Uma fonte iraniana disse à CNN que Teerã pode ver as negociações serem retomadas se os EUA suspenderem o bloqueio aos portos iranianos e o Irã reabrir completamente o Estreito de Ormuz, enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país persa, Esmaeil Baqaei, enfatizou que encerrar a guerra e estabelecer uma paz sustentável continuam sendo as principais prioridades nas negociações.
Apesar da proposta de acordo, ainda não detalhada, ter despertado alívio nos mercados financeiros neste feriado do dia do trabalho para muitos país, as tensões continuam presentes. Trump disse na tarde desta sexta-feira (1º) não estar satisfeito com o Irã, após conversas por telefone com a liderança persa e recentes negociações bilaterais. O Tesouro dos EUA também ampliou hoje sanções ao comércio de petróleo iraniano com a China.
As forças norte-americanas já redirecionaram 45 navios comerciais no Estreito de Ormuz, informou o Comando Central americano (CENTCOM, na sigla em inglês), à medida que Washington mantém seu bloqueio naval.
Assim, mais um mês chegou ao fim sem que se visse nenhuma luz no fim do túnel para a guerra com o Irã, diz o Swissquote Bank. O Deutsche Bank pontua que o petróleo teve um desempenho em forma de “U”, terminando abril não muito longe de onde começou, mas com o Brent subindo mais de 25% em relação às mínimas do meio do mês.
Em Wall Street, as petrolíferas ExxonMobil (EXXO34) e a Chevron (CHVX34) recuaram após apresentarem seus desempenhos trimestrais, enquanto a Apple (AAPL34) avançou com balanço positivo de ontem.
Dólar e Treasuries no radar
Os juros dos Treasuries (títulos públicos norte-americanos) operaram sem direção e dólar recuperou certo terreno ante o iene, após despencar na sessão passada com uma possível intervenção cambial do Japão.
Segundo o LMAX Group, o câmbio continua sendo guiado pela dinâmica de intervenções no iene e pela mudança nas expectativas globais de juros. A menos que Washington se envolva, o ING acredita que haverá boa demanda por dólar perto de 155 ienes, devido aos preços altos de energia, ao aperto monetário hesitante do Banco do Japão (BoJ, em inglês) e a um Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sendo tirado de sua trajetória mais acomodatícia.
Os dirigentes do BC dos EUA Neel Kashkari (Minneapolis), Beth Hammack (Cleveland) e Lorie Logan (Dallas) justificaram hoje a dissidência na decisão da última quarta-feira, quando a autoridade monetária manteve os juros inalterados, mas sugeriu a possibilidade de um corte na reunião de junho.
Para Kashkari, essa sinalização é indevida diante dos riscos inflacionários associados ao conflito no Oriente Médio. Hammack, por sua vez, argumentou que a incerteza em torno das perspectivas econômicas aumentou em 2026. Já Logan afirmou que a próxima alteração da taxa de juros pode ser tanto um aumento quanto um corte.
Tensões aumentam com ameaças de Trumo contra a Europa
O presidente dos EUA, Donald Trump, ainda ameaçou elevar tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia (UE) para 25%, com o argumento de que o bloco não está cumprindo integralmente o atual acordo comercial. Porém, não haverá tarifa se o bloco europeu passar a produzir veículos nos EUA, acrescentou o republicano.
O presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, Bernd Lange, classificou como “inaceitável” a ameaça e criticou Washington por ser um parceiro “pouco confiável”. O pronunciamento ocorreu depois do fechamento da bolsa de Londres, que teve queda em meio aos resultados corporativos e repercussões da decisão de manutenção dos juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, em inglês). A liquidez foi reduzida em meio a um feriado que manteve outros mercados acionários europeus fechados.
Nos dados dos EUA, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial subiu para 54,5 em abril, segundo pesquisa final divulgada hoje pela S&P Global. O resultado ficou acima da estimativa inicial e da previsão do mercado. Já o índice de atividade industrial elaborado pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM) permaneceu em 52,7 em abril e frustrou analistas, que esperavam alta a 53,2.
No Reino Unido, o PMI industrial teve alta acima do previsto em abril, a 53,7.
* Com informações do Broadcast