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Investimentos

As maiores pagadoras de dividendos de 2026: quem lidera e quais podem sustentar retornos de até 17%

Resiliência diante do ciclo econômico e conflitos geopolíticos e antecipação de proventos para fugir de tributos impulsionaram a remuneração até agora; 3 companhias devem segurar o ritmo daqui para a frente

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Katherine Rivas
Editado por Wladimir D'Andrade

06/04/2026 | 5:30 Atualização: 03/04/2026 | 13:04

Com juros em queda e eleição no horizonte, ações pagadoras de dividendos voltam ao centro das estratégias para 2026 (Foto: Adobe Stock)
Com juros em queda e eleição no horizonte, ações pagadoras de dividendos voltam ao centro das estratégias para 2026 (Foto: Adobe Stock)

Mesmo diante dos receios de que o pagamento de dividendos fique fora de moda por conta da nova tributação de rendimentos, o primeiro trimestre de 2026 (1T26) trouxe até gratas surpresas entre as ações que se destacam como boas pagadoras. Em algumas, a resiliência diante do ciclo econômico e conflitos geopolíticos impulsionou as remunerações. Em outras empresas, os reflexos da antecipação de proventos vista na reta final de 2025, ainda deixou legado.

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Levantamento da Elos Ayta Consultoria para o E-Investidor revela quais foram as empresas que se destacaram como maiores pagadoras de dividendos no primeiro trimestre de 2026 (considerando distribuições feitas de janeiro a março). Na lista, os dividend yields (retorno com proventos) chegam até 17,87% no trimestre e proventos por ação de até R$ 4,16.

Entre os nomes que se destacam, nem todas são empresas de setores perenes. A lista inclui: Moura Dubeux, PetzCobasi, Petrorecôncavo, Armac, BB Seguridade e Copel. Veja tabela abaixo:

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O que impulsionou estes pagamentos

A maior pagadora de dividendos do 1T26 foi a construtora Moura Dubeux (MDNE3) que apresentou retorno em dividendos de 17,87%, ao distribuir R$ 4,16 por ação. O economista e analista Felipe Paletta, explica que a companhia se beneficiou nos últimos anos do forte volume de repasses de lançamentos de empreendimentos imobiliários que refletiram no caixa em 2025, abrindo espaço para uma distribuição maior no começo deste ano.

Já na visão de Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, o dividend yield elevado também teve influência de um movimento muito forte de antecipação de proventos na reta final de 2025, quando a incorporadora também participou da corrida antes da reforma tributária.

Na segunda posição está a PetzCobasi (AUAU3), com dividend yield de 16,38% no trimestre. No passado, a Petz, que integra o setor varejista, tradicionalmente não se destacava pela distribuição de lucro aos investidores, mas Paletta reforça que esses proventos estão diretamente relacionados com a consolidação do negócio com a Cobasi. “É natural que em uma operação desse tamanho a empresa faça um trabalho de estrutura de capital, devolvendo o excedente aos investidores, otimizando o seu retorno”, aponta o analista.

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Simão lembra que parte do valor das ações da Petz não foi convertida em participação na nova empresa PetzCobasi, portanto, precisou ser devolvida aos acionistas em dinheiro, o que deu lugar ao dividendo robusto.

A petroleira Petrorecôncavo (RECV3) ocupa a terceira posição no ranking. A companhia  apresentou retorno em dividendos de 9,05%, com R$ 1,02 distribuído no primeiro trimestre. Paletta cita que o provento elevado reflete um momento muito positivo para a empresa, que acelerou a produção em campos de petróleo no ano passado, se beneficiando do preço do barril em patamar rentável. Sem grande necessidade de investimentos em projetos a curto prazo, a PetroRecôncavo teve um espaço maior para fazer distribuições aos acionistas.

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Na quarta posição aparece a empresa de máquinas e equipamentos Armac (ARML3), com dividend yield de 9,03%. A companhia acumulou resultados fortes nos últimos anos e uma boa reserva de lucro. A leitura de Paletta é que diante da desaceleração da atividade econômica do País, somada a reservas elevadas de lucro e desmobilização de equipamentos seminovos, a Armac optou por equalizar a posição de caixa, distribuindo boa parte do resultado aos investidores.

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E ainda no TOP5, uma empresa clássica entre as vacas leiteiras da Bolsa de Valores brasileira: a BB Seguridade (BBSE3), que entregou dividend yield de 7,17%, com um montante por ação de R$ 2,59. A BB Seguridade remunera os seus acionistas semestralmente e o dividendo referente ao segundo semestre de 2025 foi pago no começo de março, impulsionando o dividend yield para um dos maiores da B3.  O próximo pagamento da BB Seguridade pode acontecer em agosto, pela lógica semestral, segundo Milton Rabelo, analista da VG Research.

 Se sustenta?

O estudo da Elos Ayta Consultoria traz uma projeção sob critérios quantitativos de quanto estas empresas podem entregar de dividend yield nos próximos 12 meses. A estimativa segue a prerrogativa de que a companhia vai manter a política de distribuição e dividendos vista no último ano, assim como o lucro dos próximos 12 meses deve ser igual ou superior ao registrado no período passado.

Placa com a logo da BB Seguridade (BBSE3) em ambiente corporativo.
O CFO da BB Seguridade (BBSE3), Rafael Sperendio, afirmou que a companhia não espera estabilidade nem crescimento do lucro em 2026. (Imagem: Adobe Stock)

Mas é importante frisar que considerando fundamentos e oscilações de mercado financeiro, nem todas as projeções de dividend yield podem se concretizar.

No consenso dos analistas consultados pelo E-Investidor, uma forte candidata a manter as remunerações elevadas é a BB Seguridade. Para Bruno Oliveira, analista do Vida de Acionista, um dos principais pontos vem da sinalização da companhia. Ele explica que o CFO, Rafael Sperendio, já indicou ao mercado que 2026 pode apresentar uma pequena queda do lucro da seguradora, porém nada que pareça substancial do ponto de vista de remuneração ao acionista.

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Segundo Oliveira, quando se observa o histórico da empresa, o cenário parece confortável. “ Ao longo dos últimos dez anos, a BB Seguridade não registrou uma queda anual no lucro líquido superior a 20%. Mesmo em uma leitura conservadora, assumindo retração no lucro de 2026 em 10%, a companhia pode entregar um resultado de R$ 8 bilhões, suficientemente robusto para sustentar dividendos elevados”, afirma.

A seguradora também oferece um sinal importante: manter a diretriz do payout (parcela do lucro destinada a proventos) de 90% ou acima deste nível.

Para Jayme Simão, PetroRecôncavo, BB Seguridade e Copel tendem a manter as remunerações nos próximos 12 meses. No caso da PetroRecôncavo, o analista cita a continuidade de uma geração de caixa robusta por conta dos preços de petróleo favoráveis, o que sustenta os proventos.

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Já no caso da Copel (CPLE3), Simão lembra que após a privatização da companhia elétrica, a empresa adotou uma política de dividendos mais clara e previsível, com geração de caixa estável oriunda das operações de distribuição e geração de energia.

As candidatas a melhores pagadoras nos próximos meses

Entre as empresas candidatas a serem as maiores pagadoras de dividendos dos próximos 12 meses, três nomes são consenso entre os agentes de mercado: BB Seguridade, Caixa Seguridade e Petrobras.

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No caso da BB Seguridade, Rabelo, da VG Research, destaca que embora 2026 possa ser um ano mais desafiador para a seguradora, o valuation descontado (avaliação de quanto vale a empresa com base na projeção de geração de caixa futura) das ações e os generosos pagamento de dividendos esperados devem manter a visão positiva para a companhia. “No meu entendimento, BB Seguridade segue sendo um dos investimentos mais óbvios da Bolsa brasileira para fins de renda passiva”, destaca.

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Rabelo aponta que a BB Seguridade tem estrutura de custos mais enxuta, margens de lucro elevadas e forte geração de caixa, o que respalda a estabilidade dos resultados e distribuição consistente de proventos. Contudo, há desafios, principalmente puxados pela redução da Selic, que tende a exercer uma pressão negativa no resultado financeiro da seguradora.

“De acordo com estimativas do próprio CFO da BB Seguridade, cada corte de um ponto porcentual na taxa básica de juros representa uma redução de R$ 100 milhões por ano no resultado financeiro da companhia”, diz o analista.

Desta forma, Rabelo enfatiza que as perspectivas para BB Seguridade em 2026, sugerem um ano mais desafiador com baixo crescimento de lucros ou retração no resultado final. Tanto ele, como os outros analistas, esperam dividend yield para BBSE3 no intervalo entre 6,5% e 12% nos próximos 12 meses.

Selic em queda e petróleo em alta devem beneficiar CXSE3 e PETR4

No caso da Caixa Seguridade (CXSE3), Oliveira cita que a seguradora é uma das raras empresas brasileiras que nos últimos quatro anos conseguiu ter uma trajetória de proventos por ação nominalmente crescentes e sucessivos. “Um eventual ciclo de queda da Selic pode funcionar como catalisador de resultados operacionais, pelo impacto positivo em linhas ligadas a crédito imobiliário, segmento em que a companhia tem exposição relevante”, diz.

Os analistas projetam um retorno em dividendos entre 7,5% e 10% para os próximos 12 meses.

A Petrobras (PETR4) fechou o 4T25 com alta de 18,6% na produção de óleo e gás, alcançando 3,081 milhões de boed. No ano, produção média cresceu 11,1%, segundo relatório enviado à CVM. (Imagem: Adobe Stock)

Já a Petrobras (PETR3; PETR4) deve ser beneficiada principalmente pelo cenário macroeconômico e político, com preços de petróleo mais altos por mais tempo, diante do conflito no Oriente Médio, na visão de Paletta. “Além disso, a Petrobras se beneficia de um excelente momento operacional, com crescimento de produção e venda, o que favorece fortes distribuições”, diz.

Para Simão, a produção crescente no pré-sal, aliada a custos competitivos de produção, e uma política de remuneração que prevê distribuições ordinárias e extraordinárias atreladas aos resultados dão fôlego para manter dividendos robustos nos próximos meses.

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Os analistas projetam dividend yield de 9% até 13% para a petroleira nos próximos 12 meses.

Além destas empresas, os analistas citam como candidatas a boas pagadoras: CSN Mineração (CMIN3), Taesa (TAEE11), Direcional (DIRR3), BMG (BMG4), Gerdau (GGBR4), Telefônica (VIVT3), Isa Energia (ISAE4), CPLF (CPFL3) e a mineradora Vale (VALE3).

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