O vazamento do áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, provocou forte repercussão no mercado financeiro doméstico.
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O vazamento do áudio envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, provocou forte repercussão no mercado financeiro doméstico.
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O movimento foi acompanhado por queda relevante da Bolsa de Valores (1,8%), avanço expressivo do dólar (2,3%) e abertura da curva de juros futuros, refletindo uma reação imediata dos agentes econômicos ao episódio político eleitoral, ocorrido na última quarta-feira (13).
A divulgação da conversa, na qual Flávio solicita apoio financeiro para a produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ocorreu em um momento particularmente sensível do cenário político.
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O episódio coincidiu com o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de encontro com o presidente americano Donald Trump, figura que segue como principal referência simbólica do campo bolsonarista, além de uma percepção de melhora do governo em segmentos considerados estratégicos do eleitorado, especialmente entre os chamados independentes, de acordo com a última pesquisa Quaest.
Dentro desse contexto, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, avaliou que as chances de reeleição de Lula teriam saltado de 40% para 75%.
Explorando um pouco esse ponto antes de avançar. Considero que ainda é cedo para cravar uma chance de vitória tão elevada, sobretudo porque o ambiente político permanece altamente volátil e distante do período de maior intensidade da disputa presidencial.
Além disso, não está claro qual será a dimensão dos possíveis desdobramentos envolvendo o caso Vorcaro, que está, inclusive, em processo de delação premiada. Ou seja, estamos diante de uma verdadeira caixa de Pandora eleitoral.
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Vale lembrar que, poucas semanas antes do vazamento do áudio, parte relevante do mercado e da classe política avaliava que o governo Lula havia entrado em trajetória de derrocada, especialmente após a rejeição, pelo Senado, da indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal. Alguns analistas chegaram a ratificar o fim do atual governo.
A atual conjuntura mostra justamente como o cenário político brasileiro segue sujeito a mudanças rápidas de percepção e humor.
O fato é que em meio à forte frustração causada pela repercussão do áudio de Flávio entre diversos atores do mercado financeiro e empresarial, uma pergunta passou a circular com mais intensidade: o chamado “trade eleitoral” começou?
Para quem não está familiarizado com o termo, “trade eleitoral” é a expressão utilizada no mercado para definir movimentos de investimento, proteção ou reposicionamento de carteira baseados na percepção de como determinado cenário eleitoral pode impactar a economia, empresas e ativos financeiros.
A minha avaliação, neste momento, é que ainda não. O principal vetor de atenção dos grandes players do mercado segue concentrado no ambiente internacional, especialmente nos desdobramentos da guerra envolvendo o Irã, nos impactos sobre o petróleo e nas sinalizações vindas de Washington, em especial nas declarações de Trump.
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Sobre esse tema, vale o investidor ficar atento nestes próximos dias, tendo em vista que Trump voltou a fazer ameaças ao Irã dizendo que o tempo para um posicionamento está se esgotando.
Com base nesses elementos, vejo o movimento observado na última quarta-feira (13) muito mais como uma reação pontual a um fato político de grande repercussão do que, propriamente, o início estruturado de um ciclo clássico de trade eleitoral.
Isso não significa, porém, ausência de volatilidade daqui para frente. Novos desdobramentos envolvendo Flávio Bolsonaro podem gerar reações adicionais no mercado, assim como futuras pesquisas eleitorais tendem a ganhar peso crescente na formação de expectativas.
Nesse sentido, o fundador da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, revelou que o instituto já está em campo com uma rodada destinada a medir o impacto eleitoral do episódio do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro, além de testar a receptividade ao nome de Michelle Bolsonaro como eventual alternativa competitiva no campo conservador. A pesquisa deve ser divulgada na semana que vem.
“Qualquer avaliação mais precisa sobre o efeito do episódio na candidatura de Flávio depende das próximas pesquisas de intenção de voto realizadas após a divulgação do áudio. E esses levantamentos podem dar respostas muito mais amplas do que apenas um impacto numérico nas intenções de voto. Eles ajudam a medir a estabilidade da base mais fiel do bolsonarismo, se as declarações dos aliados conseguiram conter danos e, caso não tenham conseguido, para onde esse eleitor começou a migrar”, destaca Freres.
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Além da Indexa Pesquisas, devem ser divulgadas nos próximos dias novas rodadas da AtlasIntel (terça-feira) e Datafolha (sexta-feira).
Vamos acompanhando.
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