Neste contexto, o Safra traz recomendação neutra para as ações da empresa, com preço-alvo é de R$ 13,50, embora afirme que, se o bom momento dos resultados se mantiver, isso pode justificar um desempenho positivo das ações.
A companhia projeta um cenário de crescimento sustentado nos próximos trimestres, apoiado na expansão de seu ecossistema, na integração de negócios e na disciplina financeira, destacaram executivos da companhia em teleconferências.
A empresa, que reúne ativos de saúde do Bradesco, como Odontoprev (ODPV3) e Atlântica, por exemplo, tem direcionado sua estratégia para combinar aumento de base de clientes, expansão de serviços e manutenção de rentabilidade, em um ambiente que ainda inspira cautela, especialmente do lado da sinistralidade.
Um dos pilares dessa estratégia é a integração de diferentes frentes de atuação. Segundo o diretor-presidente, Carlos Marinelli, a companhia busca conectar todos os elementos da cadeia de saúde, reunindo planos médicos, odontológicos e ativos hospitalares em uma mesma plataforma. Essa coordenação permite ampliar sinergias e criar ofertas mais completas para clientes corporativos e individuais.
Nesse contexto, a empresa já avança com soluções integradas, como a combinação de planos de saúde e odontológicos em uma única negociação. A proposta é evoluir esse modelo com novos produtos e conexões entre negócios, além de explorar o potencial de ativos como a Atlântica Hospitais e Participações, que deve ganhar maior relevância ao longo do tempo.
A expansão também passa por crescimento inorgânico e novos investimentos, de acordo com as oportunidades que surgirem no mercado. O diretor Financeiro, Vinícius Cruz, afirmou que a BradSaúde está aberta a operações de fusões e aquisições (M&A, da sigla em inglês) e à expansão de suas atividades, desde que alinhadas à geração de valor. A companhia avalia oportunidades em diferentes segmentos, como oncologia, mas condiciona o ritmo de avanço aos resultados das iniciativas já em curso.
Apesar do apetite por crescimento, segundo ele, a empresa não abre mão da rentabilidade. A alocação de capital seguirá critérios rigorosos, com foco em retorno dos investimentos e disciplina na execução, especialmente em projetos intensivos em capital, como a expansão da rede hospitalar.
No campo operacional, a BradSaúde observa com cautela a evolução da sinistralidade em 2026. Embora o primeiro trimestre tenha sido beneficiado por fatores sazonais e menor utilização, a companhia identifica um movimento de mercado desde 2025 de aumento na frequência de uso e nos custos médios por atendimento, o que pode pressionar os resultados nos próximos períodos.
Ao mesmo tempo, o crescimento da base de beneficiários segue como vetor relevante. A companhia tem ampliado o número de vidas tanto pela retenção de clientes quanto pelo lançamento de novos produtos, com foco em diferenciação e competitividade. A estratégia inclui não apenas conquistar novos contratos, mas manter clientes por longos períodos, com altas taxas de renovação, sobretudo no segmento empresarial.
Por fim, a BradSaúde busca equilibrar expansão e retorno ao acionista. A empresa pretende manter sua política de dividendos, ao mesmo tempo em que investe no desenvolvimento do ecossistema. Com resultado operacional robusto e contribuição relevante do resultado financeiro, impulsionado por uma posição de caixa sólida, a companhia aposta em um modelo de crescimento contínuo, integrado e sustentável no médio e longo prazo.