No final de março, o Magazine Luiza (MGLU3) lançou seu primeiro CDB do MagaluPay no mercado. Criada recentemente, após obter licença do Banco Central em 2025, a financeira traz a iniciativa com o objetivo de diversificar, precificar e ampliar sua oferta de serviços, como explica o CEO Jörg Friedemann. O movimento permite ao Magalu financiar mais com a eficiência sua carteira de crédito direto ao consumidor, com o intuito a longo prazo de integrar crédito, seguros e investimentos à jornada de compra dos clientes.
Mas o Magalu não está sozinho nessa ofensiva. Outras varejistas também têm recorrido ao mercado de renda fixa por meio de suas financeiras. A Pernambucanas, via Pefisa, oferece CDBs com rentabilidade de até 110% do CDI e prazo mais longo, em torno de quatro anos. Já a Riachuelo (RIAA3), por meio da Midway, trabalha com papéis de cerca de cinco anos, pagando em torno de 102% do CDI. No caso do PagSeguro, através do PagBank, a estratégia é diferente: a instituição chega a oferecer até 130% do CDI, mas em prazos mais curtos, com opções inclusive de liquidez diária.
Esses títulos, no caso do MagaluPay, já estão disponíveis para investidores por meio da plataforma da XP Investimentos, ampliando o acesso do público a esse tipo de produto. E essa distribuição via corretoras não é exclusividade. Os CDBs da Pernambucanas, emitidos pela Pefisa, e da Riachuelo, por meio da Midway, também são ofertados na mesma plataforma, consolidando a XP como um dos principais canais de distribuição dessas emissões.
Já o caso do PagSeguro segue uma lógica diferente. Os CDBs do PagBank são distribuídos diretamente no próprio aplicativo da instituição.
Taxa alta não significa maior retorno total
Embora, à primeira vista, as taxas mais altas chamem atenção, a comparação entre os produtos exige um olhar mais amplo. Não basta analisar apenas o percentual do CDI, é preciso considerar o prazo da aplicação e o impacto do Imposto de Renda no resultado final.
Em um cenário com o CDI em torno de 14,65% ao ano, uma aplicação de R$ 10 mil ajuda a ilustrar essa diferença. Segundo Henrique Soares, planejador financeiro CFP pela Planejar, um CDB do MagaluPay, com taxa próxima de 104,75% e prazo de cerca de três anos, levaria o valor a aproximadamente R$ 15,3 mil brutos, ou cerca de R$ 14,5 mil líquidos. Já no caso da Pefisa, com 110% do CDI e prazo de quatro anos, o montante final subiria para algo próximo de R$ 18,1 mil brutos e R$ 16,9 mil líquidos.
O efeito dos juros compostos se torna ainda mais evidente em prazos maiores. Um CDB da Midway, com cerca de cinco anos de duração, poderia praticamente dobrar o capital inicial, alcançando algo próximo de R$ 20 mil brutos. Por outro lado, o CDB do PagBank, mesmo com taxa mais elevada de até 130% do CDI, tende a entregar um valor final menor em razão do prazo mais curto, ficando próximo de R$ 14,1 mil brutos em cerca de dois anos.
Não esqueça da liquidez
Como explica o planejador financeiro, a análise mais completa deve considerar o valor acumulado até o vencimento, já descontando impostos. Segundo ele, o prazo da aplicação tem impacto direto no resultado, tanto pelo efeito dos juros compostos quanto pela tributação, que segue uma tabela regressiva — começando em 22,5% para aplicações curtas e chegando a 15% para prazos superiores a dois anos.
Riscos embutidos
Apesar das diferenças entre os produtos, os riscos envolvidos são essencialmente os mesmos. Todos esses CDBs são emitidos por financeiras ligadas ao varejo, o que significa que o risco está associado à saúde financeira dessas instituições e à qualidade de suas carteiras de crédito, especialmente em segmentos mais sensíveis à inadimplência. Ratings de crédito, como o AA- atribuído ao MagaluPay, ajudam a balizar essa percepção, mas não eliminam o risco.
A maior parte desses papéis exige que o investidor permaneça até o vencimento para capturar a rentabilidade prometida. Em caso de resgate antecipado, quando disponível, o valor pode oscilar e até ficar abaixo do investido, dependendo das condições de mercado.
Por outro lado, há uma camada importante de proteção: todos contam com a garantia do FGC, que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
Como escolher um CDB?
A escolha do CDB mais adequado depende menos da taxa isolada e mais do perfil e dos objetivos do investidor. Quem busca liquidez e flexibilidade tende a se beneficiar das opções do PagBank. Já quem pode abrir mão do dinheiro por mais tempo pode encontrar retornos mais expressivos em papéis como os da Pefisa ou da Midway. No meio do caminho, o MagaluPay aparece como uma alternativa de equilíbrio entre rentabilidade, prazo e percepção de risco.
A entrada das varejistas no mercado de CDBs amplia as opções disponíveis e aumenta a concorrência na renda fixa. Mas, ao mesmo tempo, exige do investidor uma análise mais cuidadosa porque, quando a taxa sobe, a importância de escolher bem também cresce.