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O movimento continuou negativo na segunda-feira (22), fazendo os papéis cederem mais 5,72%, cotados a R$ 3,79. Como mostramos nesta outra reportagem, começa a ventilar no mercado a ideia de que possa haver alguma indenização aos pacientes afetados e até desprovisionamento da companhia a partir da investigação. Um problema para a credibilidade e o caixa da Hapvida.
Mas a avaliação negativa dos fatos não é unanimidade e, no início desta semana, algumas corretoras reforçaram o posicionamento favorável à compra de HAPV3.
“Muito barulho para pouca causa”. Foi assim que a XP Investimentos classificou a queda das ações da Hapvida causadas pelo episódio.
Em relatório divulgado no domingo (21), os analistas Rafael Barros e Raphael Elage defendem que a perda de quase R$ 4 bilhões em valor de mercado que a Hapvida (HAPV3) teve nos últimos dias é “incompatível com a perda potencial” que a empresa pode vir a ter com os processos e custos de sinistralidade.
Para o time da XP, o temor do mercado sobre essa temática é muito maior que o dano real e o cenário “não é tão assustador de perto”, levando a corretora a reiterar a recomendação de compra para HAPV3, com um preço-alvo de R$ 5.
E ela não foi a única. Em um relatório sobre o setor de saúde na B3, divulgado nesta segunda-feira (22), o Santander também reiterou sua posição de compra em HAPV3, considerada a ação “top pick” pelo time de research do banco. O entendimento é que a Hapvida vai continuar focando na rentabilidade por meio de aumento de preços no curto prazo e investimentos para aumentar a verticalização.
Um possível impacto da investigação do MP nos resultados da companhia não foi mencionado no documento.
“Na nossa opinião, a empresa pode ganhar market share em um mercado fraco em 2024″, dizem os analistas Caio Moscardini, Karoline Silva Correira e Guilherme Gripp. “A empresa está negociando a um preço sobre lucro (P/L) ajustado de 19,7x, o que não é exatamente uma pechincha. No entanto, ajustando a amortização do ágio, o P/L ajustado cairia para 14,2x em 2024, um nível mais razoável.”
Além de reiterar a recomendação de compra, o banco elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 5,35 para R$ 5,85.
Depois das quedas nas ações, o Citi também passou a ver oportunidade em HAPV3. Nesta terça (23), o banco reforçou que os papéis da Hapvida estão sendo negociadas a 0,9 vezes o múltiplo preço sobre lucro projetado pelos analistas para 2025, enquanto ainda oferece um rendimento de 9% de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE).
Assim, o banco enxerga que a equação risco-recompensa das ações da operadora de saúde como altamente inclinada para valorização, reforçando a recomendação de compra e preço-alvo de R$ 6,0 para os papéis.
A “defesa” dos grandes bancos de investimento ajudou a Hapvida a respirar na Bolsa: nesta terça, os papéis reagiram e subiram 3,96%, cotados a R$ 3,94.
Receio de investidores
A investigação do MP contra a Hapvida apura o descumprimento sistemático de decisões judiciais favoráveis aos seus beneficiários, que mesmo com liminares não conseguem acesso a tratamentos para doenças graves. Segundo reportagem do Estadão, há casos de pacientes que, segundo familiares, morreram após a recusa da empresa em oferecer tratamento de urgência garantido pela Justiça. Ao jornal, a empresa afirmou que respeita o Poder Judiciário e negou que venha descumprindo de forma sistemática as decisões judiciais.
A notícia pegou investidores de surpresa na última semana, com um receio de que as operações da companhia sejam afetadas por possíveis indenizações. A acusação mina ainda mais a credibilidade da companhia, que já está abalada por recorrentes críticas quanto à qualidade dos serviços prestados.
Ainda é cedo para mensurar o impacto real do episódio na imagem e nos balanços da companhia, mas alguns players do mercado veem a situação com cautela. Para o Citi, por exemplo, a investigação não é um “bom presságio”, o que pode gerar volatilidade nas ações – conforme os pregões vem evidenciando.