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Mercado

Ações em queda e redução de dividendos. A Vale (VALE3) irá se recuperar?

Entenda a soma de fatores que explicam a piora do desempenho da empresa e o que dizem os analistas

Por Luiz Araújo

30/05/2023 | 10:16 Atualização: 31/05/2023 | 6:35

A Vale (VALE3) é uma das principais companhias listadas no Ibovespa. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
A Vale (VALE3) é uma das principais companhias listadas no Ibovespa. (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Uma das ações campeãs em recomendação de analistas para quem busca receber dividendos, a Vale (VALE3) agora atravessa um período de desafios frente aos acionistas. A companhia deixou a lista das maiores pagadoras de dividendos neste ano e vê seus papéis acumularem queda de 24,27% no ano até a última segunda-feira (29).

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Diante de fatores que fogem do controle da empresa, com destaque para a queda acentuada do preço do minério de ferro, a má fase deve se sustentar nos próximos trimestres. Acumulando incertezas em relação ao futuro, os analistas se dividem sobre a atratividade da mineradora.

Os ganhos mais modestos indicados no último balanço resultaram no corte de US$ 1,8 bilhão em dividendos no primeiro trimestre deste ano, a maior redução de pagamentos para acionistas em todo o mundo. Com isso, a mineradora saiu do ranking de 20 maiores pagadoras globais, conforme mostra relatório da Janus Henderson.

Mas o que aconteceu de tão grave?

Há uma soma de fatores que explicam a piora do desempenho da empresa. O principal é o preço do minério de ferro, que caiu 25,51% nos últimos 12 meses, entre os dias 26 de maio de 2022 e a última sexta-feira. A queda é ainda maior na comparação com a cotação de maio de 2021: desvalorização de 49,12%.

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O preço de 2021 era resultado de uma forte elevação da commodity em razão dos efeitos da pandemia de Covid-19. Já no início de 2022 houve outra grande elevação, dessa vez diante do início da guerra entre Ucrânia e Rússia. O que inverteu a trajetória da curva foi o risco de recessão global, que acarreta em menor demanda por commodities como ferro e petróleo.

Mas o menor preço do ferro não explica todo o problema. A empresa está produzindo menos desde 2019 após o acidente de Brumadinho (MG). “Antes do acidente a Vale produzia 400 milhões de toneladas por ano e atualmente produz 300 milhões”, aponta Vitorio Galindo, analista de investimentos CNPI e head de análise fundamentalista da Quantzed.

Lucas Laghi, head de Mineração e Siderurgia, Papel e Celulose e Bens de Capital da XP, diz que os níveis mais baixos de produção neste ano se dão por fatores externos e sazonais. “São em grande parte explicados pelas chuvas mais intensas na região Norte”, destaca Laghi.

Ao mesmo tempo, a empresa registrou aumento dos custos de operação. Para Galindo, a menor produção se cruza diretamente com o problema dos custos mais altos. “Quanto menos produz, menos dilui os custos por tonelada de minério produzido”, sintetiza. A pressão de custos mais altos também é destacada como preocupante por Laghi, da XP.

E o que esperar do futuro?

A expectativa de consenso entre os entrevistados é de que os próximos trimestres devem ser fracos para a empresa e consequentemente para os acionistas. “O preço do minério continua caindo, então os resultados devem continuar ruins nos próximos trimestres. A própria Vale não espera uma alta de volume de vendas”, avalia Fernando Siqueira, responsável pela área de research da Guide Investimentos.

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Laghi, da XP, afirma que, embora questões como as chuvas que influenciaram a produção no início do ano podem deixar de atrapalhar nos próximos meses, a empresa seguirá pressionada pelos altos custos por tonelada produzida ao menos no curto-prazo.

“Para vermos uma retomada no teor médio do minério da Vale, precisamos ver uma aceleração da produção na região de Carajás (minas onde o teor médio de minério da companhia é mais elevado)”, destaca o representante da XP.

Ainda há fatores positivos?

Apesar do diagnóstico de um curto prazo difícil, pode haver oportunidade no fato de as ações acumularem queda. “Do ponto atual, dado tudo que já caiu, acho moderadamente atrativo, mas não é um papel de preferência”, diz Siqueira, da Guide.

Entre 14 corretoras consultadas no início deste mês, sete mantiveram as ações da mineradora entre as carteiras recomendadas. A explicação é de que, embora haja impactos severos pela baixo do ferro, há expectativa de que a recuperação da economia chinesa nos próximos meses dê fôlego para a Vale.

A XP vê as ações com preços atrativos: “Vemos o mercado implicando em um dividend yield atrativo de ~9% para as ações para 2023, e reiteramos nossa recomendação de compra”.

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Galindo, da Quantzed, discorda de que o atual preço pode ser considerado interessante. “A ação não está barata e o dividendo não está alto, nada parece bom. Se o cenário mudar ela pode voltar a ser atrativa, mas isso não é o que estamos vendo por enquanto”, defende.

Recompra de ações

Mas há mais um fator que pode ser considerado na decisão sobre investir na empresa. Desde 2021, a Vale mantém política de recompra de ações. Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, explica que essa é outra forma de esperar por melhorias para o investidor.

A recompra consiste na decisão da empresa de aproveitar os preços baixos do papel para tirar ações de circulação. “Se ela comprar 20% das ações e cancelar esses papéis, que é o caminho natural, terá menos ações, mas mantém os lucros que são distribuídos”, aponta Ferrer ao observar que há espaço para melhora dos ganhos ainda neste ano.

Outro ponto visto como positivo por Ferrer é a expectativa sobre a possibilidade de venda parcial da operação de metais básicos. “Por isso continuamos gostando bastante da empresa, a despeito do minério estar negociado por um valor inferior há um ano atrás”, diz.

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