Apesar disso, a XP estima melhora a partir do segundo trimestre (2T26) , quando o crescimento deve ganhar tração e as economias da reorganização começariam a aparecer nos resultados. Assim, a XP elevou suas estimativas de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, Ebitda, em 5% e lucro líquido em 2% para 2026.
A corretora também aumentou o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 12 para R$ 14, 37,25% acima do último fechamento, e manteve a recomendação de compra. Na leitura da XP, 2026 deve materializar um novo ciclo da companhia, com foco em crescimento orgânico e em retorno de capital aos acionistas, e com o momentum de lucros ganhando força a partir do segundo trimestre.
Para os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, a dinâmica de receita ainda deve vir pressionada no primeiro trimestre pelo Brasil e pelos efeitos da Onda 2 na Hispana, enquanto o Ebitda reportado seria impactado pela desalavancagem operacional e pelos custos de rescisão da reorganização.
A XP estima prejuízo líquido de R$ 40 milhões e Dívida Líquida sobre Ebitda (ex-IFRS) em 2,2 vezes, em alta em relação ao trimestre anterior, atribuída à sazonalidade do fluxo de caixa livre do período e a efeitos pontuais de caixa, como custos de rescisão e o acordo Chapman, parcialmente compensados pelos recursos da venda da Avon Rússia.
No Brasil, a expectativa é de que a Natura siga pressionada, mas com leve melhora ante o quarto trimestre, com projeção de queda de 1% ante o último ano, após recuo de 2,2% no quarto trimestre, possivelmente em função de ajustes para promover produtividade.
Para a Avon, a XP projeta continuidade da pressão, citando que o relançamento esteve disponível para as consultoras apenas no ciclo 6, iniciado em 27 de março.
Na operação Hispana, a XP espera melhora em relação ao trimestre anterior, com o México estabilizando a operação após a Onda 2, enquanto a Argentina seguiria sofrendo com ventos contrários de integração, somados a um macro fraco.
Como resultado, a XP estima a Natura praticamente estável em reais, com alta de 8,5% em moeda constante, e queda de 19% para a Avon, equivalente a recuo de 12% em moeda constante.
Do lado de margens, a XP aponta a margem bruta como sólida, mas vê a margem Ebitda como o ponto negativo. Para a corretora, a desalavancagem operacional é um desafio, além de uma base de comparação difícil, porque a companhia colocou projetos em espera no primeiro trimestre de 2025 após um quarto trimestre de 2024 fraco.
A XP estima custos de rescisão de R$ 300 milhões, que devem pressionar os resultados, com economias apenas a partir do segundo trimestre. Excluindo esses custos, a corretora projeta queda de 2,8 pontos porcentuais na margem Ebitda.