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Colunista

O que você ainda não sabe sobre Warren Buffett, o maior investidor de todos os tempos

Pouco se fala sobre a impressionante estratégia de Buffett em cada período da vida; veja década por década como ele conquistou tanta riqueza

Por Ricardo Barbieri

28/05/2025 | 12:13 Atualização: 28/05/2025 | 12:13

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Estratégia de Warren Buffett nunca foi única, mas completamente adaptável, e isto caracteriza sua mente visionária, diz Barbieri. (Foto: Johannes Eisele/AFP)
Estratégia de Warren Buffett nunca foi única, mas completamente adaptável, e isto caracteriza sua mente visionária, diz Barbieri. (Foto: Johannes Eisele/AFP)

No início deste mês, o mundo dos investimentos recebeu o que talvez seja a notícia mais impactante da década: a aposentadoria de Warren Buffett, reconhecido de forma quase unânime como o maior investidor de todos os tempos.

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Muito se comenta das suas frases clássicas, como “o risco vem de não saber o que você está fazendo”, “a única razão de economizar dinheiro é investi-lo”, entre tantas outras. No entanto, pouco se destaca, cronologicamente, sua estratégia de crescimento de patrimônio e investimentos que se desenvolveu ao longo dos anos.

Buffett viu o mundo passar por revoluções industriais e tecnológicas profundas, depressões financeiras oriundas de crises e guerras, de modo que muitos acham – de forma equivocada –, que ele começou a investir tarde. É fato que ficou bilionário aos 56 anos, mas começou a investir ainda na adolescência.

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Convido você a acompanhar aspectos importantes que marcaram as diferentes fases da estratégia de Buffett ao longo dos anos.

Década de 1950: foco no Value investing

Em 1956, ainda com 25 anos, Warren Buffett deixou de trabalhar para Benjamin Graham, investidor que foi seu grande mentor, para trilhar seu próprio caminho fundando a Buffett Partnership Ltd., uma administradora que funcionava no formato de um fundo fechado.

Nessa fase, aplicou uma das estratégias que o acompanharia ao longo de toda a sua trajetória: o value investing (traduzindo para o português, algo como “investimento em valor”). A técnica visa o longo prazo e foca na compra de ações negociadas abaixo do seu valor intrínseco.

O período de estruturação foi até 1969 e o empreendimento apresentou retornos médios anuais de 23,8%. O resultado consistente indicava que sua mente já estava à frente do seu tempo.

Vivendo e aprendendo: diversificação marcou os anos 1960

A década de 1960 foi de crescimento para a economia americana, impulsionada principalmente pelas políticas keynesianas. Em 1962, Buffett passou a adquirir ações da Berkshire Hathaway, empresa têxtil que estava em fase de insolvência. Três anos depois, assumiu o controle da companhia, mas reconheceu que o setor têxtil não se mostrou promissor como ele imaginava.

Nessa fase, Buffett adotou uma técnica necessária para qualquer perfil de investidor: a diversificação. Apostando no setor de seguros, adquiriu a National Indemnity Company e obteve êxito com o modelo “float de seguros”. Sua grande jogada foi perceber que o float (recurso que as seguradoras recebem antes de realizar sinistros) poderia ser um capital gratuito para investir.

Década de 1970: as vantagens competitivas

Economicamente, foi uma década de incertezas e retração. Na esteira da crise do petróleo e da guerra no Vietnã, os Estados Unidos enfrentaram forte estagnação, inflação alta e aumento do desemprego.

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Nessa fase, Buffett adquiriu empresas observando fortemente o conceito das vantagens competitivas, ou seja, operações que apresentavam diferenciais em relação às suas concorrentes na entrega de valor aos clientes. Comprou ações da seguradora Geico em um momento difícil da empresa e, também, do jornal The Washington Post.

Juros compostos e empresas robustas no radar dos anos 1980

Após um período de saída da recessão e aumento da dívida pública, Buffett optou por investir em papéis de empresas que apresentavam crescimento consistente, técnica presente principalmente nas análises fundamentalistas.

Foi nessa época, mais precisamente em 1988, que ele começou a investir em empresas como Coca-Cola e Gillette, estratégia que o acompanhou nas décadas seguintes. Paralelamente, também passou a impulsionar os recursos de float do setor de seguros para investimento.

Buffett se tornou bilionário em 1986, tendo os juros compostos como aliados fundamentais. Os horizontes dos anos 1990 se mostrariam promissores.

Primavera dos anos 1990: ações classe B e expansão

A década que marcou a transição dos nostálgicos pregões por telefone para o uso do home broker (ordens de compra e venda feitas remotamente) trouxe uma nova etapa para a Berkshire, principal holding de Buffett. O investidor começou a apostar na aquisição de ativos classe B, um tipo de ação com menos direitos em relação às ações classe A, mas que abriu caminho para o aporte de pequenos investidores. Na prática, foi uma forma de democratizar o acesso à empresa, porém sem perder seu comando majoritário.

Na curva final da década, em 1998, Buffett participou da fusão da Capital Cities e da ABC, fortalecendo seu interesse estratégico em empresas de mídia.

Revolução tecnológica, novos setores e a crise de 2008

A virada dos anos 2000 trouxe aqueles que se tornariam uma espécie de extensão dos corpos: os smartphones. Foi o período em que a bolha da internet se desenvolveu e a economia global cresceu aceleradamente até a crise que implodiu o mercado em 2008. Disparadamente, esse foi o momento em que o investidor mais precisou de estômago na era moderna.

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Enquanto o mundo via dificuldades, Buffett visualizou oportunidades em tempos de incerteza ao adquirir papéis de empresas como General Electric, Bank of America e Goldman Sachs.

Embora a bolha da internet crescesse a olhos vistos, Buffett somente se rendeu ao setor em 2011, quando adquiriu papéis da IBM.

A curva pré-aposentadoria: tecnologia como consumo

Após anos resistindo ao setor tecnológico, em 2016, Buffett aumentou exponencialmente sua participação na Apple, reconhecendo na empresa a solidez na relação entre a marca de Steve Jobs e seus clientes. Vale destacar que a Apple já chegou a representar 51% do valor do portfólio da Berkshire.

Contudo, em 2024, Buffett vendeu metade das suas ações da Apple, o equivalente a um total de US$ 76 bilhões. Muitas pessoas não entenderam à época, mas ele se antecipou a uma queda vertiginosa que a empresa viria a sofrer na esteira da atual guerra tarifária.

Durante a pandemia, manteve uma estratégia cautelosa, reforçando a importância de ter reservas sólidas para tempos incertos.

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Ao longo dessa retrospectiva da trajetória de Buffett foram destacados diversos detalhes que nem todo mundo sabe sobre sua biografia. Em resumo, ele não acertou sempre, porém sua capacidade de se antecipar ao que cada época exigiu o manteve exitoso muitas vezes, porque sua estratégia nunca foi única, mas completamente adaptável.

Por trás de um grande investidor, há uma mente visionária e uma carteira paciente. Viva Warren Buffett!

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