Como reação, o republicano assinou um decreto impondo 10% de tarifa global, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite impor tarifas de até 15% por até 150 dias para enfrentar desequilíbrios no balanço de pagamentos, sem investigação prévia.
Ibovespa hoje opera em queda à espera de desdobramentos da tarifa global de Trump: veja os destaques do pregão
Já no sábado (21), Trump ampliou a tarifa global de 10% para 15%. “Como presidente dos Estados Unidos da América, aumentarei, com efeito imediato, as tarifas globais de 10% (…) para o nível totalmente autorizado e legal de 15%”, escreveu em sua plataforma de mídia social Truth Social.
O pregão desta segunda-feira foi negativo para os grandes bancos, que foram os principais destaques de alta na sexta-feira. O Bradesco recuou 1,92% nos papéis ordinários (BBDC3) e 2,44% nos preferenciais (BBDC4), enquanto o Itaú(ITUB4) cedeu 3,62%. Santander(SANB11) e BTG Pactual(BPAC11) registraram perdas de 5,69% e 2,52%, respectivamente. Banco do Brasil(BBAS3) teve a menor baixa, de 0,59%.
Nos Estados Unidos, os índices de Nova York também operaram no vermelho: Dow Jones cedeu 1,66%, Nasdaq caiu 1,13% e S&P 500 teve desvalorização de 1,04%.
Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a dinâmica tarifária gera interpretações divergentes. Por um lado, a derrubada das tarifas recíprocas pode ajudar a controlar a inflação norte-americana. Por outro lado, a volatilidade nas decisões governamentais e a abertura de novas investigações comerciais introduzem um componente de incerteza que pode afetar o planejamento empresarial e a arrecadação federal no longo prazo.
“A percepção predominante é de que o protecionismo se tornou uma característica estrutural da política norte-americana, impulsionada por necessidades fiscais que dificultam um retorno aos modelos de comércio plenamente liberalizados do passado”, afirma o economista.
Para o Brasil, os efeitos tendem a ser positivos. Segundo estudo publicado no sábado pelo Global Trade Alert – órgão independente que monitora em tempo real políticas governamentais que afetam o comércio internacional –, com o novo regime em vigor, a tarifa de importação para os produtos brasileiros deve ser reduzida em 13,6 pontos porcentuais. O estudo elenca o Brasil como o país mais beneficiado pela medida.
Na avaliação da Ágora Investimentos, as principais empresas brasileiras favorecidas são Weg (WEGE3), Tupy (TUPY3), Randoncorp (RAPT4), Fras-le (FRAS3) e Iochpe-Maxion (MYPK3), com “impacto potencial pequeno e positivo” nas estimativas da corretora para os papéis e nos preços das ações.
“Após a decisão da Suprema Corte de anular as alíquotas de impostos que dependiam da IEEPA, as tarifas adicionais anteriormente aplicadas ao setor – especialmente aquelas que afetavam as máquinas e algumas peças automotivas da Weg – não estarão mais em vigor. Como resultado, mesmo com o aumento da tarifa global para 15%, o efeito líquido provavelmente é positivo, pois elimina sobretaxas anteriores”, afirma a Ágora.
Bolsas da Europa fecham sem sinal único
As bolsas da Europa encerraram o pregão desta segunda-feira sem direção única. Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,02%, a 10.684,74 pontos. Em Frankfurt, o DAX cedeu 1,09%, a 24.986,58 pontos. Em Paris, o CAC 40 recuou 0,22%, a 8.497,17 pontos. Já em Milão, o FTSE MIB avançou 0,49%, a 46.699,29 pontos. Em Madri, o Ibex 35 também fechou no campo positivo, marcando alta de 0,52%, a 18.280,80 pontos, assim como em Lisboa, onde o PSI 20 terminou o pregão com avanço de 1,71%, a 9.245,67 pontos.
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A União Europeia (UE) busca congelar o processo de confirmação do seu acordo comercial com os EUA e procura mais detalhes da administração Trump sobre o seu novo programa tarifário, disse a principal negociadora comercial do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no acordo com os EUA, Zeljana Zovko, em entrevista para a Bloomberg. Na sexta-feira, os mercados europeus fecharam em alta depois da derrubada das tarifas recíprocas.
Dólar cai no Brasil e no exterior
O dólar hojeapresenta trajetória de queda. No mercado doméstico, a moeda norte-americana recuou 0,14% a R$ 5,1686, fechando no menor valor desde o dia 28 de maio de 2024, quando estava cotada a R$ 5,1540. O índice DXY, que compara o dólar com outras seis moedas fortes, recuou 0,09% aos 97,706 pontos nesta tarde.
Para a Genial Investimentos, a derrubada das tarifas globais de Trump pela Suprema Corte americana alimentou a tese de dólar fraco, com moedas emergentes sendo as principais beneficiárias
Segundo a casa, mesmo com a resposta imediata do ex-presidente, o movimento de alívio prevaleceu. O episódio, na avaliação da corretora, reforça a percepção de que a incerteza institucional nos EUA segue como fator de pressão sobre a moeda norte-americana.
Ouro amplia ganhos com dólar fraco
O ouro hoje ampliou ganhos entre commodities, retomando nível de US$ 5.200 a onça-troy, em meio ao enfraquecimento do dólar no exterior nesta segunda-feira. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para abril encerrou em alta de 2,85%, a US$ 5.225,6 por onça-troy
Já a prata para março saltou 5,14%, a US$ 86,57 por onça-troy, mantendo o forte desempenho do fim da semana passada.