De todo o setor, os FIIs focados em empreendimentos residenciais são os que apresentam o maior potencial de valorização. De acordo com o levantamento, o ‘upside’ desse grupo permanece em torno de 32%. Na outra ponta, os fundos de logística são os que estão mais próximos de serem negociados pelo valor justo de mercado e, por isso, as cotas têm perspectivas de alta limita, algo em torno de 9,98%.
Para calcular esse potencial, o estudo considerou a relação entre o preço das cotas negociadas na Bolsa e o valor patrimonial dos fundos. Quando o indicador fica abaixo de 1, significa que as cotas estão sendo negociadas com desconto em relação ao valor considerado justo. Já um resultado acima de 1 indica que o mercado está pagando um prêmio pelos ativos.
Veja o desempenho dos fundos imobiliários de tijolo
| Setor |
Nº de Fundos no Setor |
Retorno Medio no Ano |
|
| Híbrido |
66 |
1,89% |
11,6% |
| Logística |
31 |
2,81% |
9,98% |
| Shopping |
22 |
4,72% |
22% |
| Outros |
9 |
-2,86% |
13,43% |
| Lajes Corporativas |
26 |
4,72% |
30% |
| Residencial |
8 |
1,81% |
32,08% |
| Hotel |
3 |
-8,82% |
31,15% |
| Agências |
3 |
-3,55% |
22,26% |
| Educacional |
2 |
5,63% |
13,63% |
| Fonte: Quantum Finance/*Dados de abril |
O ‘desconto’ vai aumentar?
As expectativas em torno do ciclo de queda de juros no Brasil foram os principais vetores que impulsionaram os fundos imobiliários nos últimos meses. Em 2025, o Ifix – índice de referência para os fundos imobiliários – encerrou 2025 com a maior alta anual desde 2019, ao acumular uma valorização de 21,15%.
No entanto, essa euforia perdeu fôlego com início da guerra no Oriente Médio. O principal motivo está ligado à disparada do preço do petróleo que passou a ser negociado acima dos U$ 100 mil. A disparada da commodity elevou os custos dos combustíveis e intensificou as preocupações com a inflação.
Como mostramos nesta reportagem, o mercado voltou a embutir um prêmio maior para o risco de inflação em função dos efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã sobre a economia brasileira. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), reconheceu a ‘desancoragem’ das expectativas inflacionárias e adotou um tom mais duro na ata da reunião do fim de abril.
“Conforme os juros futuros continuem aumentando suas taxas por conta de problemas macro e micro, além de uma expectativa de um ciclo de queda de juros mais curto, os fundos imobiliários podem continuar sofrendo, em especial os fundos de tijolos que possui um beta maior e mais sensibilidade”, explica Leonardo Verissimo, analista de Fundos Imobiliários da Eleven Financial.