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Colunista

Como as eleições na terra do Tio Sam refletem no Brasil?

Cortes sincronizados de juros e eleições na maior parte do mundo movimentam as bolsas

Por Bruno Funchal

13/03/2024 | 12:06 Atualização: 13/03/2024 | 12:06

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Nas minhas duas colunas anteriores procurei traçar os cenários dos investimentos para 2024. Primeiro, foi destacada uma tendência positiva para os investimentos de maior risco, uma vez que teremos, de forma inédita, um ano de corte sincronizado de juros na maior parte do mundo.

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Alguns como EUA, Inglaterra, Austrália e Europa, dentre outros, começarão o corte este ano, entre o segundo e o terceiro trimestre, enquanto outros como Brasil, Chile e Polônia continuarão os cortes iniciados em 2023. Esse cenário mostra uma tendência positiva para os ativos de risco.

Mas isso não ocorre sem emoção. Como foi destacado na coluna, teremos vários eventos que podem trazer volatilidade para os mercados, dentre eles a discussão sobre o início de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central estadunidense) e as eleições que ocorrem em boa parte do planeta, 75 países, mas principalmente a eleição americana.

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Na última semana ocorreu a Super Terça, que é o principal dia das eleições primárias para os partidos democratas e republicanos apontarem seus candidatos. Deu a lógica, e ao que tudo indica teremos um novo Biden vs Trump, a não ser que algo de muito inesperado aconteça.

Quem sai mais fortalecido é Trump. Inclusive algumas consultorias políticas relevantes, como a Eurásia, já têm apontado o favoritismo para o republicano. Esse favoritismo vem se reforçando por conta da queda de popularidade de Biden, que cai abaixo dos 40% de aprovação e essa marca dificulta, historicamente, a reeleição do incumbente.

Independentemente de quem esteja na frente das pesquisas hoje, teremos uma eleição apertada e polarizada, com agendas de governo bastante distintas que tendem a gerar ruídos e volatilidade nos mercados ao longo dos próximos meses.

Desafios da economia americana nesse novo embate: no passado covid, agora economia crescendo muito, mas com um alto risco fiscal, déficit nominal passando de 8%, com dívida atingindo níveis historicamente altos, ultrapassando os 124% do PIB, segundo o FMI, um novo grande desafio para qualquer um que assumir. Ambos foram responsáveis por esse desequilíbrio fiscal e levaram as agências de rating como S&P e Fitch a rebaixarem a economia americana em 1 nível.

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As propostas e as consequências para a economia e para os mercados são bastante diferentes para ambos os candidatos, dada as diferentes visões sobre tributação, regulação dos mercados e o papel do estado na economia.

Apesar da diferença de agendas, a questão fiscal não parece ter solução nem com democratas nem com republicanos.  A diferença é que um reforça o desequilíbrio pelo lado da despesa e outro pelo lado da receita, cobrando menos impostos. Com isso, o problema fiscal tende a crescer na próxima administração. A grande preocupação é que esse maior risco fiscal implique em maiores juros pagos pela economia americana, que, em última instância, afeta os níveis de juros em todo mundo. Um sinal disso são os treasures de 10 anos que tem variado entre 4 e 5%.

Apesar do desafio comum de um fiscal mais frouxo, a diferença está na forma. A taxação tende a ser menor em um governo republicano. Em 2017, foi aprovada uma lei que trouxe corte de impostos para as empresas. Esse corte expira em 2025. Sob uma administração Trump isso tende a ser renovado, e tem um custo fiscal de 3.5 trilhões de dólares. Para não deteriorar ainda mais, o governo deveria cortar gastos. Outro instrumento que deve ser usado são as tarifas de importação. Pelo lado democrata, a tendencia é deixar expirar, o que ajudaria a não pressionar ainda mais o fiscal.

A estratégia tarifária para proteção da economia também traz divergências entre as duas políticas. Para os republicanos, essa é uma importante fonte de receita e uma estratégia para concorrência desleal, principalmente com relação a China. Mesmo não sendo a principal estratégia democrata, há um consenso em relação a competição desleal da China e as tarifas foram mantidas durante o governo Biden.

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Apesar do alinhamento em relação a tarifa sobre produtos chineses, Trump vai além e tem plano de tarifar 10% de importação de todo o mundo, para arrecadar e proteger a indústria local. Assim, em termos de comercio internacional, com governo Biden a tendência é que seja mais pró-comércio internacional que Trump.

Existem várias outras diferenças entre ambos os candidatos no que concerne a economia. Em termos de regulação da economia, Trump tende a avançar na desregulamentação para dar mais liberdade para as empresas produzirem, revertendo muito do que foi feito na administração atual. Questões como redução da regulação ambiental e maiores incentivos a geração de energia, petróleo e gás podem acelerar. Esses movimentos podem criar um ambiente de negócios mais favorável sob governo Trump.

Com todas essas diferenças, o mercado financeiro americano tende a reagir bem com uma vitória de Trump, principalmente por conta da questão de redução de impostos e pela menor regulação da economia que entrega um ambiente de negócios mais amigável.

E como isso pode se refletir aqui no Brasil? Ao longo deste ano, o processo eleitoral tende a gerar incertezas no mercado, trazendo mais volatilidade. Independentemente de quem ganhe, não há uma previsão de melhoria fiscal, o que afetaria o prêmio de risco americano fazendo com que tenhamos taxas de juros maiores em todo o mundo.

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Uma mudança de governo Biden para Trump teria efeitos em algumas direções. A redução de impostos e a política de desregulamentação da economia favorecem o ambiente de negócios americano e pode ser indiretamente positivo para o Brasil. Por outro lado, uma política protecionista pode afetar diretamente alguns setores exportadores brasileiros.

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