Funcionou, contam Fabio Macedo, COO, e Fabio Trevisan, diretor de marketing da Webull Brasil. Os clientes que entraram pela promoção ficaram, mas eram sobretudo do varejo.
Trata-se de um investidor comum, que está começando a diversificar o portfólio no exterior e viu na campanha da Webull uma forma de conseguir uma “entrada” mais vantajosa. É só olhar os produtos mais negociados na plataforma até aqui: ações das big techs, ETFs de metais e índices de ações americanos, mas, também, a conta remunerada com cobertura do FDIC, o “FGC dos EUA” que garante aplicações de até US$ 250 mil por banco.
Agora, com esse público já dentro de casa, a Webull quer focar naqueles que fizeram a corretora crescer muito no exterior. Os traders.
A companhia anunciou nesta terça-feira (10) a um grupo de jornalistas o lançamento de um novo produto e quatro novas funcionalidades na plataforma, todas elas demandas desse tipo de investidor.
A partir de abril, a corretora vai ampliar as operações de derivativos, incluindo a negociação de contratos futuros. Hoje, as operações de futuros feitas no Brasil vem de contratos de mini-índice (Ibovespa) e de mini-dólar. Lá fora, no entanto, é possível negociar índices de bolsa, taxas de juros, energia, metais, commodities e até “exóticos”, como são chamados os contratos ligados a clima. Produtos que vão estar disponíveis para o investidor brasileiro, agora sem a necessidade de abertura de conta em uma corretora do exterior.
O volume de negociação desses derivativos nos EUA é tão grande que a Webull (considerando o player global) sozinha negocia em um mês mais do que a B3 no ano inteiro, destacam os executivos. “Esse é o tamanho potencial desse mercado”, diz Trevisan.
O produto vai estar na prateleira da Webull Brasil em 1º de abril. Antes disso, a plataforma também vai disponibilizar acesso a estratégias de opções classificadas como nível 3, além de aluguel de ações nas bolsas americanas, overnight trading nos cinco dias úteis da semana e reinvestimento automático de dividendos.
Para impulsionar o lançamento das novas funcionalidades, a corretora zerou a corretagem dos contratos futuros e de opções por 60 dias — ou até atingir 500 contratos de cada modalidade, o que acontecer primeiro. A empresa também dará acesso gratuito ao data market da CME e da OPRA até 31 de dezembro.
A Webull tem 26 milhões de clientes em 14 países e não abre os números específicos de Brasil. A expectativa por aqui é continuar a crescer, capturando share do mercado dos investidores de varejo que querem diversificar o portfólio no exterior, mas principalmente como plataforma referência para traders.
As novas funcionalidades devem ajudar a atrair esse público, mas a empresa aposta ainda em uma mudança estrutural tida como um “game changer” para o day trade e que vem dos EUA. É a possibilidade de mudança na Pattern Day Trade Rule, regra que determina um patrimônio mínimo de US$ 25 mil que o investidor pessoa física deve manter em conta para operar livremente.
Em setembro de 2025, autoridades do mercado americano aprovaram a redução desse limite para US$ 2 mil. Desde então, a pauta aguarda aprovação da Securities and Exchange Commission (SEC), a “CVM dos EUA”.
Para um investidor brasileiro que faz day trade com ativos americanos, o mínimo vai cair de mais de R$ 100 mil para cerca de R$ 10 mil; uma barreira de entrada bem menor e que pode ampliar a quantidade de traders.
“Isso muda o mercado global. O próprio americano era obrigado a manter conta em várias corretoras para operar no limite em cada uma”, explica Fabio Macedo. “A nossa expectativa é que o investidor acabe concentrando seus investimentos. E conosco.”