazo.

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No segmento de IPCA+ com juros semestrais, o título com vencimento em 2035 apresenta taxa de IPCA + 7,48%, também em patamar elevado. Esse tipo de papel continua sendo mais indicado para investidores que buscam fluxo de renda periódica, embora com maior sensibilidade à marcação a mercado.

Tesouro Renda+

Os produtos voltados a objetivos específicos, como o Tesouro Renda+ (aposentadoria), mostram uma curva longa relativamente estável, com taxas que partem de IPCA + 7,08% em 2049 e vão caindo gradualmente até cerca de 6,72% nos vencimentos mais longos, como 2084. Esse comportamento indica uma ancoragem das expectativas de inflação no longo prazo, ainda que em níveis elevados de juros reais.

Tesouro Educa+

Da mesma forma, o Tesouro Educa+ apresenta taxas reais bastante atrativas, principalmente nos vencimentos mais curtos, como 2030 (IPCA + 7,95%) e 2031 (IPCA + 7,59%). Ao longo da curva, há uma leve queda nas taxas até cerca de IPCA + 6,89% em 2046, reforçando o mesmo padrão observado nos demais títulos: prêmios mais altos no curto e médio prazo.

O quadro atual do Tesouro Direto mostra juros reais ainda elevados, curva levemente inclinada e oportunidades mais interessantes nos prazos intermediários, enquanto o Tesouro Selic segue como instrumento de estabilidade.

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