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Negócios

Caixa avalia fazer IPO de banco digital no Brasil e no exterior

Pedro Guimarães, presidente da Caixa, disse que estuda convites para IPO no exterior

Por E-Investidor

26/10/2020 | 16:31 Atualização: 01/12/2020 | 12:10

Pedro Guimarães, presidente da Caixa: vantagem competitiva em relação a outros bancos digitais. (Marcos Corrêa/ Presidência da República)
Pedro Guimarães, presidente da Caixa: vantagem competitiva em relação a outros bancos digitais. (Marcos Corrêa/ Presidência da República)

(Reuters) – A Caixa Econômica Federal prevê fazer a oferta inicial de ações (IPO) de seu banco digital em 2021 e avalia fazer a listagem no exterior, com a instituição buscando rentabilizar o negócio que floresceu com a distribuição de recursos emergenciais do governo durante a pandemia do coronavírus.

Leia mais:
  • O que causou ‘onda’ de IPOs cancelados na Bolsa em 2020
  • The Economist: Quais serão os próximos passos do SoftBank?
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“Temos enormes vantagens comparativas em relação aos bancos digitais no mercado e quero aproveitar isso com uma listagem em 2021”, disse o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, à Reuters. “Recebi convites para listar fora do Brasil e acho também possível fazer uma dupla listagem.”

Os comentários vêm após o presidente Jair Bolsonaro ter assinado decreto tornando permanentes as contas digitais criadas para pagamento do auxílio emergencial e que agora poderá ser ampliada para o pagamento de outros benefícios sociais.

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Guimarães calcula que de 35 milhões a 40 milhões de pessoas devem ser clientes permanentes do banco digital, incluindo beneficiários do Minha Casa Minha Vida, do Bolsa Família e empresas que recebem recursos por meio do Pronampe. As contas serão integradas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix e por meio dela poderão ser contratados produtos como microcrédito e microsseguros, disse ele.

Leia também: 7 dicas para não ter dores de cabeça com o Pix

Caixa planeja vender cerca de 15% do Caixa Tem

A Caixa planeja capitalizar o banco digital e depois vender uma parcela de cerca de 15% do negócio, hoje conhecido como Caixa Tem, por meio do IPO. O ministro da Economia, Paulo Guedes, havia sinalizado na semana passada que o governo planeja abrir o capital do Caixa Tem.

“Temos a vantagem de ter 25 mil pontos de venda, que são as lotéricas, para dar apoio a uma população desbancarizada, o que nenhum outro banco digital tem no país”, argumentou Guimarães, citando populações de mais baixa renda em regiões mais distantes dos grandes centros e com menor acesso a tecnologia.

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A estratégia seria uma forma da Caixa também reduzir custos de atendimento a famílias de baixa renda, ao mesmo tempo em que usa sua força financeira para ofertar produtos em condições vantajosas em termos de taxas e de juros, agregou o executivo.

A ampliação da base de empresas pequenas que receberam empréstimos do Pronampe poderia acelerar esse movimento, disse Guimarães, prevendo que a base de negócios com até 10 empregados subirá das atuais 200 mil para 500 mil nos próximos anos.

“Temos condições de colocar as taxas de juros para empréstimos em níveis que ninguém vai querer colocar”, afirmou.

Leia também: The Economist: Como a explosão digital está revolucionando o setor financeiro

IPO precisa ser aprovado pelo Banco Central

O IPO depende de aprovação prévia do Banco Central para constituição do negócio. Segundo Guimarães, uma vez listado, o banco digital pode discutir parcerias com fintechs no mercado para ampliar as operações.

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A discussão sobre listagem no exterior pode seguir empresas como XP, PagSeguro, Afya e outras, que preferiram ter ações em bolsas nos Estados Unidos, por entenderem que elas oferecem melhores avaliação de preços.

Caixa planeja fazer mais quatro IPOs

O plano de listagem do banco digital, cujo nome ainda não foi escolhido, amplia a agenda de IPOs da Caixa Econômica, e que deveria ter começado neste ano com os negócios de seguros e de cartões, mas que foram adiados devido à volatilidade do mercado.

O primeiro da fila, o da Caixa Seguridade, ficará para fevereiro de 2021, uma vez que o banco preferiu agora esperar o início das operações de diversas joint ventures em seguros antes de fazer a estreia na bolsa.

“O mercado vai sempre querer descontar riscos de negócios e entendemos que faz muito mais sentido fazer o IPO em fevereiro, quando os negócios já estarão operacionais”, disse Guimarães.

O banco estatal trabalha em questões internas, comerciais e legais antes de tocar as demais ofertas de ações. A do braço de loterias, por exemplo, depende de autorização do governo, já que a empresa hoje tem o monopólio do setor.

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Na área de gestão de recursos, a Caixa está elegendo os fundos de investimentos que farão parte da divisão, excluindo por exemplo carteiras consideradas ilíquidas.

Guimarães evitou dar detalhes em relação ao IPO da subsidiária de cartões, dizendo apenas que aguarda a evolução de discussões envolvendo a bandeira Elo, da qual a Caixa é sócia.

Em agosto, outros sócios da Elo Serviços, o Bradesco e o Banco do Brasil, confirmaram planos de também fazer um IPO da companhia.

Leia também: Rafael Paschoarelli: As possíveis origens dos R$ 98 bilhões de duas famílias de São Paulo

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