Nesta terça-feira (26), com o mercado recalculando o risco geopolítico no Oriente Médio, por volta das 9h30 (de Brasília), o Brent para agosto avançava 2,84%, aos US$ 96,07 o barril, enquanto o WTI para julho recuava 4,36%, aos US$ 92,39, ainda ajustando preços após o feriado de Memorial Day nos Estados Unidos. Mais cedo, o Brent chegou a subir mais de 3%.
A variação do mercado se dá a partir da relação entre a diplomacia e risco militar. De um lado, investidores ainda tentam sustentar a leitura de que um acordo entre EUA e Irã pode destravar gradualmente o fluxo de embarcações em Ormuz e aliviar a pressão sobre a oferta global de energia. De outro, qualquer novo ruído militar faz o prêmio de risco reaparecer nas cotações.
Tentativa de reabertura
A tentativa de reabertura do Estreito de Ormuz dita a principal narrativa do mercado. A região concentra uma das rotas mais estratégicas do planeta para petróleo e gás natural, e qualquer ameaça ao fluxo marítimo altera expectativas de inflação, juros e crescimento global.
Ataques americanos nesta madrugada reforçaram justamente essa fragilidade. Segundo autoridades militares dos EUA, a ofensiva teve caráter defensivo. Ainda assim, o episódio foi suficiente para interromper parte do movimento de alívio observado na segunda-feira.
O presidente Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã continuam avançando e chegou a mencionar a possibilidade de destruição do urânio enriquecido iraniano dentro de um eventual acordo nuclear.
Bolsas compram a trégua
Mesmo com a volta da tensão no petróleo, o restante dos mercados internacionais amanheceu mais resiliente. Os futuros das bolsas de Nova York operavam em alta na volta do feriado americano, enquanto os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, cediam e o dólar perdia força frente a moedas fortes.
A leitura predominante é que, apesar da escalada militar pontual, o cenário-base ainda considera possível algum avanço diplomático no curto prazo. Isso ajuda a evitar, ao menos por enquanto, uma deterioração mais intensa dos ativos de risco.
No Brasil, o ambiente externo ainda favorece algum alívio para câmbio e juros futuros, especialmente diante da queda global do dólar. O mercado também monitora os dados do setor externo brasileiro divulgados nesta manhã, além dos desdobramentos políticos envolvendo a PEC da autonomia orçamentária do Banco Central e a discussão sobre o fim da escala 6×1.
Petróleo segue sendo peça-chave para inflação e juros
O movimento do petróleo voltou a ocupar papel central na precificação global de inflação. O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou nesta terça-feira um estudo afirmando que expectativas inflacionárias mais bem ancoradas na América Latina ajudam a amortecer choques como o atual avanço da commodity.
Ainda assim, o fundo fez um alerta importante: credibilidade monetária é lenta para ser construída e rápida para ser perdida. Segundo o relatório, políticas monetárias mais frouxas do que o esperado tendem a desancorar expectativas de inflação com muito mais intensidade do que o efeito positivo produzido por posturas mais restritivas.
Com informações da Broadcast.