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Investimentos

Trump reage à decisão da Suprema Corte e novas tarifas mexem com ações na Bolsa; veja o impacto na B3

Após a Corte limitar o uso de tarifas unilaterais, presidente dos EUA eleva alíquota para 15%

Por Isabela Ortiz

23/02/2026 | 14:17 Atualização: 24/02/2026 | 3:42

Investidores monitoram impactos da nova escalada tarifária dos EUA sobre ações brasileiras, em meio a disputa institucional que pressiona o dólar e altera fluxos globais. (Foto: Adobe Stock)
Investidores monitoram impactos da nova escalada tarifária dos EUA sobre ações brasileiras, em meio a disputa institucional que pressiona o dólar e altera fluxos globais. (Foto: Adobe Stock)

A nova escalada tarifária nos Estados Unidos voltou a mexer com os ativos brasileiros mais expostos ao comércio exterior. Depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos formar maioria para derrubar a aplicação unilateral de tarifas com base na IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), o presidente Donald Trump reagiu rapidamente e anunciou, via Truth Social, a elevação das tarifas globais de 10% para 15%, válidas por até 150 dias.

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A decisão foi tomada por seis votos a três. A maioria dos ministros entendeu que a Constituição americana confere ao Congresso, e não ao Executivo, o poder de instituir impostos, incluindo tarifas. Ao considerar ilegal o uso da IEEPA para esse fim, a Corte impôs um freio institucional relevante. Poucas horas depois, porém, Trump assinou uma ordem executiva com base na Trade Act de 1974 para restabelecer a tributação, agora sob outro fundamento jurídico, reacendendo o embate.

Para a Genial Investimentos, o episódio “alimentou a tese de dólar fraco e despertou apetite por risco em todas as classes de ativos”. Na avaliação da casa, mesmo com a resposta imediata da Casa Branca, o pano de fundo permanece construtivo para emergentes. A leitura é de que a incerteza institucional nos EUA pressiona a moeda americana e favorece fluxos para países como o Brasil.

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Segundo Raphael Bulascoschi, analista de inteligência e mercado da StoneX, o movimento atual é o capítulo mais recente de uma trajetória iniciada ainda na campanha eleitoral:

Para Bulascoschi, o julgamento da Suprema Corte reafirmou limites institucionais importantes ao Executivo em matéria comercial, mas não encerra a disputa. A nova base legal também pode ser questionada, prolongando a insegurança jurídica.

Aço e mineração

Nesse cenário, com a taxação de aço e alumínio, o setor siderúrgico voltou ao centro das atenções.

No fechamento desta segunda (23):

  • Gerdau (GGBR4) caiu 0,14% (R$ 21,61). Com operação relevante nos EUA, a empresa possui hedge natural, já que parte expressiva da receita é gerada localmente;
  • CSN (CSNA3) perdeu 0,58 % (R$ 8,53), mais exposta a exportações diretas;
  • Usiminas (USIM5) subiu 1,77% (R$ 6,33);
  • Vale (VALE3) avançou 0,67% (R$ 87,39), refletindo impacto indireto via atividade industrial global.

Mary Elbe Queiroz, presidente do Cenapret, observa que a decisão da Suprema Corte pode gerar inclusive passivos fiscais bilionários ao governo americano, com potencial devolução de até US$ 175 bilhões a importadores. Ao reconhecer que houve invasão de prerrogativas do Congresso, a Corte reforça os princípios da legalidade tributária e da separação de poderes.

Proteína e agronegócio

No setor de proteína:

  • JBS (JBSS32) caiu 1,94% (R$ 83,35);
  • Marfrig (MBRF3) registrou alta de 2,82%, a R$ 19,33.

Ambas têm presença produtiva nos EUA, o que suaviza impactos.

  • A SLC Agrícola (SLCE3) recuou 1,04% (R$ 16,10). Em disputas comerciais entre EUA e China, o Brasil historicamente amplia participação nas exportações de soja.

Julia Viana, analista de planejamento e suporte, destaca que Pequim tem adotado tom conciliador e ampliado compras de soja americana, mas lembra que rearranjos comerciais são comuns em ciclos de tensão tarifária.

Aeronáutica e indústria

A Embraer (EMBJ3) recuava 1,96% (R$ 93,83). Tarifas sobre aeronaves ou componentes impactariam diretamente a competitividade.

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Na indústria:

  • WEG (WEGE3) caiu 0,03% (R$ 51,97);
  • Tupy (TUPY3) subiu 1,27% (R$ 12,79).

O mercado diferencia companhias com produção internacional e capacidade de repasse de preços das mais dependentes de exportações diretas.

Dólar mais fraco, fluxo para emergentes e nova precificação de risco

A disputa entre Executivo e Judiciário nos Estados Unidos não afeta apenas o comércio internacional, ela altera a forma como o mercado precifica risco, câmbio e fluxo de capitais. Ao impor limites ao uso unilateral de tarifas e, ao mesmo tempo, assistir à tentativa do governo dos EUA de contornar a decisão por outra base legal, investidores passam a incorporar um prêmio maior de incerteza institucional aos ativos americanos.

Para a Genial Investimentos, esse ambiente reforça a tese de dólar estruturalmente mais fraco. A combinação de ruído político, insegurança jurídica e potencial impacto fiscal (inclusive com a possibilidade de reembolsos bilionários a importadores) tende a pressionar a moeda americana no médio prazo.

Karl Schamotta, da Corpay, avalia que a elevação da tarifa para 15% aumenta a alíquota efetiva de importação, pressionando empresas e consumidores nos EUA. Esse encarecimento pode reduzir dinamismo econômico e, paradoxalmente, enfraquecer o dólar. Ambientes de maior incerteza comercial costumam resultar em períodos adicionais de fraqueza da moeda, explica.

Já Peterson Rizzo, da Multiplike, destaca que a limitação ao poder tarifário unilateral reduz o risco de mudanças abruptas nas regras do jogo. Para ele, previsibilidade jurídica se traduz em maior capacidade de planejamento para exportadores e investidores brasileiros, especialmente em um cenário global ainda marcado por juros elevados e volatilidade.

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Na prática, o mercado começa a diferenciar dois vetores simultâneos: no curto prazo, maior oscilação; no médio prazo, possível redirecionamento de fluxo para emergentes. É nessa intersecção entre câmbio, risco institucional e comércio global que a Bolsa brasileira passa a ser novamente observada como destino potencial de capital internacional.

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