A leitura das casas converge nesse ponto. O trimestre trouxe sinais de eficiência e disciplina de custos, mas não alterou de forma estrutural a discussão sobre crescimento.
A Ativa Investimentos avalia que o resultado foi positivo pelo lado da rentabilidade, mesmo com um “top line” mais fraco. A receita líquida consolidada somou R$ 22,5 bilhões, praticamente estável e abaixo da estimativa de R$ 22,7 bilhões, enquanto o lucro líquido atingiu R$ 3,9 bilhões, em linha com o esperado.
No operacional, a margem bruta ficou em 51,6%, acima das projeções, e a margem de Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda) avançou para 33,8%, refletindo ganhos na maior parte dos mercados e melhora no controle de despesas. A casa mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 17, o que implica potencial de alta de 17,2%.
Na XP, a avaliação é de que, embora o trimestre não configure um “beat” (surpresa positiva) relevante, há espaço para reação positiva do mercado. O Ebitda ajustado foi de R$ 7,5 bilhões, alta de 1,5% na comparação anual e em linha com as estimativas, enquanto o lucro líquido chegou a R$ 3,7 bilhões, 5,4% acima do projetado pela casa.
O destaque, para a casa, foi a operação de cerveja no Brasil, com crescimento de volume de 1,2% e avanço de 8,3% na receita por hectolitro (100 litros), impulsionada por mix mais favorável e iniciativas de gestão de preços. A XP também aponta pressões de custo abaixo do esperado, o que sustentou o desempenho de margens.
O Citi, por sua vez, classifica o balanço como acima do esperado. O lucro líquido foi de R$ 3,89 bilhões, cerca de 8% superior às projeções do banco. A instituição destaca a recuperação de volumes na operação de cerveja no Brasil e a expansão de margens, que avançaram cerca de 60 pontos-base mesmo diante de pressões de custos.
Por outro lado, o resultado financeiro seguiu como ponto de atenção, com saldo negativo de R$ 1,06 bilhão, pressionado por hedge cambial e derivativos, o que limitou a conversão do desempenho operacional em lucro. O Citi mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 16, equivalente a um potencial de valorização de 10,8%.
Em comum, as análises indicam que a companhia começa a entregar uma melhora mais consistente na rentabilidade, enquanto o crescimento de receita ainda depende de um ambiente de consumo mais favorável e de evolução nos volumes fora do Brasil.
*Com informações da Broadcast.