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Negócios

Fundo altera resgate de 18 dias para 2 anos; prazo para cotista sair acabou

O Esh Theta 18 possui atualmente 862 cotistas; procurado, o gestor alega manipulação das ações do fundo

Por Jenne Andrade

22/02/2024 | 16:53 Atualização: 22/02/2024 | 20:11

Se aprovada por cotistas, mudança na regra de resgates pode ser feita (Foto: Envato)
Se aprovada por cotistas, mudança na regra de resgates pode ser feita (Foto: Envato)

De 18 dias para 720 dias. Esta foi a ampliação do prazo de resgate realizada no fundo multimercado Esh Theta 18, da gestora Esh Capital. Os cotistas que não concordarem com a mudança tiveram até esta quinta-feira (22) para solicitar os saques nas condições antigas. A partir de sexta (23), os cotistas que desejarem retirar o capital só terão o dinheiro de volta em dois anos após o pedido de liquidação.

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Em entrevista ao E-Investidor, Vladimir Timerman, gestor do fundo, afirmou que a alteração foi aprovada em Assembleia de Cotistas – convocada no dia 21 de dezembro do ano passado e realizada em 16 de janeiro deste ano. A Intrag, administradora do Esh Theta 18 e responsável pela convocação dos investidores e organização da reunião, afirmou que seguiu todos os ritos legais para o processo.

“Cumprindo a sua obrigação regulatória de convocar assembleia quando solicitado pelo gestor, a Intrag realizou a assembleia que deliberou a alteração da regra de resgate do fundo para 720 dias de forma regular e aderente aos prazos e condições estabelecidos pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A matéria foi aprovada por maioria de votos, tendo a assembleia participação significativa de cotas”, afirma a Intrag, em posicionamento enviado à reportagem.

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A administradora ressalta ainda que a ata da assembleia e o novo regulamento do fundo serão disponibilizados no site da CVM no dia 23 de fevereiro, data da entrada em vigor das alterações aprovadas. Disse também que não são informações públicas o número de cotistas presentes ou ausentes na reunião e salientou que foi dada a oportunidade de resgate para os investidores antes da entrada em vigor das alterações.

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Hoje, o Esh Theta 18 possui 844 cotistas – somente em 2024, a aplicação perdeu 187 investidores e R$ 25,2 milhões de patrimônio líquido (de R$ 93,3 milhões, em 29 de dezembro de 2023, para os atuais R$ 68 milhões). Já no ano passado, houve a saída de 428 cotistas e a queda de R$ 55 milhões em patrimônio líquido.

Em relação à performance, o fundo fechou o ano passado em queda de 52,8%, o primeiro resultado negativo anual desde o início da aplicação, em 2016. No acumulado de 2024, a desvalorização chega a 29%. Já o retorno total do fundo, desde a constituição até hoje, é de 54%.

Por que o fundo alterou o prazo de resgate?

O E-Investidor questionou Timerman sobre a motivação para a mudança de prazo. Segundo o gestor, a decisão ocorreu após meses de deliberações. Ele alega que duas das principais posições do Esh Theta Master, fundo no qual o Esh Theta 18 investe, foram vítimas de manipulação de mercado. Este seria o caso das posições em Terra Santa (LAND3) e Mobly (MBLY3). Até outubro do ano passado, dado mais recente disponível, o Esh Theta Master tinha uma posição comprada de R$ 79,4 milhões em LAND3 e uma posição vendida de R$ 7 milhões em MBLY3.

Diante da repercussão negativa do caso, entretanto, Timerman confirmou à reportagem que já estuda reduzir o prazo dos resgates para 180 dias.

  • Leia ainda: BTG Pactual faz captação bilionária com FII de logística; hora de comprar?

No caso da Terra Santa, Timerman vê sinais de um ataque especulativo contra os papéis, que caíram mais de 40% no ano passado. “As ações estão negociando a 1/3 do que valem as terras”, afirma o gestor. “As pessoas estão manipulando o mercado para criar uma situação em que eu, teoricamente, não teria fôlego para levar as discussões nas quais estou envolvido (em função dos resgates).”

A Esh vive um embate com os administradores da Terra Santa. A gestora acredita que os executivos da companhia – que atua no mercado imobiliário rural – obtiveram benefícios ilícitos no âmbito da combinação de negócios com a SLC Agrícola (SLCE3), em 2021. A Terra Santa não respondeu às solicitações do E-Investidor até a publicação desta reportagem.

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“Nós suspeitamos que os controladores da Terra Santa almejam, a todo custo, evitar a discussão na arbitragem instalada que visa a indenização pelos prejuízos causados à companhia”, afirma a Esh, em Carta Mensal aos cotistas divulgada outubro do ano passado. “Verifica-se uma forte negociação das ações por parte de administração após o transcurso dos períodos de vedação de negociação por administradores e pessoas ligadas.”

Timerman também conta um episódio em que o maior cotista do Esh Theta 18 teria sido assediado a retirar o capital aplicado. “Em outubro, meu maior cliente relatou ter sido orientado por executivos de uma grande gestora, vinculada à Terra Santa, a retirar todo o capital que ele tinha na Esh porque a cotação das ações LAND3 iria ser derrubada”, afirma.

Em relação às ações da Mobly, companhia que atua na venda de móveis e artigos de decoração, Timerman chama a atenção para o salto de 154% dos preços dos papéis entre 1 de maio e 21 de julho, quando a MBLY3 saiu de R$ 1,90 para R$ 4,80, sem gatilho aparente. “Tenho certeza que houve manipulação com os papéis de Terra Santa e Mobly”, afirma o gestor da Esh.

A denúncia de manipulação com papéis da Mobly foi encaminhada pela Esh à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à BSM Supervisão de Mercados e corre em sigilo.

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“Não aumentei o prazo de resgate porque acho que vou quebrar. O fundo não vai quebrar, mas frente a essa situação, colocamos o prazo de resgate para dois anos porque assim consigo focar no meu trabalho (sem preocupações com resgates)”, diz Timerman. “Em novembro, mandamos para o administrador (Intrag) uma proposta para alteração do regulamento, que passou por todas as análises jurídicas, e teve a assembleia. Não estou sequestrando dinheiro dos cotistas.”

O que diz a Mobly

Procurada, a Mobly ressaltou que o gestor da Esh já se tornou réu em ações judiciais criminais anteriormente em função das alegações, consideradas infundadas, de que houve manipulação com as ações da companhia. “A Mobly confia na apuração da Justiça e da CVM e aguarda o desenrolar dos processos”, afirma a companhia. “Vale destacar que os processos dizem respeito exclusivamente a negociações das ações no mercado secundário e não à empresa, de modo que a Mobly não é parte em nenhum desses processos”, afirma a companhia.

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A empresa aponta também que “o gestor dos fundos da Esh Capital possui histórico de divulgação de informações incorretas e distorcidas nas suas mídias sociais, enquanto, em paralelo, detém um volume financeiro próximo a R$ 8 milhões em ações alugadas da Mobly, em potencial operação de short (posição vendida)”.

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Em resposta, Timerman afirma que todos os indícios de manipulação de mercado com as ações da Mobly foram enviados para a CVM e que “obviamente não é da alçada da companhia fazer esse tipo de avaliação”. “Continuamos short nos papéis [estratégia que busca lucrar com a queda do preço dos ativos]”, diz o gestor.

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