O destaque do dia foi a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito no Irã. O republicano disse que houve avanço nas negociações para o fim das hostilidades no Oriente Médio e, com isso, determinou a suspensão dos ataques à infraestrutura civil do país.
A chancelaria iraniana, no entanto, adotou um tom mais cético em relação às declarações do presidente americano. O Ministério das Relações Exteriores do Irã sugeriu que o país não estava dialogando com os Estados Unidos sobre o fim da guerra e afirmou que a declaração de Trump fazia parte de um esforço para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o WTI para maio fechou em queda de 10,28% a US$ 88,13 o barril. Já o Brent para junho recuou 9,86% a US$ 95,92 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Segundo Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, o mercado teve um dia de forte recuperação nesta segunda-feira, puxado principalmente pelo cenário externo. “No Brasil, o movimento foi generalizado, com destaque para os bancos, que acompanharam a melhora do ambiente global e também se beneficiaram da queda dos juros”, afirma.
Em Nova York, o Dow Jones avançou 1,38%, o S&P 500 subiu 1,15% e o Nasdaq teve alta de 1,38%. As companhias aéreas se beneficiaram da queda do petróleo: as ações da American Airlines e United Airlines subiram 3,74% e 4,46%, respectivamente. As empresas de cruzeiro marítimo também se somaram aos ativos em recuperação, com a Carnival em alta de mais de 5,5%, após afundar mais de 18% desde os ataques ao Irã.
O dólar hoje fechou em queda de 1,29% cotado a R$ 5,2407. “A sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada de uma pausa temporária nos ataques, levou o mercado a reprecificar um cenário de menor probabilidade de escalada do conflito, o que desencadeou um movimento mais amplo de enfraquecimento da moeda americana”, explica Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
As maiores altas do Ibovespa hoje
As três ações que mais valorizaram no dia foram MBRF (MBRF3), Vamos (VAMO3) e CSN (CSNA3).
MBRF (MBRF3): 14,34%, R$ 18,98
As ações da MBRF (MBRF3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e saltaram 14,34% a R$ 18,98. Os papéis refletiram o alívio nas tensões no Oriente Médio.
A MBRF3 está em baixa de 8,22% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 5,01%.
Vamos (VAMO3): 9,72%, R$ 3,5
Quem também se saiu bem foi a Vamos (VAMO3), com alta de 9,72% a R$ 3,5. Os papéis cíclicos (mais sensíveis aos ciclos econômicos) beneficiaram-se do recuo dos juros futuros na sessão.
A VAMO3 está em baixa de 20,09% no mês. No ano, acumula uma valorização de 8,7%.
CSN (CSNA3): 9,18%, R$ 6,54
Completando os destaques positivos, a CSN (CSNA3) subiu 9,18% a R$ 6,54. A empresa anunciou a assinatura de um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, com possibilidade de aumento para até US$ 1,4 bilhão. Os recursos serão utilizados para refinanciar dívidas existentes e cobrir custos relacionados ao empréstimo.
A CSNA3 está em baixa de 24,13% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 26,85%.
As maiores quedas do Ibovespa hoje
A única ação que desvalorizou no dia foi a Prio (PRIO3).
Prio (PRIO3): -2,84%, R$ 65,96
As ações da Prio (PRIO3) sofreram a única queda do Ibovespa hoje e cederam 2,84% a R$ 65,96, diante da desvalorização do petróleo no exterior. Os papéis corrigiram parte dos ganhos do último pregão, quando dispararam 3,14%.
A PRIO3 está em alta de 21,05% no mês. No ano, acumula uma valorização de 59,25%.
*Com Estadão Conteúdo