Mas a resiliência operacional da estatal compensou parte desse impacto. A Petrobras fechou o 4T25 com um lucro líquido de US$ 2,899 bilhões, revertendo o prejuízo de US$ 2,780 bi do mesmo período de 2024. A receita de vendas foi de US$ 23,608 bi, uma alta de 13% no comparativo anual e de 0,6% no trimestral.
O Ebitda ajustado ficou em US$ 11,107 bi, em linha com as projeções de mercado. Trata-se de uma alta de 55% em relação ao 4T24, mas um recuo de 3,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Os resultados da Petrobras no quarto trimestre de 2025 (4T25) foram recebidos com avaliações majoritariamente positivas por BTG Pactual, Itaú BBA, Eleven Financial e Suno Research. Embora a queda nos preços do petróleo Brent tenha pressionado as receitas, o aumento na produção e o segmento de refino foram pontos de destaque unânimes entre os bancos.
O Itaú BBA classificou o resultado como positivo, enfatizando que o fluxo de caixa operacional de US$ 10,2 bilhões superou suas estimativas em 14%, beneficiado pela liberação de capital de giro.
A Suno Research destacou que, já há algum tempo, a escalada operacional da Petrobras tem sido o grande destaque e o principal motor de valor da companhia. “Mesmo com um ciclo de investimentos mais intenso, a saúde financeira segue impecável”, diz o analista João Daronco. “A combinação de crescimento acelerado de produção no pré-sal com rígida disciplina de capital blinda a companhia contra oscilações de mercado e a consolida como uma máquina de alto retorno e geração de caixa para o acionista.”
A boa surpresa: dividendos
Antes do balanço da Petrobras ser divulgado, havia certo ceticismo com a capacidade da companhia de se manter como uma boa pagadora de dividendos, como mostramos aqui.
Mas a estatal surpreendeu positivamente. A companhia encaminhou para a Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para 16 de abril de 2026, a proposta de distribuição de remuneração aos acionistas no montante de R$ 8,1 bilhões relativa ao quarto trimestre de 2025. Isso equivale a cerca de US$ 1,5 bilhão, um montante 15% acima das expectativas do mercado, destacou o Itaú BBA.
Esse foi o ponto alto do balanço na visão do BTG Pactual. “Dividendos ligeiramente acima do esperado, graças à redução no capital de giro compensou a maior parte das saídas de caixa extraordinárias no trimestre (leilão da PPSA e o acordo de unitização de Jubarte)”, explicou o banco em relatório.
Ações em alta, call de compra
As ações da Petrobras estão em alta na manhã desta sexta-feira (6), reflexo dos números do 4T25. Às 10h18, logo após a abertura do pregão, a PETR3 subia 2,23%, enquanto a PETR4 tinha alta de 2,24%.
A petroleira vem de um bom início de ano, impulsionada pela forte entrada de capital estrangeiro na B3 e a alta do preço do petróleo no mercado internacional. As ações acumulam altas acima de 30% desde janeiro, fazendo o valor de mercado da estatal flertar com as máximas históricas.
Ainda assim, os bancos acham que vale a pena comprar o papel. O BBA tem recomendação de compra para PETR4, com preço-alvo de R$ 43, enquanto a Eleven vê o papel a R$ 41 em 12 meses.
O BTG, por sua vez, recomenda as American Depositary Receipt (ADRs) da Petrobras, com preço-alvo de US$ 15 por papel.