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Colunista

Itaú (ITUB4) puxa a fila da nova era entre bancos tradicionais e criptos

Entenda o que significa a entrada da tradicional instituição financeira para o setor e o mercado de criptomoedas

Por Eduardo Carvalho, CEO e cofundador da Dynasty Global AG

13/12/2023 | 16:02 Atualização: 13/12/2023 | 16:02

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O bitcoin é a maior criptomoeda em valor de mercado (Foto: Envato Elements)
O bitcoin é a maior criptomoeda em valor de mercado (Foto: Envato Elements)

É inegável que os criptoativos já superaram a fase inicial de desconfiança e se tornaram uma realidade para uma boa parte de investidores no País. Os números não me deixam mentir: hoje já há mais brasileiros que investem nesse tipo de ativo do que em ações na Bolsa de Valores, segundo um levantamento recente encomendado pelo Mercado Bitcoin para a consultoria Mosaiclab.

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O estudo aponta também que 10 milhões de brasileiros já operam com criptomoedas, superando os 9,3 milhões de investidores na Bolsa. Outro dado interessante, este da Receita Federal, revela que somente no mês de junho deste ano, 3,2 milhões de pessoas físicas e 89 mil pessoas jurídicas realizaram operações nesse mercado – um recorde absoluto.

Apesar dos números promissores, ainda havia um enorme receio que circundava o setor, gerado, principalmente, pelo evidente distanciamento que existia entre o ecossistema e os bancos tradicionais. No entanto, digo isso verbalizado no passado porque a história mudou há poucos dias. A partir do início de dezembro, o Itaú (ITUB4) passou a permitir que seus clientes negociem criptomoedas por meio de sua nova plataforma de investimentos.

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Graças ao serviço recém-inaugurado, os usuários podem comprar e vender bitcoin e ether, respectivamente a primeira e a segunda criptomoedas de maior valor de mercado do mundo, diretamente pelo aplicativo da empresa. Vale lembrar que outras instituições financeiras grandes, porém não tão tradicionais, como o Nubank (ROXO34) e o BTG Pactual (BPAC11), já ofereciam tal funcionalidade.

Com a entrada do Itaú no jogo, a expectativa agora passa pela chegada de novos “bancões”. Até porque já se tornou evidente que o potencial do setor traz benefícios para todos os envolvidos, sobretudo para as próprias instituições financeiras. Isso porque as criptos têm potencial para inovar e impulsionar ainda mais as três principais funções e serviços de um banco: a custódia, a gestão de ativos e as operações financeiras.

Uma nova realidade

Pensando no fator protetivo, os criptoativos atuam de forma única e inovadora ao utilizar o seu próprio banco de dados, o chamado registro distribuído, em inglês “ledger”, para catalogar todas as transações, carteiras e seus respectivos saldos de forma permanente, descentralizada e imutável. Assim, essa custódia dos ativos digitais ocorre de forma transparente, permitindo que qualquer participante da rede ou pessoa que deseje validar a informação possa efetuar de forma simples, com poucos cliques, por meio das plataformas de monitoramento de transações.

Já com relação à gestão de ativos, a criação dos contratos inteligentes, introduzidos em larga escala principalmente pela plataforma Ethereum, uma das mais populares do mundo cripto, torna possível automatizar pagamentos, transferências e relatórios, além de implementar regras de governança.

Para isso, basta programá-los de acordo com a intenção do gestor. Dessa forma, o banco passaria a ter um software capaz de não apenas transferir criptoativos, mas também de controlar todo o funcionamento do ecossistema gerado a partir das preferências definidas pela própria instituição.

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Em relação à função estratégica dos bancos atuarem como sistema de pagamentos, a introdução da tecnologia blockchain – o sistema que fundamenta os criptoativos – nessa equação torna possível simplificar todos os tipos de transações, desde micropagamentos até elevadas movimentações internacionais.

Isso porque esse tipo de ativo digital possibilita efetuar pagamentos a partir do endereço de destino e com a chave privada, que nada mais é do que a autenticação necessária para assinar e concluir a transação. Além disso, é possível ativar o modo multisig, denominação para a validação por meio de duas ou mais assinaturas para a efetivação da transferência, o que ajudaria ainda mais os bancos a garantir a segurança aos usuários.

Em outras palavras, a agora iminente aproximação entre instituições financeiras e criptomoedas significa um movimento vantajoso para ambos. Pelo lado dos bancos, se apropriar de tais ativos simboliza oferecer novos serviços e mais segurança aos clientes, o que resulta no aumento da afinidade e fidelidade do relacionamento.

Já para os ativos digitais, por mais que num primeiro momento essa relação possa ser vista como um paradigma, uma vez que o seu propósito passa justamente por propiciar que o usuário não dependa de terceiros para efetuar transações, eles passam a ter a custódia de organizações altamente reconhecidas pela sociedade.

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Assim, a participação do banco acaba por agregar uma camada protetiva importante, atingindo principalmente a parcela dos usuários que não desejam realizar a gestão de suas chaves privadas por conta própria.

Próximos passos

A partir desses efeitos, não é difícil compreender os motivos que levam as criptomoedas a já serem distribuídas pelos principais bancos mundo afora. Agora que essa aproximação passa também a ser uma realidade nacional, as outras instituições não devem tardar a repetir a decisão, o que promete uma imediata liquidez e uma forte injeção de capital ao setor.

A grande verdade é que a tecnologia blockchain já foi testada e comprovada nos últimos anos. Os ativos digitais representam uma disrupção no mercado financeiro e já não há mais como voltar atrás no uso dessa tecnologia inovadora. Agora chegou a hora de dar os próximos passos.

Isso significa apresentar esse potencial para um público cada vez maior e iniciar o processo de escala. A união entre bancos tradicionais e as moedas digitais é um passo fundamental na direção de potencialização do setor no Brasil e, sem dúvida, irá permitir que mais pessoas se beneficiem do poderio das criptomoedas.

Eduardo Carvalho, CEO e cofundador da Dynasty Global AG

*Eduardo Carvalho é CEO e cofundador da Dynasty Global AG, a primeira empresa de criptoativo no mundo a usar o mercado imobiliário como referência para emissão de tokens de pagamento. Com vasta experiência nos setores imobiliário e de tecnologia, é um dos principais especialistas em criptoativos na Europa.

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