Ambas as casas mantém recomendação de compra para a petroleira, sendo que a XP tem preço-alvo de R$ 52,00 por ação e o Safra de R$ 50,90.
A Petrobras reportou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recorrente de US$ 11,7 bilhões entre janeiro e março, alta de 7% na comparação trimestral. Ainda assim, o resultado veio abaixo do esperado por casas de análise. A XP destacou que o indicador ficou 7,1% inferior à sua projeção, enquanto o Safra apontou um desempenho 9% abaixo do consenso de mercado.
Segundo o analista Regis Cardoso, da XP, o principal fator por trás da decepção foi o preço de realização das exportações de petróleo bruto, em torno de US$ 72 por barril. Embora o Brent tenha avançado 27% no trimestre, os preços efetivamente capturados pela companhia subiram apenas 6,5% no período.
Na avaliação do Banco Safra, o descompasso ocorreu por um “efeito de cronograma”, já que os preços e volumes mais altos do petróleo demoraram mais do que o esperado para serem refletidos nos resultados. O banco afirma que parte das cargas ainda estava em trânsito e que a precificação das exportações utiliza referências do mês anterior, retardando o impacto positivo da commodity nos números do trimestre.
O número que surpreendeu
Apesar do desempenho mais fraco em exploração e produção (E&P) e gás, o Safra destacou que o segmento de refino surpreendeu positivamente. O Ebitda ajustado da área mais que dobrou na comparação trimestral, impulsionado por ganhos com estoques, redução nas importações de derivados e condições mais favoráveis para exportação.
O lucro líquido da estatal ficou em US$ 6,2 bilhões, praticamente em linha com as projeções da XP e 3% acima da estimativa do Safra. O banco atribuiu o avanço frente ao trimestre anterior, quando a Petrobras havia lucrado US$ 2,9 bilhões, à melhora operacional, ao efeito cambial positivo e à reversão da baixa contábil da UFN III. Parte desse ganho, porém, foi compensada pelo aumento das despesas tributárias.
No caixa, os resultados também vieram aquém do esperado. O fluxo de caixa livre somou US$ 3,9 bilhões no trimestre, abaixo tanto da projeção do Safra, de US$ 6 bilhões, quanto do consenso de mercado, de US$ 5,1 bilhões. Segundo o banco, o consumo de capital de giro acabou limitando uma melhora maior, apesar do avanço operacional e da redução dos investimentos.
Dividendos anunciados
A Petrobras anunciou ainda distribuição de US$ 1,8 bilhão em dividendos, equivalente a um retorno de cerca de 1,4% no trimestre. XP e Safra consideraram o valor abaixo das expectativas.
Para a XP, o primeiro trimestre “decepcionou” e pode provocar uma reação negativa das ações no curto prazo. Ainda assim, a corretora pondera que isso não deve levar a revisões relevantes nas estimativas futuras da companhia.
O Safra segue linha semelhante e afirma que os fundamentos permanecem sólidos. Na visão do banco, os benefícios de preços e volumes mais altos devem aparecer de forma mais evidente no segundo trimestre, à medida que o efeito de timing se dissipar.
A XP também projeta melhora nos próximos meses, citando a expectativa de maior captura da alta do Brent nos preços de exportação, reajustes de derivados e os efeitos do programa de subsídio ao diesel do governo.