Na regulamentação, o CMN definiu que o novo título terá a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para pessoas físicas. Nesta modalidade, também há isenção de imposto de renda. “A garantia é semelhante à aplicada nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e CDBs. A LCD poderá ser adquirida também por pessoas jurídicas”, explica a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
A resolução já está publicada no BC Correio e prevê ajustes em resolução anterior, de 2013, para incluir a LCD no rol dos instrumentos financeiros objeto da garantia ordinária do Fundo Garantidor de Crédito e “introduzir aperfeiçoamentos na governança do FGC e na proteção aos depositantes”.
Além da regulação final pelo CMN, as instituições financeiras aguardavam também a autorização formal da B3 como unidade depositária junto ao Banco Central para começar as emissões dos papéis ainda em 2024. A etapa foi concluída na tarde desta quinta-feira (21).
A ABDE estima que a LCD pode gerar, no primeiro ano, pouco mais de R$ 10 bilhões em novos recursos para o financiamento de longo prazo, podendo chegar, nos próximos quatro anos, até a R$ 40 bilhões. O BNDES, por exemplo, já tem hoje capacidade de emitir quase R$ 10 bilhões por ano. A entidade representa, além do BNDES, outros três bancos de desenvolvimento que poderão emitir o papel: o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
A entidade pontuou ainda que, segundo a regulamentação estabelecida pelo CMN, a soma dos valores nominais das LCDs emitidas por ano não deve ser superior a 6,5% do valor do patrimônio líquido da instituição, limitado R$ 10 bilhões, e o saldo das LCDs emitidas não deve ser superior a 25% do patrimônio líquido da instituição. Com isso, alertou que o valor de emissões será inferior ao teto de R$ 40 bilhões anuais inicialmente aprovado pelo Congresso e deverá ser debatido pela ABDE em agendas com a nova diretoria do BC em 2025, que será presidido pelo indicado de Lula, Gabriel Galípolo.
O presidente da ABDE, Celso Pansera, comemorou a conclusão do processo e afirmou que essa finalização era um passo fundamental para que o novo instrumento seja competitivo junto a outros títulos. As instituições financeiras estavam prontas para emitir e pretendem começar já em 2024, segundo ele. “Quem ganha é o investidor, que terá uma opção segura, e a indústria, que poderá atrair mais recursos por meio da captação dos bancos de desenvolvimento, ampliando a produtividade e criando empregos mais qualificados”, afirmou.