Mauro Dahruj, sócio-diretor da Hedge Investments, avalia que os FoFs podem ganhar protagonismo com a queda dos juros no Brasil (Foto: Hedge Investments/Arte E-Investidor)
Os fundos imobiliários voltaram a chamar atenção dos investidores com a retomada do ciclo de queda de juros no Brasil. Embora a guerra no Oriente Médio adicione incertezas quanto à continuidade dessa política em 2026, o recuo recente da Selic tende a favorecer a classe de ativos, especialmente os FIIs de tijolos que investem em imóveis físicos e dependem mais da dinâmica na economia doméstica. Ainda assim, o ambiente exige cautela: os juros continuam em níveis restritivos, o que limita o apetite a risco.
Neste cenário, Mauro Dahruj, sócio-diretor e gestor de FOFs da Hedge Investments, avalia que os fundos de fundos (FOFs) podem assumir um papel mais estratégico nas carteiras. Os FOFs são fundos imobiliários que investem pelo menos 95% dos seus recursos em cotas de outros fundos ao invés de comprar imóveis físicos ou investir em títulos de dívidas imobiliárias.
Para o investidor, a principal vantagem é ter a oportunidade de estar posicionado em uma carteira diversificada em fundos imobiliários, gerida por um profissional, por meio de um único aporte. Por isso, o executivo ressalta que o segmento “reúne o melhor dos dois mundos” dentro da indústria de fundos imobiliários.
“Os FOFs possuem carteiras que, quando você avalia a precificação, enxerga um potencial de ganho de capital semelhante ou superior ao de tijolo, partindo de um dividend yield elevado e parecido com o dos fundos de papel”, diz Dahruj em entrevista ao E-Investidor.
Confira a entrevista do E-Investidor com Mauro Dahruj
A Hedge Investments, asset com R$ 11 bilhões sob gestão em real estate, possui um dos maiores fundos de fundos da indústria. Com um patrimônio de R$ 1,78 bilhão, a carteira do Hedge Top FOF (HFOF11) é distribuído em FIIs de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), lajes corporativos, logístico, renda urbana, shoppings e uma pequena parcela em outros FOFs.
Além dessa diversificação, o fundo da casa é negociado com um desconto de 14% em relação ao seu valor patrimonial, enquanto seu potencial de valorização pode superar os 30% caso os fundos presentes em sua carteira passem a negociar nos níveis considerados justo pelo mercado.
“Quando buscamos oportunidades, priorizamos duas coisas: ativos com bons fundamentos e preços atrativos”, destaca o executivo.
A entrevista com Mauro Dahruj faz parte de uma série produzida pelo E-Investidor com os principais gestores do FIIs do País. O conteúdo reúne análises e estratégias dos profissionais que ajudam a definir os rumos da indústria de fundos imobiliários no Brasil.