Isso equivale a 60,6 milhões de brasileiros e brasileiras que declararam ter dinheiro aplicado em produtos financeiros, enquanto 107,7 milhões ainda seguem fora do mercado financeiro. Olhando os últimos cinco anos, a base de investidores cresceu de 31% para 36% da população. É considerado investidor quem, no momento da pesquisa, declarou ter aplicações financeiras – que podem ter sido feitas em 2025 ou não.
Sinais de perda de interesse em ativos de maior risco
A pesquisa mostra sinais de perda de interesse em ativos de maior risco. A participação em ações, por exemplo, caiu de 3% para 2% no período — reforçando um movimento de maior conservadorismo e possível aversão ao risco em um ambiente ainda pressionado por condições financeiras mais restritivas.
Dos 24% que investiram em 2025, 10% fizeram aplicações financeiras, 9% compraram imóveis e outros bens e 4% se voltaram para os negócios. As diferenças entre classes sociais são marcantes. Enquanto na classe A e B 42% das pessoas afirmam ter feito investimentos em 2025, sendo 24% em aplicações financeiras, 13% em bens duráveis e 5% em empreendimentos ou negócios, o percentual é de 12% na classe D e E. Nesse grupo, apenas 2% fizeram aplicações financeiras; 6% optaram por bens duráveis e 4%, por empreendimentos ou negócios.
Segurança (44%) e retorno (33%) são as vantagens dos produtos financeiros mais citadas por quem é considerado investidor. Nesse público, quase um terço não enxerga nenhuma desvantagem de investir. Comprar imóvel (32%) e manter aplicado (22%) são os destinos mais mencionados para o retorno das aplicações.
Um contingente de 8% (14,5 milhões) investem e indicam intenção de deixar de investir em 2026. Já 14% (23,2 milhões) não investem, mas afirmam que vão começar neste ano. Se as intenções se concretizarem, o saldo projetado é de mais 8,7 milhões de novos investidores em 2026.
A 9ª edição do levantamento da Anbima parte de uma pesquisa de campo realizada pelo Datafolha entre os dias 4 e 21 de novembro de 2025, com aplicação de questionário e abordagem pessoal. Foram realizadas 5.832 entrevistas nas cinco regiões do Brasil. A amostra reflete a população brasileira com 16 anos ou mais, de todas as classes econômicas, com ou sem renda individual. É um universo estimado em cerca de 168,1 milhões de pessoas, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2023, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Gargalo de entrada no mercado financeiro
Também influencia no recuo do números de investidores no país um problema estrutural: embora 33% dos brasileiros tenham conseguido poupar em 2025, apenas uma parcela (19%) efetivamente converte essa reserva em investimento, evidenciando um gargalo de entrada no mercado.
A falta de espaço para novos investimentos também segue como ponto de atenção. Cerca de 64% dos brasileiros não investem em produtos financeiros, entre os quais 55% não guardam dinheiro de nenhuma forma. Razões para não guardar dinheiro estão nas condições financeiras desfavoráveis (75% em 2021; 82% em 2025). A renda média dos não investidores é quase 40% menor que a dos investidores.
Falta de educação financeira também entra na conta. Cerca de um terço da população também gasta mais do que ganha. Entre essas pessoas, dívidas em atraso são mais comuns, enquanto reserva de emergência e investimentos são mais raros. O nível de estresse financeiro, calculado pela segunda vez no Raio X, permaneceu estável, com o alto estresse atingindo 47% das pessoas. Outros 48% têm nível de estresse médio.
A adesão às apostas online, que cresceu de 14% para 17% da população em três anos, ficou estável em 2025 e continua impedindo que mais pessoas invistam em produtos financeiros. Ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade continua sendo a principal motivação (39%), mas a visão recreativa avança (32% das pessoas que apostam dizem ter o hábito por diversão, ante 26% nas duas edições anteriores).