Petrobras dispara no 1º trimestre com alta do petróleo e entrada de capital estrangeiro (Foto: Adobe Stock)
As ações da Petrobras (PETR4) encerraram o primeiro trimestre de 2026 com a maior alta em quase 30 anos. Segundo dados do TradeMap, enviados ao E-Investidor, os papéis preferenciais da estatal subiram 57,9% entre os meses de janeiro e março, encerrando o período cotados a R$ 48,67. O desempenho só fica atrás da alta de 60,28%, alcançada no quarto trimestre de 1999.
Os fatores por trás desses ganhos estão mais relacionados à dinâmica do mercado internacional do que com os aspectos internos da companhia. Segundo especialistas, a escalada das tensões geopolíticas desencadeadas pelo presidente americano, Donald Trump, tem levado os investidores estrangeiros a diversificar portfólios, reduzindo suas alocações nos Estados Unidos e redirecionando para mercados financeiros emergentes, como o Brasil.
Dados mais recentes da B3 mostram que os gringos alocaram no Brasil cerca de R$ 53,8 bilhões no acumulado do ano até o momento. Em todo o ano de 2025, esse volume somou R$ 26,8 bilhões. O fluxo beneficiou especialmente as companhias de maior porte e com maior liquidez na bolsa de valores, como é o caso da Petrobras.
Além disso, Caio Borges, analista da Eleven Financial, explica que, antes desse movimento de alta, os papéis da estatal eram negociados a múltiplos atrativos, o que favoreceu ainda mais a guinada da ação.
“O acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com destaque para as ações dos Estados Unidos e de Israel na região, trouxe um catalisador adicional decisivo”, acrescenta o especialista.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, os investidores temem os efeitos na economia global diante do risco de desabastecimento global do petróleo. Os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã resultaram no fechamento do Estreito de Ormuz, responsável pelo escoamento de 20% da commodity produzida no mundo.
A imprevisibilidade quanto à normalização desse fluxo tem pressionado o preço do barril de petróleo que, nas últimas semanas, segue sendo negociado acima dos US$ 100 mil. Para as petroleiras, a alta da commodity é positiva por beneficiar os seus resultados financeiros.
Ainda assim, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) não são as favoritas para Fabiano Vaz, sócio e analista de ações da Nord Investimentos. Para o especialista, as expectativas para a estatal em 2026 continuam negativas em função dos riscos de ingerência governamental. Além disso, com uma eventual trégua dos conflitos, os preços do petróleo tendem a se normalizar.
“Devemos ver as ações um pouco mais pressionadas à medida que o ciclo eleitoral se aproxima em função dos riscos de ingerência do governo. Por isso, mantemos recomendação neutra. Para o setor, temos preferência para as ações da PRIO (PRIO3)”, diz Vaz