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Mercado

Depois de saltar acima de US$ 100 por barril, petróleo perde força com declarações de Trump sobre a guerra

Commodity chegou a subir perto dos US$ 120 nesta segunda-feira (9) após escalada do conflito no Irã

Por Igor Markevich

09/03/2026 | 9:54 Atualização: 09/03/2026 | 19:59

Petróleo dispara e chega perto de US$ 120 após escalada da guerra no Oriente Médio e bloqueio do Estreito de Ormuz. Alta da commodity eleva aversão ao risco global. (Imagem: Adobe Stock)
Petróleo dispara e chega perto de US$ 120 após escalada da guerra no Oriente Médio e bloqueio do Estreito de Ormuz. Alta da commodity eleva aversão ao risco global. (Imagem: Adobe Stock)

O petróleo hoje ampliou o rali das últimas sessões e chegou a se aproximar de US$ 120 por barril na madrugada desta segunda-feira (9), em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio e a novas interrupções no fornecimento global da commodity. Já de tarde, a aceleração da alta arrefeceu, e os barris do tipo Brent e WTI fecharam o dia negociados a US$ 98,96 e US$ 94,77, respectivamente.

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Contudo, novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram recebidas com euforia no mercado global, que tirou o petróleo do positivo e o fez mergulhar em direção a uma queda de 9% nos contratos futuros do WTI, em Nova York. Em entrevista à rede CBS, Trump afirmou que o conflito com o Irã está perto de ser concluído. Ele negou o desfecho da guerra, logo depois, em entrevista coletiva, e afirmou que a invasão realizada no Irã foi “um sucesso”. Considera que ofensiva americana será uma “incursão de curto prazo” em razão do enfraquecimento militar iraniano, como mostra reportagem do Estadão.

O avanço das cotações já levou governos a discutir medidas emergenciais para conter o choque de oferta. No Japão, autoridades instruíram depósitos da reserva estratégica nacional a se preparar para uma eventual liberação de petróleo bruto, segundo o jornal The Japan Times, em meio à preocupação com a interrupção do fluxo vindo da Ásia Ocidental.

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A escalada na cotação do petróleo ocorre após cortes de produção por grandes países do Golfo e a paralisação quase total do tráfego comercial no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quarto da produção mundial de petróleo.

O salto dos preços intensificou a aversão ao risco nos mercados globais, pressionando bolsas de valores internacionais e fortalecendo o dólar, enquanto investidores recalibram expectativas para inflação e política monetária nas principais economias. O movimento ocorre em um momento sensível da agenda econômica, com indicadores de inflação relevantes previstos para esta semana nos Estados Unidos e no Brasil.

Confira tudo sobre o mercado hoje aqui.

Petróleo fecha acima de US$ 90

No pico do movimento, registrado mais cedo, o petróleo do tipo Brent para maio chegou a saltar 26,56%, para US$ 117,62 o barril, enquanto o WTI para abril disparou 30,13%, a US$ 118,76. Esses foram os maiores ganhos diários já registrados para os contratos futuros da commodity.

A escalada foi registrada durante a madrugada e início da manhã desta segunda-feira. No fechamento, a alta ainda foi expressiva, embora menor após relatos de uma possível ação coordenada de países desenvolvidos para conter o avanço dos preços. O WTI subiu 4,3%, a US$ 94,77 na Nymex, enquanto o Brent avançou 6,8%, a US$ 98,96 na ICE.

O salto do petróleo ocorreu após a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, sucedendo Ali Khamenei, em meio à escalada da guerra na região. Ao mesmo tempo, grandes produtores do Golfo começaram a reduzir a oferta da commodity, enquanto o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado.

Em meio à escalada das tensões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (9) que o aumento do preço dos combustíveis já é sentido globalmente e tende a continuar avançando. “O preço do petróleo está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”, disse o presidente ao comentar os impactos da guerra no Irã sobre as cadeias globais de energia. Lula também afirmou ter manifestado preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o fornecimento de energia, insumos e alimentos.

Segundo o Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), o tráfego comercial pelo estreito, por onde passa cerca de 25% da produção mundial de petróleo, está praticamente paralisado.

Disparada do petróleo afeta todo o mercado financeiro

A disparada da commodity também reverberou nos mercados financeiros. Bolsas europeias fecharam em forte queda, enquanto as bolsas de Nova York avançaram.

No Brasil, a alta do petróleo também se refletiu nas ações de empresas de óleo e gás listadas na B3. Os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) apareceram entre os principais destaques positivos do pregão. As ações ordinárias subiram 2,12%, a R$ 46,75, enquanto as preferenciais avançaram 2,49%, a R$ 43,16, acompanhando a disparada da commodity no exterior.

A alta do “ouro negro” também se estendeu à PRIO (PRIO3), que ganhou 0,52% a R$ 59,70.

Com informações do Broadcast.

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