Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio encerrou esta sexta-feira (10) cotado a US$ 96,57 o barril. Já o Brent para junho atingiu o nível de US$ 95,20 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). Na semana, ambos recuaram 13,4% e 12,7%, respectivamente, refletindo a percepção de descompressão dos riscos geopolíticos.
Em Wall Street, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq apresentaram desempenho misto na semana, com viés mais cauteloso diante da inflação americana elevada e das incertezas geopolíticas. Na semana, o Dow subiu 3%, o S&P 500 ganhou 3,6% e o Nasdaq, 4,7%. No mercado doméstico de câmbio, o dólar caiu 2,88% no intervalo a R$ 5,0115, chegando a tocar a mínima de R$ 5,0055 ao longo da semana, o menor nível desde abril de 2024. A moeda americana acumula perdas de 3,23% em abril, após ter avançado 0,87% em março. No ano, o dólar recua 8,70% em relação ao real. O movimento da semana foi impulsionado pela redução do prêmio de risco global e, principalmente, pelo forte fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros, favorecendo a valorização do real.
As incertezas sobre as negociações para um cessar-fogo no Oriente Médio seguiram no radar, mas a percepção de que pode haver uma resolução mais próxima do conflito ajudou a reduzir o prêmio de risco global. Esse movimento favoreceu ativos de países emergentes, como o Brasil, que se destacou pelo ingresso consistente de recursos externos tanto na bolsa quanto na renda fixa. “O mercado ainda opera com certa cautela enquanto não houver um acordo mais claro envolvendo Estados Unidos e Irã, mas o fluxo estrangeiro segue sustentando a bolsa brasileira, que tem se beneficiado também da valorização cambial”, afirma Fernando Bresciani.
Na semana, a Petrobras (PETR3; PETR4) avançou 1,85% nas ações ordinárias e 2,17% nas ações preferenciais. A Vale (VALE3) registrou ganhos de 1,83%, acompanhando o movimento positivo das blue chips, enquanto setores como bancos e utilities foram impulsionados pelo fluxo externo.
No cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março veio acima das expectativas e também entrou no radar dos investidores. A inflação subiu 0,88% no mês, puxada principalmente pelos combustíveis, refletindo os impactos do petróleo no cenário global. Apesar da leitura mais pressionada, parte do mercado avalia que uma eventual acomodação dos preços da commodity pode aliviar a inflação nos próximos meses, embora o dado reforce uma postura mais cautelosa do Banco Central no curto prazo.
As maiores altas do Ibovespa na semana
As três ações que mais valorizaram na semana foram Hapvida (HAPV3), C&A (CEAB3) e Auren (AURE3).
Hapvida (HAPV3): 24,76%, R$ 13,21
Em meio a mudanças no comando da empresa, as ações da Hapvida (HAPV3) registraram a maior alta do Ibovespa na semana, com avanço de 13,05%.
C&A (CEAB3): 12,96%, R$ 13,60
Os papéis da C&A (CEAB3) subiram 12,96% no período, acompanhando o bom desempenho do setor de utilities, favorecido pelo fluxo estrangeiro.
Auren (AURE3): 10,58%, R$ 13,90
A Auren (AURE3) completou os destaques positivos, com alta de 10,58%.
As maiores quedas do Ibovespa na semana
As três ações que mais desvalorizaram na semana foram Azzas (AZZA3), Suzano (SUZB3) e MBRF (MBRF3).
Azzas (AZZA3): -17,33%, R$ 20,80
As ações da Azzas (AZZA3) registraram a maior baixa do Ibovespa na semana, com queda de 10,88%, pressionadas por relatório do Bank of America.
Suzano (SUZB3): -7,26%, R$ 47,20
Os papéis da Suzano (SUZB3) caíram 6,12% no período, após forte valorização recente e rebaixamento de analistas do BofA.
MBRF (MBRF3): -4,62%, R$ 19,83
A MBRF (MBRFS3) também figurou entre as maiores perdas, com recuo de 5,45%, em meio a revisões negativas por parte de analistas refletindo tensões no Oriente Médio.
*Com Estadão Conteúdo