O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis pares fortes, subiu nesta quinta-feira e encerrou o pregão em alta de 0,33%, aos 104,314 pontos.
A notícia de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estará na Europa entre a segunda-feira (4) e o sábado (9) repercutiu negativamente, tendo em vista que a sua ausência na próxima semana indica que as medidas voltadas ao ajuste fiscal ainda devem demorar para serem divulgadas.
“A expectativa de um atraso na divulgação do pacote fiscal gera um clima de insegurança, especialmente com a viagem do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o que aumenta a desconfiança no mercado”, ressalta Christian Iarussi, especialista em mercado de capitais e sócio da The Hill Capital. “A falta de um conjunto claro de cortes de gastos do governo Lula gera pessimismo entre os investidores, que buscam segurança em ativos mais estáveis, como o dólar”, complementa.
No exterior, os investidores também estiveram de olho no payroll (relatório oficial de emprego dos Estados Unidos), que mostrou a criação de 12 mil vagas em outubro, em termos líquidos, segundo relatório publicado pelo Departamento do Trabalho do país. Analistas consultados pelo Projeções Broadcast esperavam criação de 70 mil a 180 mil vagas, com mediana de 100 mil.
“Os números do relatório de emprego de outubro reforçam as percepções de que existe uma desaceleração no mercado de trabalho dos Estados Unidos. Mas o fraquíssimo número do payroll não deve ser tomado ao valor de face por conta dos eventos climáticos e greves”, explica o economista-chefe da Nomad, Danilo Igliori.
Os sinais de desaceleração econômica, no entanto, fazem com que o mercado adote um tom mais cauteloso, aumentando a demanda pela proteção cambial.
Dólar pode atingir R$ 6?
Especialistas ouvidos nesta reportagem do E-Investidor afirmam ser difícil determinar para qual direção vai o câmbio. Na visão dos analistas, caso aconteça um ajuste das contas públicas, de forma crível e disposta a analisar os problemas do crescimento crônico das despesas obrigatórias, poderia haver uma apreciação do real.
Por outro lado, se a incerteza fiscal continuar, com as eleições presidenciais pressionando a moeda nos Estados Unidos, o câmbio pode continuar a subir. Em caso de vitória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a divisa americana deve ganhar força em relação ao real, pois o candidato republicano defende políticas que limitam o comércio com países emergentes, o que afetaria as exportações do Brasil.
Nesta outra matéria, apresentamos as projeções de 5 casas para o dólar ao final de 2024 e início de 2025. Boa parte delas tem mais de um cenário para a evolução do câmbio, justamente devido à incerteza dos eventos que hoje estão pressionando o desempenho da moeda americana.
O dólar já acumula ganhos de 20,93% em 2024.
*Com informações do Broadcast