De janeiro a março, a Hapvida reportou um lucro líquido ajustado de R$ 244 milhões no primeiro trimestre de 2026. No Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, da sigla em inglês), a companhia somou R$ 346 milhões, recuo anual de 46,8%. Já o indicador ajustado totalizou R$ 803 milhões, queda de 20%.
No primeiro trimestre, a receita líquida somou R$ 7,892 bilhões, alta de 5,2% em relação ao apurado um ano antes. Já a sinistralidade caixa (termômetro financeiro de um seguro ou plano de saúde) alcançou 72,2%, alta de 0,4 ponto porcentual (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior.
O ponto positivo da operadora foi o tíquete médio do primeiro trimestre, que ficou em R$ 305, alta de 7,3% na comparação anual, refletindo reajustes contratuais e o mix de produtos.
Durante teleconferência de resultados com analistas e investidores, o diretor-presidente da Hapvida, Lucas Adib, destacou que a meta é diminuir atritos operacionais e comerciais, que geram processos judiciais e impactam os resultados da empresa. O executivo acrescentou que a companhia também vem revisando sua estratégia comercial e operacional, com foco na retenção de clientes e na reconstrução da dinâmica de vendas.
O vice-presidente de Finanças da companhia, Lucas Garrido, afirmou que a sinistralidade da Hapvida apresentou “tendências mistas” no trimestre, com um início de ano mais favorável seguido de aceleração da utilização dos serviços em março. Segundo o executivo, janeiro e fevereiro registraram menor frequência de utilização, dentro do padrão sazonal esperado, enquanto março apresentou comportamento acima do histórico.
O que os bancos avaliam
O Citi classifica como forte o resultado da Hapvida no primeiro trimestre de 2026, com Ebitda ajustado 21% acima das estimativas do banco. A receita ficou em linha com a projeção, com alta de 5% ante o último ano.
Os analistas Leandro Bastos e Renan Prata avaliaram que o desvio positivo veio principalmente por conta da sinistralidade médica caixa, que ficou 270 pontos-base abaixo das estimativas do Citi, e registrou uma queda de 330 pontos-base em relação ao trimestre anterior.
O banco acrescenta que o tíquete individual foi robusto, com alta de 4% ante o trimestre anterior, compensando a fraqueza de preços no corporativo, que ficou estável na comparação trimestral.
O Citi tem recomendação neutra/alto risco para as ações da Hapvida. O preço-alvo é de R$ 11, o que implica em um potencial de baixa de 3,8%, ante o último fechamento do papel.
Na avaliação do Bradesco BBI, os resultados do primeiro trimestre da Hapvida também foram considerados positivos, com números superando as estimativas e Ebitda vindo 14% acima do projetado pelo banco.
A empresa registrou melhora operacional no trimestre, com avanço de 3 pontos porcentuais na margem Ebitda ajustada em relação ao trimestre anterior. Além disso, o banco ficou surpreso com o desempenho da sinistralidade caixa, que reduziu 3,3 pontos porcentuais de janeiro a março.
O Bradesco BBI aponta que o foco do mercado deve estar em eventual pressão sobre a sinistralidade no segundo trimestre de 2026, já que a Hapvida afirmou que a frequência dos procedimentos em março superou níveis históricos, refletindo uma recuperação após procedimentos eletivos sazonalmente mais baixos em janeiro e fevereiro e a intensificação de doenças infecciosas.
Para o banco, a recomendação para os papéis da operadora de saúde é neutra, com preço-alvo de R$ 14, um potencial de alta de 22,37% em relação ao fechamento de ontem.
*Com informações da Broadcast