Ibovespa renova esperanças por novas altas após 2ª maior queda diária do ano. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje opera sob influência de uma combinação de fatores externos e domésticos relevantes. Às 14h10 desta sexta (6) o índice caía 0,51%, aos 179.545 pontos. Investidores digerem o payroll nos Estados Unidos e em meio a preocupações com a guerra no Oriente Médio. O relatório de emprego dos EUA mostrou corte de vagas e taxa de desemprego e salários abaixo das expectativas. Os conflitos entram no sétimo dia sem perspectiva de resolução e pressionando a cotação do petróleo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não haverá acordo com o Irã, a não ser “rendição incondicional”. As falas ajudam a acentuar as perdas das bolsas e avanço do dólar e dos juros futuros. Após breve respiro, quando subiu para o nível de 181 mil pontos, o Ibovespa retomou queda, adotou uma sequência de mínimas e foi para a marca dos 178 mil pontos, vista da última vez no fim de janeiro.
“Há uma preocupação muito grande em relação ao prolongamento do conflito, dado que o assunto tende a ter desdobramento importante sobre a cadeia de suprimentos mundial. Pode ter efeito inflacionário a depender de quanto vai durar”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
No Brasil, o radar inclui ainda a produção industrial de janeiro, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro, o balanço da Embraer (EMBJ3) – veja aqui os resultados –, a teleconferência da Petrobras (PETR3; PETR4) sobre seus resultados e uma nova pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral.
No exterior, além do payroll, dirigentes doFederal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Banco Central Europeu (BCE) participam de um fórum promovido pela Universidade de Chicago, às vésperas do Dia Internacional da Mulher.
Ibovespa hoje: petróleo direciona o pregão
O clima externo negativo tende a pressionar o Ibovespa hoje, embora o avanço do petróleo possa amenizar parte dos ajustes, em meio ainda à repercussão do balanço da Petrobras e à realização da teleconferência sobre os resultados da companhia.
Os American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobras avançavam 4,59% no mercado em NY, embora ontem (5) no after-hours os papéis tenham tido leve queda diante do lucro e dividendos aquém do esperado. Para o Citi, o resultado veio em linha, mas as atenções se voltam para o preço dos combustíveis. O banco acredita que a empresa poderá aumentar os preços dos combustíveis caso o risco de escassez no mercado interno aumente, mas ainda não consideram esse risco relevante.
No radar doméstico estão ainda os dados de produção industrial e do IGP-DI, além de nova pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral para a Presidência e o governo de São Paulo.
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Na renda fixa, a alta dos rendimentos dos Treasuries pode pressionar a curva de juros e reduzir o apetite por divisas emergentes, como o real, diante das preocupações inflacionárias associadas à valorização do petróleo.
Apesar disso, a tensão geopolítica ainda não altera a expectativa de início do ciclo de queda da Selic em março, mas já gera dúvidas sobre o tamanho do primeiro corte, com apostas divididas entre 0,25 e 0,50 ponto porcentual, e sobre a extensão do processo de flexibilização monetária.
Payroll influencia expectativas sobre juros nos EUA
O ambiente internacional permanece marcado pela cautela. A escalada das tensões no Oriente Médio continua no centro das atenções depois que Israel realizou ataques aéreos contra Teerã, no Irã, e Beirute, no Líbano, mirando alvos do Hezbollah e iniciando, segundo o governo israelense, uma “onda de ataques em larga escala”.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Peter Hegseth, afirmou que os bombardeios contra o Irã devem “aumentar dramaticamente”, elevando o temor de uma ampliação do conflito. Em paralelo, o Conselho de Liderança do Irã discute a convocação da Assembleia de Especialistas que escolherá um novo líder supremo.
A instabilidade geopolítica mantém os mercados financeiros atentos aos impactos sobre a energia e a inflação global. O petróleo voltou a subir, com o Brent acima da faixa de US$ 86 por barril, refletindo os riscos à oferta mundial.
Além do cenário geopolítico, os investidores acompanham o resultado do payrollque, segundo André Valério, economista sênior do Inter, veio muito abaixo do esperado.
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O especialista explica que a economia americana teve uma criação líquida negativa de emprego, com 92 mil empregos tendo sido retirados da economia, bem abaixo da expectativa, que era uma adição de 55 mil empregos. Com o resultado, a taxa de desemprego aumentou na margem, de 4,3% para 4,4%.
Dos 11 setores investigados, 9 tiveram redução no emprego, com destaque para educação e saúde, que retiraram 34 mil empregos e serviços de lazer e hospitalidade, que retiraram 27 mil empregos.
“Os dois únicos setores que apresentaram criação líquida de empregos foram serviços financeiros, que adicionou 10 mil empregos e outros serviços, que adicionaram 8 mil empregos”, diz Valério.
Além do resultado pior que o esperado, houve revisão negativa dos dois últimos meses, com o resultado sendo menor em 69 mil empregos, tornando a divulgação de dezembro negativa. O dado de janeiro ainda permaneceu forte, tendo sido revisado para baixo em apenas 4 mil empregos, com o saldo ficando em 126 mil empregos. Com isso, a média móvel de 3 meses desacelerou de maneira significativa, ficando em 6 mil empregos por mês, em média, enquanto a de 6 meses se tornou negativa, em 1000 empregos por mês.
“O dado de hoje volta a dar força à tese de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, mas a tarefa do Fed continua difícil”, pondera o economista do Inter.
Os salários continuam crescendo a ritmo robusto, tendo avançado 0,4% no mês e acumulando alta de 3,8% nos últimos 12 meses. Além disso, o dado pior que o esperado do índice de preços ao produtor implica que o Personal Consumption Expenditures (Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal – PCE) virá mais alto que o esperado inicialmente.
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O impacto da guerra no Irã se torna um fator de preocupação, com o preço do petróleo se aproximando de 90 dólares, o que pode se tornar uma pressão de alta na inflação americana nos próximos meses, caso o conflite perdure além do esperado ou se intensifique.
Por outro lado, explica André Valério, a queda no mês foi muito influenciada pela criação líquida negativa em Educação e Saúde e, em fevereiro, houve greve ampla entre trabalhadores de saúde.
“Portanto, para a reunião de março ainda esperamos que o Fed opte por manter a taxa de juros inalterada devido à elevada incerteza, mas o dado de hoje aumenta a probabilidade de cortes nos juros ao longo do ano. Por ora, mantemos expectativa de que novo corte só deve ocorrer na reunião de junho”, resume o especialista.
No cenário doméstico, a agenda também é movimentada. A produção industrial de janeiro será e o IGP-DI serão divulgados hoje pela manhã.
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Antes da abertura do mercado, a Embraer divulga seu balanço do quarto trimestre de 2025. Já a Petrobras realiza teleconferência com investidores para comentar seus resultados recentes.
O Banco Central promove ainda reuniões trimestrais com economistas em São Paulo, às 11h e às 14h, enquanto o instituto Datafolha deve divulgar uma nova pesquisa eleitoral ao longo do dia, sem horário definido. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda no Rio de Janeiro.
Impactos potenciais para o mercado brasileiro
Diante desse cenário, o Ibovespa hoje tende a sentir o peso do ambiente externo mais cauteloso. A alta dos rendimentos dos Treasuries pode pressionar a curva de juros brasileira e reduzir o apetite por moedas emergentes, como o real.
Por outro lado, o avanço do petróleo pode oferecer algum suporte para ações ligadas à commodity, especialmente em meio à repercussão dos resultados da Petrobras.
Apesar das tensões geopolíticas, o mercado ainda mantém a expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de corte da Selic em março. O que gera divergência entre os investidores é o tamanho do primeiro movimento, com apostas divididas entre uma redução de 0,25 ponto porcentual ou 0,50 ponto, além de dúvidas sobre a intensidade do ciclo de flexibilização monetária.
O que acontece nos mercados globais nesta manhã
Petróleo
Os contratos futuros do petróleo operam em alta, refletindo a volatilidade gerada pela guerra no Oriente Médio. Às 14h10, o WTI para abril subia 11,52%, a US$ 90,35, enquanto o Brent para maio avançava 1,81%, a US$ 83,99.
Futuros de Nova York
Os índices de Wall Street operam em queda após as perdas da sessão anterior. Por volta das 14h10, o Dow Jones recuava 1,35%, o S&P 500 caía 1,19% e o Nasdaq cedia 0,98%.
Bolsas europeias
Na Europa, os mercados também sufocam. Às 14h10, a Bolsa de Londres caia 1,24%, Paris caia 0,65% e Frankfurt perdia 1,13%.
Treasuries
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano inverteram sinal. O juro da T-note de 2 anos caia a 3,548%, o da T-note de 10 anos cedia 4,127% e o do T-bond de 30 anos chegava a 4,761%.
Câmbio
O dólar apresenta comportamentos mesclados frente ao euro e à libra, que subia a US$ 1,339. O índice DXY, que compara a divisa dos EUA com outras seis concorrentes, opera negativo com recuo de 0,33% nesta manhã de sexta-feira.