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Negócios

Por que o negócio envolvendo duas gigantes da tecnologia pode não sair do papel?

O principal obstáculo para um acordo entre as duas fabricantes de chips é a questão regulatória dos EUA

Por Janize Colaço

23/09/2024 | 18:32 Atualização: 23/09/2024 | 18:32

Chips 
Foto: Envato Elements
Chips Foto: Envato Elements

Os rumores de uma possível compra da Intel (ITLC34) pela Qualcomm (QCOM34), que parecia ser um dos maiores acordos na história da tecnologia, atraiu olhares atentos do mercado e dos acionistas nos últimos meses. No entanto, embora a possibilidade tenha gerado interesse de muitos, alguns fatores indicam que o acordo provavelmente não sairá do papel.

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Como mostramos nesta reportagem, o principal obstáculo para um acordo entre a Intel e a Qualcomm é a questão regulatória. As fusões e aquisições entre grandes players em setores estratégicos costumam enfrentar uma série de obstáculos das autoridades governamentais.

Com o mercado de semicondutores considerado crucial para a segurança nacional, especialmente no contexto de guerra tecnológica entre os Estados Unidos e a China, qualquer acordo do tipo seria submetido a uma rigorosa análise dos órgãos reguladores. A Comissão Federal de Comércio (FTC, ou Federal Trade Commission em inglês) e o Departamento de Justiça (DoJ, ou Department of Justice em inglês), por exemplo, podem considerar o movimento prejudicial para a concorrência e afetar a inovação no setor.

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Na última sexta-feira (20), as ações da Intel subiram 3,4% na Nasdaq diante dos rumores sobre uma possível sondagem da Qualcomm. Por outro lado, as ações da empresa com sede em San Diego caíram -2,9% à medida que os investidores consideravam os riscos de tal acordo. Hoje (23), as ações da Intel avançaram mais 3,31%, enquanto a Qualcomm renovou mais uma queda, em -1,75%.

Uma das maiores gestoras do mundo está de olho na Intel

Enquanto o acordo com a Qualcomm enfrenta inúmeros desafios, a Intel ainda tem motivos para ter esperança em sua recuperação. A Apollo Global Management parece estar disposta a oferecer um aporte de capital de até US$ 5 bilhões para a fabricante. Os rumores dão conta de que esse seria um voto de confiança de uma das maiores gestoras do mundo no plano de recuperação apresentado pelo CEO da Intel, Pat Gelsinger.

A Apollo já trabalhou com a empresa antes, tendo comprado uma participação de US$ 11 bilhões em uma joint venture na Irlanda. No entanto, a gestora está focada em fornecer capital e não em realizar uma aquisição. Para os analistas, esse aporte poderia ser uma alternativa viável para a fabricante de chips continuar sua reestruturação sem se comprometer com a Qualcomm.

Vale lembrar que a Intel perdeu mais de US$ 100 bilhões em valor de mercado em 2023, com as ações caindo mais de 50%. O mau momento é reflexo das dificuldades que a companhia enfrenta para se reinventar e recuperar sua antiga posição de liderança no setor de tecnologia. Nos últimos trimestres, seus balanços financeiros têm decepcionado os investidores. Como um esforço para economizar US$ 10 bilhões, empresa já anunciou cortes de 15% na força de trabalho.

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