O avanço das cotações já levou governos a discutir medidas emergenciais para conter o choque de oferta. No Japão, autoridades instruíram depósitos da reserva estratégica nacional a se preparar para uma eventual liberação de petróleo bruto, segundo o jornal The Japan Times, em meio à preocupação com a interrupção do fluxo vindo da Ásia Ocidental.
A escalada na cotação do petróleo ocorre após cortes de produção por grandes países do Golfo e a paralisação quase total do tráfego comercial no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quarto da produção mundial de petróleo.
O salto dos preços intensificou a aversão ao risco nos mercados globais, pressionando bolsas de valores internacionais e fortalecendo o dólar, enquanto investidores recalibram expectativas para inflação e política monetária nas principais economias. O movimento ocorre em um momento sensível da agenda econômica, com indicadores de inflação relevantes previstos para esta semana nos Estados Unidos e no Brasil.
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Petróleo se aproxima de US$ 120
No pico do movimento, registrado mais cedo, o petróleo do tipo Brent para maio chegou a saltar 26,56%, para US$ 117,62 o barril, enquanto o WTI para abril disparou 30,13%, a US$ 118,76. Esses foram os maiores ganhos diários já registrados para os contratos futuros da commodity.
A escalada foi registrada durante a madrugada e início da manhã desta segunda-feira. Por volta das 15h (de Brasília), a alta ainda era expressiva, embora menor após relatos de uma possível ação coordenada de países desenvolvidos para conter o avanço dos preços. Nesse horário, o WTI subia 3,65%, a US$ 94,22 na Nymex, enquanto o Brent avançava 6,45%, a US$ 98,67 na ICE.
O salto do petróleo ocorreu após a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, sucedendo Ali Khamenei, em meio à escalada da guerra na região. Ao mesmo tempo, grandes produtores do Golfo começaram a reduzir a oferta da commodity, enquanto o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado.
Em meio à escalada das tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que o aumento do preço dos combustíveis já é sentido globalmente e tende a continuar avançando. “O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”, disse o presidente ao comentar os impactos da guerra no Irã sobre as cadeias globais de energia. Lula também afirmou ter manifestado preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o fornecimento de energia, insumos e alimentos.
Segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), o tráfego comercial pelo estreito, por onde passa cerca de 25% da produção mundial de petróleo, está praticamente paralisado.
Disparada do petróleo afeta todo o mercado financeiro
A disparada da commodity também reverbera nos mercados financeiros. Bolsas europeias operam em forte queda, as bolsas de Nova York recuam e investidores buscam proteção no dólar e em títulos do Tesouro norte-americano (Treasuries).
No Brasil, a alta do petróleo também se reflete nas ações de empresas de óleo e gás listadas na B3. Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) aparecem entre os principais destaques positivos do pregão. Às 15h (de Brasília), as ações ordinárias subiam 4,11%, a R$ 47,66, enquanto as preferenciais avançavam 3,66%, a R$ 43,65, acompanhando a disparada da commodity no exterior.
A alta do “ouro negro” também se estende a outras petroleiras da bolsa brasileira. No mesmo horário, os papéis da PetroReconcavo (RECV3) cediam 0,31%, a R$ 12,83, enquanto as ações da Brava Energia (BRAV3) subiam 1,47%, a R$ 20,02. Já a PRIO (PRIO3) ganhava 5,24%, a R$ 62,51.
O salto dos preços pressiona também setores intensivos em combustível, como companhias aéreas, transporte, logística e indústrias químicas e de fertilizantes.
Com informações do Broadcast.